Papa tem palavras justas e claras para «meter o dedo em muitas feridas», diz patriarca de Lisboa sobre a exortação "Evangelii gaudium"
O patriarca de Lisboa pronunciou-se esta terça-feira sobre a exortação apostólica “Evangelii gaudium” (A alegria do Evangelho), do papa Francisco, tendo realçado a pertinência da mensagem social do documento.
O papa «tem encontrado palavras muito justas e muito claras para meter o dedo em muitas feridas que a nossa sociedade manifesta, concretamente desigualdades gritantes, não só nos países que nos tocam mais de perto, mas também entre «países ricos e pobres», afirmou D. Manuel Clemente.
O prelado apontou também o «muito desrespeito pela dignidade humana»: «Parece que adormecemos em relação a situações que não podemos manter. De vez em quando acordamos, quando há uma Lampedusa ou morre muita gente ao tentar chegar às costas da Europa».
«Situações deste género são muito repetidas, e não nos podemos habituar a elas, porque estando em causa a humanidade dos outros, está também a nossa própria humanidade. Se nós adormecemos aí, também adormecemos aqui», frisou.
As declarações do presidente da Conferência Episcopal Portuguesa foram proferidas à margem do encontro “A religião no espaço público”, que decorre esta tarde na Universidade Católica, em Lisboa.
Questionado sobre o inquérito aos católicos com vista ao sínodo extraordinário sobre a família, marcado para outubro de 2014 no Vaticano, D. Manuel Clemente disse que no patriarcado de Lisboa está a «exceder as expetativas», com cerca de dez mil respostas.
«Para qualquer sondagem, respostas desta grandeza já são muito indicativas», assinalou o patriarca sobre o inquérito que está disponível na internet até ao próximo domingo, 8 de dezembro.
Reagindo à condenação a 10 anos de prisão de um padre da diocese da Guarda acusado de abusos sexuais de menores, o prelado vincou que «quer seja membro da Igreja ou não, a lei é igual para todos».
«Todos nós, como cidadãos, temos de ser responsáveis pelos nossos atos», disse D. Manuel Clemente, acrescentando que «com certeza que há razão para haver recurso» e lembrando que está também a correr um processo eclesiástico.
Para o patriarca, quando há um caso similar «tem de se elucidar, tem de se responder com responsabilidade e levar por diante tudo aquilo que seja apurado»,
«Sempre com uma grande preocupação em relação a eventuais vítimas, e sempre com a uma grande preocupação de que não podemos desistir de recuperar tudo e todos», salientou.
Rui Jorge Martins
© SNPC |
03.12.13

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