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Papa reitera ligação entre Igreja e desporto, escola de vida e de virtudes

«Recomeçar com determinação após uma derrota ou após um infortúnio» é uma das lições que o desporto ensina ao ser humano, e por isso «pode revelar-se de grande ajuda para o crescimento humano de cada pessoa, porque a estimula a dar o melhor de si, com vista a alcançar determinada meta», declarou hoje o papa.

Ao receber, no Vaticano, membros da Federação do Ciclismo Italiana, Francisco sublinhou que «a relação entre Igreja e desporto tem uma longa história e, com o tempo, consolidou-se cada vez mais», mas não deixou de alertar para as «desordens» que ameaçam as modalidades.

O desporto «educa para a constância, o sacrifício e renúncia», como acontece «nos longos e exigentes treinos, ou na observância de uma exigência disciplina de vida», ao mesmo tempo que se torna ocasião «para exprimir com entusiasmo a alegria de viver e a justa satisfação por ter chegado à meta».

«O ciclismo, em particular, é um dos desportos que coloca maioritariamente em realce algumas virtudes, como suportar o cansaço – nas longas e difíceis subidas –, a coragem – ao tentar uma fuga ou enfrentar um “sprint” –, a integridade ao respeitar as regras, o altruísmo e o sentido de equipa», apontou.

Poucas semanas após o início da época de ciclismo de 2019, e quando se aproximam as primeiras corridas “clássicas” da temporada, Francisco lembrou que os desportistas de uma equipa têm de se sacrificar pelo seu líder, «e quando um companheiro atravessa um momento de dificuldade, são os seus companheiros de equipa a apoiá-lo e a acompanhá-lo».



«Quando o desporto se torna um fim em si, e a pessoa um instrumento ao serviço de outros interesses, por exemplo do prestígio e do lucro, então surgem desordens que envenenam o desporto. Penso no “doping”, na desonestidade, na falta de respeito por si e pelos adversários, na corrupção»



«Assim é também na vida, é necessário cultivar um espírito de altruísmo, de generosidade e de comunidade, para ajudar quem ficou para trás e precisa de ajuda para alcançar determinado objetivo», frisou.

Na história da modalidade, foram «muitos» os ciclistas que viveram estas virtudes, «no desporto e na vida, pela sua integridade e coerência, dando o melhor de si na bicicleta», conjugando «fortaleza de ânimo e determinação em chegar à vitória, mas também solidariedade e alegria de viver».

Dessa forma, prosseguiu Francisco, deram testemunho de «terem descoberto aquelas potencialidades do ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, e a beleza de viver em comunhão com os outros e com a criação».

«Os atletas têm esta extraordinária possibilidade de transmitir a todos, sobretudo aos jovens, os valores positivos da vida e do desejo de a gastar por objetivos altos e nobres», afirmou.

Do ciclismo, Francisco passou para todos os desportos e para todos os praticantes, desde os ocasionais aos amadores, passando pelos profissionais, destacando a importância «de saber viver sempre a atividade desportiva ao serviço dos crescimento e da realização integral da pessoa».

«Quando, ao contrário, o desporto se torna um fim em si, e a pessoa um instrumento ao serviço de outros interesses, por exemplo do prestígio e do lucro, então surgem desordens que envenenam o desporto. Penso no “doping”, na desonestidade, na falta de respeito por si e pelos adversários, na corrupção», observou.

A concluir, o papa lembrou «o compromisso que a Igreja assumiu de querer escutar os jovens, de tomar a peito as suas expetativas, os seus modos de exprimir o desejo de viver e de realizar-se. É necessário acompanhar as novas gerações sem perder de vista as tradições saudáveis e a cultura popular, que, em muitos países do mundo, acompanham o ciclismo e os seus campeões».


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Imagem: Ciclista português Joaquim Agostinho | D.R.
Publicado em 09.03.2019

 

 
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