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Bento XVI

"A infância de Jesus": quatro capítulos para falar do «novo início» de Deus

Interpretar, em diálogo com exegetas do passado e do presente, o que Mateus e Lucas narram no início dos seus evangelhos sobre a infância de Jesus, à luz de duas perguntas: “O que queriam dizer?”; e ainda: “É verdade? E de que maneira me diz respeito?”.

Estas são alguns dos propósitos de Bento XVI no seu novo livro, “A infância de Jesus”, apresentado terça-feira no Vaticano e que esta quarta-feira vai estar à venda em Portugal e em mais 49 países, numa primeira tiragem que ultrapassa o milhão de exemplares em oito línguas (o português é a única que se desdobra em duas, europeu e brasileiro).

A obra, que conclui a trilogia sobre Jesus de Nazaré assinada por Bento XVI e que, ao mesmo tempo, é o seu pórtico, inicia-se com uma reflexão sobre a origem do Salvador a partir da pergunta inesperada que Pilatos faz a Jesus, «De onde és tu?», interrogação que se centra no ser e na missão, escreve o papa.

Iluminando a diferença entre a genealogia nas versões de Mateus e de Lucas, Bento XVI revela-lhes os mesmos sentidos teológico e simbólico: «O seu ser entrelaçado no percurso histórico da promessa e o novo início que, paradoxalmente, a par da continuidade do agir histórico de Deus, caracteriza a origem de Jesus».

Jesus é, assim, criação do Espírito Santo, ainda que a sua genealogia seja importante. «José é juridicamente o pai de Jesus. É por intermédio de José que Jesus pertence, segundo a lei, legalmente à tribo de David», rei determinante na história do povo judeu, tanto ao tempo de Jesus como agora.

«O mistério do “de onde”, da dupla origem vem ao nosso encontro de modo muito concreto: a sua origem e determinável e no entanto é um mistério. Só Deus é em sentido próprio o seu pai». Em Maria, «a humilde Virgem de Nazaré», Jesus «recomeça de modo novo o ser pessoa humana».

Os temas do segundo capítulo, o mais extenso, são o anúncio a Zacarias do nascimento de João Batista, o chamado “precursor” de Jesus, e a anunciação a Maria, quando um anjo lhe revela que tinha sido escolhida por Deus para ser mãe de Jesus, intenção a que ela deu o seu sim.

ImagemAnunciação (Masolino da Panicale)

Joseph Ratzinger debruça-se sobre vários aspetos das reações de José e sobretudo de Maria à inesperada mensagem: perturbação, dor, coragem, e grande interioridade retratam a figura da Virgem nas palavras do papa.

Relendo o diálogo entre Maria e o Anjo, segundo o evangelho de Lucas, Bento XVI explica que através de uma mulher «Deus procura uma nova entrada no mundo». «Bate à porta de Maria. Precisa da liberdade humana», escreve o papa, citando Bernardo de Claraval.

«Não pode redimir o homem, criado livre, sem um “sim” livre à sua vontade. Criando a liberdade, Deus, de certa maneira, tornou-se dependente do homem: o seu poder está ligado ao “sim” não forçado de uma pessoa humana».

Maria torna-se Mãe mediante o seu “sim”. É este o momento decisivo: «Através da sua obediência a Palavra entrou nela e nela tornou-se fecunda».

Imagem Nascimento, à noite (Geertgen tot Sint Jans)

Belém está no âmago do terceiro capítulo: o nascimento de Jesus num contexto histórico preciso, que Bento XVI evidencia sublinhando o ambiente vivido sob o imperador romano, Augusto.

«Só neste momento, em que existe uma comunhão de direitos e de bens em larga escala, e uma língua universal permite a uma comunidade cultural a concordância no pensar e no agir, uma mensagem universal de salvação, um universal portador de salvação pode entrar no mundo: é, de facto, a plenitude dos tempos».

Jesus não nasceu no impreciso do «era uma vez» do mito: «Ele pertence a um tempo exatamente datável e a um ambiente geográfico exatamente indicado: o universal e o concreto tocam-se no acontecimento. Nele, o logos, a razão criadora de todas coisas, entrou no mundo, o logos eterno fez-se homem. E disto faz parte o contexto do lugar e tempo».

ImagemAdoração dos magos (Fra Angelico)

Referindo-se à apresentação de Jesus no templo, o papa acentua que «à teologia da Glória» está ligada de forma incidível à «teologia da Cruz».

Aos magos sábios e à fuga para o Egito é dedicado o quarto e último capítulo, onde, com uma rica variedade de informações históricas e linguísticas cientificamente apoiadas, o papa traça o perfil dos magos e conclui que representam não só as pessoa que encontraram o caminho para Cristo, mas «o movimento das religiões e da razão humana em direção a Cristo». Uma peregrinação que percorre toda a História.

E mesmo nas reflexões sobre outros elementos da narrativa - a natureza da estrela, a paragem dos magos em Jerusalém, a fuga para o Egito e a matança dos inocentes, Bento XVI, além dos factos, alarga o horizonte do leitor para o grande projeto de amor divino: a salvação eterna oferecida à liberdade da pessoa.

ImagemJesus entre os doutores (Albrecht Dürer)

O breve epílogo, com a narrativa de Jesus que aos 12 anos discute com os doutores do templo e depois se confronta com os pais, no qual se manifesta o mistério da sua natureza de verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, é o coroamento da obra e «abre a porta para o todo da sua figura» que depois é contado pelos evangelistas.

A apresentação desta manhã no Vaticano contou com a intervenção do cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho da Cultura e especialista em estudos bíblicos, entre outros convidados.

O volume foi depois apresentado a Bento XVI pelos editores recebidos em audiência, entre os quais o português Henrique Mota, em representação da Princípia Editora.

Nos próximos meses o livro será traduzido noutras 20 línguas para a publicação em 72 países.

 

Notas:
- As passagens do livro "A infância de Jesus" foram traduzidas da edição italiana, conforme apresentada na fonte deste artigo. A tradução poderá ser corrigida depois de comparada com a edição em português.
- As imagens aqui apresentadas não estão incluídas no livro.

 

In Rádio Vaticano
Trad. / adapt.: rjm
21.11.12

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Capa

A infância de Jesus

Autor
Joseph Ratzinger - Bento XVI

Editora
Princípia

Ano
2012

Páginas
112

Preço
9,52 €

ISBN
978-989-716-090-5

 

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