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D. Manuel Clemente, cardeal: Resumo da celebração (vídeo), simbolismo do rito e história do Colégio Cardinalício

Imagem Papa Francisco coloca o barrete cardinalício sobre D. Manuel Clemente | Vaticano, basílica de S. Pedro, 14.2.2015 | D.R.

D. Manuel Clemente, cardeal: Resumo da celebração (vídeo), simbolismo do rito e história do Colégio Cardinalício

D. Manuel Clemente foi hoje criado cardeal pelo papa Francisco, em celebração que se realizou na basílica de S. Pedro, no Vaticano.

O 44.º cardeal português e o quarto a ser criado no século XXI agrega-se ao Colégio Cardinalício, onde vai encontrar os também prelados lusos D. José Saraiva Martins, anterior responsável pela Congregação para as  Causas dos Santos, e D. Manuel Monteiro, que foi penitenciário-mor da Santa Sé.

Por terem menos de 80 anos, D. Manuel Clemente e D. Manuel Monteiro poderão eleger um novo papa em caso de conclave

Na celebração, para a qual foi convidado o papa emérito Bento XVI, foi anunciada a presença do vice-primeiro-ministro de Portugal, Paulo Portas, do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, e do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier.

 

Celebração passo a passo

O rito começou com a saudação litúrgica do papa e uma oração; a seguir, o primeiro dos novos cardeais, Dominique Mamberti, saudou, em nome de todos, o papa.

Um leitor proclamou depois um excerto da carta de S. Paulo aos Coríntios (12, 31-13,13), sobre a importância da caridade, que terminou com  estas palavras: «Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor; mas a maior de todas é o amor».

Francisco proferiu então uma alocução, e o rito continuou com a leitura da fórmula de criação dos novos cardeais, por parte do papa, que proclamou solenemente os nomes dos novos membros do Colégio Cardinalício, acompanhados da designação do seu título ou diaconia.

Nesta proclamação, em latim, foi afirmado que os novos cardeais estão «unidos à sede de Pedro com um vínculo mais estreito», cooperam «mais intensamente» no «serviço apostólico» do papa e «devem ser testemunhas intrépidas de Cristo e do seu Evangelho na cidade de Roma e nas regiões mais longínquas».

Seguiu-se, igualmente em latim, a profissão de fé - o "Credo" - e o juramento: «Eu [nome e sobrenomes], cardeal da Santa Igreja Romana, prometo e juro, desde agora e para sempre enquanto viva, ser fiel a Cristo e ao seu Evangelho, constantemente obediente à Santa Igreja Apostólica Romana, ao bem-aventurado Pedro na pessoa do Sumo Pontífice e dos seus sucessores canonicamente eleitos; conservar sempre com palavras e obras a comunhão com a Igreja católica; não revelar a ninguém o que se me confie em segredo, nem divulgar aquilo que poderá acarretar dano ou desonra à Santa Igreja; desempenhar com grande diligência e fidelidade as tarefas às quais estou chamado no meu serviço à Igreja, segundo as normas do direito. Que assim me ajude Deus omnipotente». 

Depois, cada novo cardeal aproximou-se do papa e ajoelhou-se diante dele para receber o barrete e o anel cardinalícios, acompanhados pela entrega do título ou diaconia.

Ao colocar o barrete na cabeça do novo cardeal, o papa disse: «Para louvor de Deus omnipotente e honra da Santa Sé, recebe o barrete vermelho como sinal da dignidade do cardinalato, significando que deves estar pronto a comportar-te com fortaleza, até ao derramamento de sangue, pelo crescimento da fé cristã, pela paz e tranquilidade do povo de Deus, e pela liberdade e difusão da Santa Igreja Romana».

Na entrega do anel, o papa assinalou: «Recebe o anel das mãos de Pedro e sabe que com o amor do Princípe dos Apóstolos se reforça o teu amor pela Igreja».

Francisco atribuiu depois a cada cardeal uma igreja de Roma (título ou diaconia), como sinal da sua participação no cuidado pastoral do papa pela cidade; a D. Manuel Clemente foi consignado o título da igreja de Santo António (dos portugueses).

O papa entregou seguidamente a bula de criação do cardinalato e da atribuição do título ou diaconia, saudando depois o novo membro do Colégio Cardinalício: «A paz do Senhor esteja sempre contigo», gesto repetido pelos cardeais entre si.

O rito foi concluído com o Pai-nosso e a oração final.

