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Umbrais : 16.3.2020

  relâmpago 

Naquele tempo, Jesus veio a Nazaré e falou ao povo na sinagoga, dizendo: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra. Digo-vos a verdade: Havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia. Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu; contudo, nenhum deles foi curado, mas apenas o sírio Naamã». Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram furiosos na sinagoga. Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade e levaram-no até ao cimo da colina sobre a qual a cidade estava edificada, a fim de o precipitarem dali abaixo. Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.

Lucas 4, 24-30

Outras leituras do dia: 2 Reis 5, 1-15a; Salmo 41 (42), 2-3; 42, 3. 4



  gravetos 

Fazemos resistência a dizer que algum de nós pode corrigir-nos. Tem de vir alguém com espetáculo para nos corrigir. E a religião não é um espetáculo. A fé não é um espetáculo, é a Palavra de Deus e o Espírito Santo que age nos corações. Com que espírito penso eu? Saber se eu penso verdadeiramente com o espírito de Deus. E pedir a graça de discernir quando penso com o espírito do mundo e quando penso com o espírito de Deus. E pedir a graça da conversão do pensamento.

Papa Francisco



  silêncio 





“Sederunt principes", Magister Perotinus (C. 1200)


  crisântemo 

Um missionário que soube entrar no coração de um povo para levar o Evangelho: S. Jean de Brebeuf, apóstolo dos hurões, tribo pele-vermelha aliada dos franceses, pagou com a vida a sua dedicação. Nascido em França em 1593 e tornado jesuíta, em 1625 embarcou para o Canadá, território ambicionado por vários impérios coloniais. Mas João dedicou-se apenas à difusão da fé, vivendo durante três anos com os hurões, estudando os seus usos e costumes, e escrevendo um catecismo na sua língua. Após o regresso ao país-natal, por causa da guerra anglo-francesa, pôde regressar à “sua” tribo. Mas em 1649 foi capturado, torturado e morto num ataque dos iroqueses, aliados dos holandeses.

Matteo Liut, Avvenire



  invisível 

Imagem © Sarah Isabelle Tan

  brisa 

A um negrilho

Na terra onde nasci há um só poeta.
Os meus versos são folhas dos seus ramos.
Quando chego de longe e conversamos,
É ele que me revela o mundo visitado.
Desce a noite do céu, ergue-se a madrugada,
E a luz do sol aceso ou apagado
É nos seus olhos que se vê pousada.

Esse poeta és tu, mestre da inquietação
Serena!
Tu, imortal avena
Que harmonizas o vento e adormeces o imenso
Redil de estrelas ao luar maninho,
Tu, gigante a sonhar, bosque suspenso
Onde os pássaros e o tempo fazem ninho!

Miguel Torga



  tenda 

Imagem Catedral da Imaculada Conceição, Moscovo, Rússia | koromelena/Bigstock.com

  barro 

De vida aventurosa e destino doloroso, sensibilidade convulsa e espírito inquieto, sentimento religioso (permanente muito além da fase de fundação dos jornais prosélitos "O Cristianismo", 1852, e "A Cruz", 1853) e alma atormentada em intercadentes crises de fé, projetando o quixotismo romanesco sobre a existência pessoal e comunicando a obra como história vivida, Camilo Castelo Branco (16.3.1825 – 1.6.1890) há de sobrepor às infelicidades que objetivamente sobre ele se abateram (hereditariedade mórbida, ilegitimidade do nascimento, orfandade precoce, dificuldades económicas, doença sua e dos seus, mortes de familiares e amigos) os desvarios próprios (libertinagem amorosa, vício do jogo, vezo da agressividade polémica, psicose de perseguido pelo destino e pelos homens... e de abandonado pela Providência). A sua obra imensa de jornalismo (crónica, crítica, etc.), tradução, edição anotada, biografia, historiografia, polémica, memorialismo, epistolografia, dramaturgia, culmina na obra de ficção narrativa, com várias vertentes de novela, conto e romance. O seu substrato cristão (agostiniano na dialética espiritual da confissão e no pendor para "fides quaerens intellectum"), está patente na mundividência dualista, na problemática ético metafísica do fatalismo e do livre arbítrio, do Mal e da Justificação, na antropologia agónica e dolorista, subjacente ao retrato dilacerado das personagens e ao esquema diegético dominante: crime ou pecado — culpa e remorso — castigo e expiação — reparação ou redenção pelo sofrimento.

José Carlos Seabra Pereira



  sentidos 

Imagem "Elias dá vida ao filho da mulher de Sarepta" | Benjamin West | 1765

  ponte 

A Quaresma é para nos fazer inteiros outra vez, para ultrapassar o coração dividido. Rasgai o coração, não as vestes. A Quaresma é tempo de pôr a casa em ordem, de cumprir melhor os nossos compromissos regulares, tempo de crescer na nossa capacidade para amar, servir – especialmente os pobres e os doentes, para perdoar e para partilhar a nossa fé: afinal é essa a nossa missão.

Card. Seán O’Malley



 

Edição: Rui Jorge Martins
Imagem de topo: Kazimierz Głaz | Center for Contemporary Art, Toronto, Canadá | D.R.
Publicado em 15.03.2020

 

 
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