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Umbrais : 26.2.2020

  relâmpago 

Naquele tempo, chegou Jesus a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da propriedade que Jacob tinha dado a seu filho José, onde estava o poço de Jacob. Jesus, cansado da caminhada, sentou-se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher da Samaria para tirar água. Disse-lhe Jesus: «Dá-me de beber». Os discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos. Respondeu-Lhe a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?». De facto, os judeus não se dão com os samaritanos. Disse-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é aquele que te diz: “Dá-me de beber”, tu é que lhe pedirias e Ele te daria água viva». Respondeu-lhe a mulher: «Senhor, Tu nem sequer tens um balde e o poço é fundo: donde te vem a água viva? Serás Tu maior do que o nosso pai Jacob, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, com os seus filhos e os seus rebanhos?». Disse-lhe Jesus: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna». «Senhor, – suplicou a mulher – dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la. Vejo que és profeta. Os nossos pais adoraram neste monte e vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar». Disse-lhe Jesus: «Mulher, acredita em mim: Vai chegar a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vai chegar a hora – e já chegou – em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade». Disse-Lhe a mulher: «Eu sei que há de vir o Messias, isto é, aquele que chamam Cristo. Quando vier há de anunciar-nos todas as coisas». Respondeu-lhe Jesus: «Sou Eu, que estou a falar contigo». Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, por causa da palavra da mulher. Quando os samaritanos vieram ao encontro de Jesus, pediram-lhe que ficasse com eles. E ficou lá dois dias. Ao ouvi-lo, muitos acreditaram e diziam à mulher: «Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo».

João 4, 5-15.19b-26.39a 40-42

Outras leituras do dia: Êxodo 17, 3-7; Salmo 94 (95), 1-2. 6-7. 8-9; Romanos 5, 1-2. 5-8



  gravetos 

Encontramos neste Evangelho o estímulo para «deixar a nossa ânfora», símbolo de tudo o que aparentemente é importante, mas que perde valor diante do «amor de Deus». Todos temos uma, ou mais que uma! Pergunto a vós, e também a mim: «Qual é a tua ânfora, a que te pesa, a que te afasta de Deus?». Deixemo-la um pouco de lado e com o coração ouçamos a voz de Jesus que nos oferece outra água, outra água que aproxima do Senhor. Somos chamados a redescobrir a importância e o sentido da nossa vida cristã, que começou com o baptismo e, como a Samaritana, a testemunhar aos nossos irmãos. O quê? A alegria! Testemunhar a alegria do encontro com Jesus, porque disse que cada encontro com Jesus muda a nossa vida, e também cada encontro com Jesus enche de alegria, aquela alegria que vem de dentro. E o Senhor é assim. E contar quantas coisas maravilhosas o Senhor faz no nosso coração, quando temos a coragem de pôr de lado a nossa ânfora.

Papa Francisco



  silêncio 





“O bone Jesu”, Robert Carver (c. 1485 – c. 1570)


  crisântemo 

Oferecer o pão que sustenta o corpo como sinal do amor oferecido naquele pão que alimenta a alma: é esta a contínua tensão vivida durante toda a existência de S. Clemente Maria Hofbauer. Nasceu na Morávia em 1751, cedo cultivando o desejo do sacerdócio, mas a morte do pai obrigou-o a cuidar da numerosa família, trabalhando numa panificadora, ofício que o acompanhou a vida inteira. Quando foi religioso redentorista em Varsóvia fundou um convento, assumindo a obra caritativa em favor dos pobres. Um percurso contorcido e não privado de obstáculos levou-o a ser ordenado padre em 1785. Foi para Viena, onde morreu em 1820, após vários anos passados na Polónia.

Matteo Liut, Avvenire



  invisível 

Imagem © Adam Holy

  brisa 

Ignição

Meus versos, desejo-vos na rua,
nas padiolas, pelo chão, encardidos
como quem ganha com eles a vida,
e o papel vá escurecendo ao sol,
a chuva o manche, a capa
ganhe dedadas, a companhia
aderente de um insecto,
as palavras se humildem mais
e chegue a sua vez de comoverem alguém
que compre, um faminto ajudando.

Meus versos, desejo-vos nas bibliotecas
itinerantes, gostaríeis de viajar
por aldeias, praias, escolas primárias,
despertar o rápido olhar das crianças,
estar nas suas mãos
completamente indefeso
e, sobretudo, que não vos compreendam.
Oxalá escrevam, risquem, atirem no recreio
umas às outras como pélas os livros
e sonhem, se possível, com algum verso
que súbito se esgueire pela sua alma.

António Osório



  tenda 

Imagem Igreja de Santa Cruz (Santuário do Santíssimo Sacramento), Manila, Filipinas | Leonid Andronov/Bigstock.com

  barro 

Henrique Alves de Mesquita (15.3.1830 – 17.7.1906) foi o primeiro aluno do Conservatório de Música do Rio de Janeiro a ser enviado à Europa para completar os estudos. Escreveu as óperas “O vagabundo” e “La nuit au chateau”, esta apresentada em Paris. As operetas e as peças musicais ligeiras representam a sua maior produção. Em 1872, assumiu o cargo de organista da igreja de São Pedro. No mesmo ano tornou-se professor do Conservatório de Música.



  sentidos 

Imagem “Jesus e a samaritana no poço” | Guercino | 1640-41

  ponte 

O que toda a gente procura, em última análise, é a felicidade. Mas o que faz alguém feliz não é o dinheiro, ainda que necessário, não é o poder que tem de exercer-se na sociedade, não é o prazer ao qual todos têm direito, nem mesmo o sucesso que muitos não alcançam. O que dá felicidade às pessoas é o sentido da vida, que permite usar o dinheiro sabendo ser solidário, que define o poder como uma forma de servir e que aceita o prazer como um aspeto apenas da alegria de viver. Pode ser-se feliz mesmo que pobre ou lutando pela justiça, ou sendo perseguido, desde que os objetivos da vida, o sentido da vida empurre para a construção da paz, numa sociedade de pessoas que se ajudam e que se querem bem.

P. Vítor Feytor Pinto



 

Edição: Rui Jorge Martins
Imagem de topo: Kazimierz Głaz | Center for Contemporary Art, Toronto, Canadá | D.R.
Publicado em 14.03.2020

 

 
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