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Umbrais : 14.3.2020

  relâmpago 

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para o ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Certo homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: “Pai, dá-me a parte da herança que me toca”. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: “Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores”. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: “Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho”. Mas o pai disse aos servos: “Trazei depressa a túnica mais bela e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado”. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: “O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque chegou são e salvo”. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: “Há tantos anos que te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo”. Disse-lhe o pai: “Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque o teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado”».

Lucas 15, 1-3.11-32

Outras leituras do dia: Miqueias 7, 14-15. 18-20; Salmo 102 (103), 1-2. 3-4. 9-10. 11-12



  gravetos 

A figura do pai da parábola revela o coração de Deus. Ele é o Pai misericordioso que em Jesus nos ama além de qualquer medida, espera sempre a nossa conversão todas as vezes que erramos; aguarda a nossa volta quando nos afastamos dele pensando que o podemos dispensar; está sempre pronto a abrir-nos os seus braços independentemente do que tiver acontecido. Como o pai do Evangelho, também Deus continua a considerar-nos seus filhos quando nos perdemos, e vem ao nosso encontro com ternura quando voltamos para Ele. E fala-nos com tanta bondade quando nós pensamos que somos justos. Os erros que cometemos, mesmo se forem grandes, não afetam a fidelidade do seu amor. Que no sacramento da Reconciliação possamos voltar a partir sempre de novo: Ele acolhe-nos, restitui-nos a dignidade de seus filhos e diz-nos: «Vai em frente! Fica em paz! Levanta-te, vai em frente!». Neste espaço de Quaresma que ainda nos separa da Páscoa, somos chamados a intensificar o caminho interior de conversão. Deixemo-nos alcançar pelo olhar cheio de amor do nosso Pai, e voltemos para Ele com todo o coração, rejeitando qualquer compromisso com o pecado. A Virgem Maria nos acompanhe até ao abraço regenerador com a misericórdia divina.

Papa Francisco



  silêncio 





“Das Befreite Israel, TWV 6:5”, Georg Philipp Telemann (1681-1767)


  crisântemo 

Uma mãe para o seu povo, e uma guia sábia para a sua família: Santa Matilde da Alemanha teve um papel fundamental nos acontecimentos políticos da Saxónia no século X, tendo também deixado a marca da caridade e de artífice da paz. Nascida cerca de 895, casou-se com Henrique, duque da Saxónia e depois rei da Alemanha, tornando-se um importante apoio para o marido. Viúva em 936, teve de agir como mediadora entre os primeiros dois dos cinco filhos, Otão e Henrique, que não viam com bons olhos a atividade de Matilde em favor dos pobres, tendo-a afastado da corte. Mas depressa emergiu a necessidade da sua presença para manter a paz. Retirou-se para um mosteiro nos últimos anos de vida. Morreu em 968.

Matteo Liut, Avvenire



  invisível 

Imagem Brian Homer, John Reardon

  brisa 

Poema

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto       tão perto       tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Mário Cesariny



  tenda 

Imagem Centro pastoral em Boulogne-Billancourt, França | Brenac & Gonzalez & Associés | © Sergio Grazia

  barro 

Filho de um pastor protestante, Georg Philipp Telemann (14.3.1681 – 25.6.1767) foi um prolífico compositor alemão do Barroco tardio, autor de peças sacras e seculares. Tornou-se mais admirado pelas primeiras, que incluíram desde pequenas cantatas a grandes peças para solistas, coro e orquestra. Considerado, ao seu tempo, o maior dos compositores, foi relativamente esquecido devido à crescente popularidade do de Bach. O renascimento do interesse em Telemann ocorreu a partir da década de 1920, crescendo exponencialmente desde então. Neste século, a sua música tem sido interpretada, conhecida, entendida e estudada mais do que em qualquer outro momento da história.



  sentidos 

Imagem “Parábola do filho pródigo” |Frans Francken

  ponte 

Se desejais conhecer o segredo da minha vida, é simples. Não procureis, além desta, outra explicação mais profunda. Sempre tive diante de mim as palavras de São Gregório de Nazianzo: «Não a nossa vontade, mas a vontade de Deus é a nossa paz.»

S. João XXIII



 

Edição: Rui Jorge Martins
Imagem de topo: Kazimierz Głaz | Center for Contemporary Art, Toronto, Canadá | D.R.
Publicado em 13.03.2020

 

 
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