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Livros, arte, diálogos, exposições, gastronomia: Nova casa dos Jesuítas leva Igreja à vanguarda da cultura

«O diálogo com a cultura contemporânea tem de ter um olhar positivo. Vivemos numa sociedade plural, com outras velocidades, outras linguagens, mas os católicos têm de ter uma palavra a dizer neste contexto. Têm de procurar qual o diálogo que vamos ter, e em que tom o devemos fazer.»

Esta é a convicção do P. João Norton de Matos, um dos novos habitantes da casa e centro cultural que os Jesuítas vão abrir, a 23 de janeiro, numa das áreas mais nobres de Lisboa.

«A fé cristã tem conteúdos para trabalhar a espiritualidade contemporânea, que também força o silêncio, a dimensão contemplativa, a dimensão de não ser só uma racionalidade muito dogmática e organizada. No fundo, esta casa vai ter de fazer esse trabalho, de passar uma mensagem e um olhar positivo através da linguagem visual», acrescenta.

As declarações do religioso arquiteto integram a reportagem “Jesuítas voltam a São Roque e vão trabalhar com “conspiradores do futuro”, publicada este sábado no “Diário de Notícias”, quatro páginas assinadas por Ana Mafalda Inácio (texto) e Orlando Almeida (fotografias).



«Todas as peças que aqui estão são de autores conceituados, portugueses ou não, algumas são de colecionadores que colaboram connosco, e que aceitaram disponibilizá-las para fazerem parte desta casa»



«Vivemos uma época social marcada pela guetização e, aqui, nesta casa, a Igreja católica abre as portas para dizer: “Este espaço é nosso, mas queremos que seja de todos e para todos. Não é u gueto cultural católico, é um espaço eclesial, aberto a todos que connosco quiserem construir um mundo melhor», explica o P. Manuel Cardoso.

A comunidade quer trabalhar «com todas as pessoas que tenham boas iniciativas, , católicas ou não, com  todos os conspiradores de futuro», assinala.

O P. Vasco Pinto Magalhães, que com 78 anos é o religioso mais antigo da comunidade, a quem foi confiada a vizinha igreja da Encarnação, o sentido da casa «é o diálogo entre a vida e a cultura».

«É como se metêssemos a arte contemporânea na história, porque é preciso integrar, de alguma maneira, sempre que se faz uma rutura, se estou a negar alguma coisa, estou também a afirmá-la», aponta.

O novo espaço toma conta do palacete dos Condes de Tomar, do século XVI, que a partir dos anos 80 do século passado albergou a Hemeroteca Municipal de Lisboa. Em 2013, a instituição foi transferida, tendo sido adquirida, no ano anterior, pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que a cede à Companhia de Jesus por um período de 25 anos.



«É um desafio permanente, de todos os dias, para se fazer que todos os grupos sociais, culturais e as comunidades que sintam que ainda têm de ganhar voz sintam que podem entrar em diálogo connosco, com esta casa, e usufruir deste espaço»



O protocolo entre as duas entidades visa acrescentar dinamismo cultural a um perímetro que inclui a igreja e o museu de S. Roque, intrinsecamente ligados à história dos Jesuítas em Portugal, e a nova Casa da Ásia. O polo cultural será também a nova sede da revista “Brotéria”, fundada em 1902.

A casa conta já com uma espécie de exposição permanente de arte contemporânea, com obras de criadores como Rui Chafes e João Penalva: «Todas as peças que aqui estão são de autores conceituados, portugueses ou não, algumas são de colecionadores que colaboram connosco, e que aceitaram disponibilizá-las para fazerem parte desta casa», observa o diácono João Sarmento, que este ano será ordenado padre.

O sótão foi a localização escolhida para os seis religiosos que “inauguram” a casa de três pisos. No rés-do-chão vai ficar a galeria, e são disponibilizadas cinco salas para leitura, encontros, debates e conferência.

O projeto contempla as áreas necessárias para guardar a biblioteca da “Brotéria”, com mais de 160 mil exemplares , que ficam agora disponíveis para consulta. E foi igualmente pensado um espaço de gastronomia.

A primeira exposição, “Todas as coisas”, patente ao público a partir do dia 25 de janeiro, imerge na memória da “Brotéria”, mostrando o que de mais significativo foi feito pela investigação científica dos Jesuítas, recorrendo a linguagens como o vídeo e instalações.

«É um desafio permanente, de todos os dias, para se fazer que todos os grupos sociais, culturais e as comunidades que sintam que ainda têm de ganhar voz sintam que podem entrar em diálogo connosco, com esta casa, e usufruir deste espaço», destaca a jornalista e artista plástica Matilde Torres Pereira.


Imagem Programa da inauguração

Imagem Uma das obras expostas na centro cultural dos Jesuítas, "Looking up in Osaka" de João Penalva | D.R.

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Rui Jorge Martins
Fonte: Diário de Notícias
Imagem: "Looking up in Osaka" (det.) | João Penalva
Publicado em 12.01.2020 | Atualizado em 12.01.2010 | Atualizado em 15.01.2020

 

 
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