No domingo o papa preside à missa com o Colégio Cardinalício na basílica de S. Pedro, às 10h00 locais (menos uma hora em Portugal continental), celebração que conta com a participação  de Paulo Portas. Segue-se um almoço com o cardeal Manuel Clemente e o clero  português em Roma, no Colégio Pontifício Português.

 

Origem e evolução dos cardeais

Os cardeais, surgidos dos diáconos, presbíteros, e bispos de igrejas de Roma e da sua circunscrição foram conselheiros e colaboradores do papa. Desde 1059 são os seus eleitores exclusivos.

A partir de 1150 formaram o Colégio Cardinalício, com um decano, que é o bispo de Óstia, diocese sufragânea de Roma, e um camarlengo, na qualidade de administrador dos bens.

No século XII começaram a nomear-se cardeais residentes fora de Roma, e foi também a partir dos anos 1100 que eles passaram a preceder os bispos e arcebispos, e, desde o século XV, os patriarcas.

O número dos cardeais nos séculos XIII a XV, não superior a 30, foi fixado pelo papa Sisto V (1521-1590) em 70. Este número foi confirmado pelo Código de Direito Canónico de 1917, mas derrogado em 1958 por S. João XXIII, que em 1962 estabeleceu que todos os cardeais recebam a consagração episcopal, ou seja, o terceiro e último grau do sacramento da Ordem.

Em 1965, o Beato Paulo VI determinou que os patriarcas orientais passavam a ter lugar no Colégio Cardinalício, e cinco anos depois dispôs que os cardeais, a partir dos 80 anos, perdem o direito de eleger o papa - e, por isso, de entrar no conclave.

Foi também Paulo VI que, em 1973, fixou em 120 o número máximo de cardeais que podem eleger o papa, norma reiterada no ano de 1996 por João Paulo II.

Escolhidos livremente pelo papa, os novos cardeais devem pelo menos ter recebido o segundo grau do sacramento da Ordem (presbiterado), pelo que têm de ser padres, distinguindo-se «notavelmente pela doutrina, costumes, piedade e prudente resolução dos problemas», como refere o Código de Direito Canónico.

A pessoa promovida à dignidade cardinalícia cuja criação o papa anunciar mas reservando para si o nome ("in pectore") - por exemplo para preservar a segurança de uma personalidade que viva num regime político persecutório dos católicos - não fica obrigada a nenhum dever dos cardeais nem goza de nenhum dos seus direitos.

Os cardeais, que prestam colegialmente a sua colaboração ao papa nos consistórios ordinários (que podem ser públicos, como o deste sábado) ou extraordinários (reservados ao Colégio Cardinalício) estão divididos em três ordens: episcopal, presbiteral e diaconal; por isso há cardeais-bispos, cardeais-presbíteros e cardeais-diáconos.

 

Resumo da celebração





 

Rui Jorge Martins
Vídeo: CTV
Publicado em 14.02.2015

 

 
Imagem Papa Francisco coloca o barrete cardinalício sobre D. Manuel Clemente | Vaticano, basílica de S. Pedro, 14.2.2015 | D.R.
«Eu [nome e sobrenomes], cardeal da Santa Romana Igreja, prometo e juro, desde agora e para sempre enquanto viva, ser fiel a Cristo e ao seu Evangelho, constantemente obediente à Santa Igreja Apostólica Romana, ao bem-aventurado Pedro na pessoa do Sumo Pontífice e dos seus sucessores canonicamente eleitos»
Ao colocar o barrete na cabeça do novo cardeal, o papa diz: «[É] vermelho como sinal da dignidade do cardinalato, e significa que deves estar pronto a comportar-te com fortaleza, até ao derramamento de sangue, pelo crescimento da fé cristã, pela paz e tranquilidade do povo de Deus, e pela liberdade e difusão da Santa Igreja Romana»
Escolhidos livremente pelo papa, os novos cardeais devem pelo menos ter recebido o segundo grau do sacramento da Ordem (presbiterado), pelo que têm de ser padres, distinguindo-se «notavelmente pela doutrina, costumes, piedade e prudente resolução dos problemas»
Os cardeais, que prestam colegialmente a sua colaboração ao papa nos consistórios ordinários (que podem ser públicos, como o deste sábado) ou extraordinários (reservados ao Colégio Cardinalício) estão divididos em três ordens: episcopal, presbiteral e diaconal
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