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Vaticano apresentou primeira associação desportiva amadora e acordo com Federação Paralímpica

Guardas suíços. Padres e monsenhores. Trabalhadores dos Museus do Vaticano, do “L’Osservatore Romano” e das explorações agrícolas pontifícias de Castel Gandolfo, território da Santa Sé próximo de Roma. Artesãos, bombeiros, uma farmacêutica e ainda uma religiosa. São cerca de seis dezenas e têm entre 20 e 60 anos. Todos diferentes mas com uma característica comum: a paixão por correr.

Falamos dos rostos da Athletica Vaticana, comunidade dos “maratonistas do papa” nascida espontaneamente há mais de um ano do desejo de partilhar o gosto pela corrida, e desde o dia 1 de janeiro constituída associação desportiva amadora, facto inédito dentro do território da Cidade-Estado do Vaticano.

Desde a sua fundação, a equipa de atletismo da Santa Sé participou em várias manifestações desportivas, compôs a “Oração do maratonista”, traduzida em 37 línguas – incluindo árabe, mandarim, etíope e suaíli – e na véspera das maratonas de Roma e Florença promoveu a celebração da missa do maratonista.

Esta manhã foi apresentada na sala de imprensa da Santa Sé a associação e o acordo bilateral com o Comité Olímpico Nacional Italiano, sessão que contou com a intervenção do presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, entre outros responsáveis, bem como a capitã da equipa, Michela Ciprietti.



«Como em todos os outros ambientes, pode e deve-se evangelizar levando ao interior do mundo do desporto o anúncio de Cristo através do testemunho com gestos simples e concretos. Não se trata de fazer proselitismo, como adverte Francisco, ou propaganda ideológica, mas de transmitir a luz e a vida do Evangelho através do contacto pessoa a pessoa»



Trata-se de «conectar à palavra desporto as de religião, cultura e ética», explicou o cardeal Ravasi, sublinhando que «o jogo faz-se por gratuidade (...). A história da cultura teve sempre uma ligação com o desporto. A religião tem na base o gratuito, portanto é fácil a ligação ao desporto».

«Colocada inicialmente pela Secretaria de Estado sob a égide do Conselho Pontifício da Cultura, aquela pediu para que se iniciasse um processo com vista a dar uma forma jurídica mais idónea a este grupo de corredores amadores», explicou Mons. Melchor Alameda, maratonista e presidente da Athletica Vaticana.

O processo decorreu em várias etapas: «A 6 de setembro a Athletica Vaticana foi constituída como associação de fiéis; a seguir tece o reconhecimento da parte da Secretaria de Estado e foi inscrita no registo das personalidades jurídicas canónicas do Estado da Cidade do Vaticano. Por fim, a afiliação na Federação Italiana de Atletismo, no seguimento da qual desde 1 de janeiro de 2019 somos uma realidade desportiva para todos os efeitos, no Vaticano e em Itália», acrescentou o também sub-secretário do Conselho Pontifício da Cultura.

A missão da equipa «consiste em praticar e difundir a prática desportiva, em particular o atletismo, levando também um particular testemunho de vida cristã e a mensagem do papa ao interior do mundo do desporto. Tem fins não apenas desportivos, recreativos ou espirituais, mas também solidários e culturais».

O sacerdote está convicto de que «como em todos os outros ambientes, pode e deve-se evangelizar levando ao interior do mundo do desporto o anúncio de Cristo através do testemunho com gestos simples e concretos. Não se trata de fazer proselitismo, como adverte Francisco, ou propaganda ideológica, mas de transmitir a luz e a vida do Evangelho através do contacto pessoa a pessoa».



Em março, a equipa “adotou” o gambiano Jallow Buba, de 20 anos, e o senegalês Anszou Cissè, de 19 anos, pessoas com deficiência e requerentes de asilo que foram acolhidos numa instituição



A nova forma jurídica marca «a passagem de um grupo de amigos que correm por conta própria e se divertem para uma verdadeira sociedade com todas as obrigações, mas também os benefícios que isso comporta. Significa igualmente assumir a responsabilidade, e considero muito interessante o facto de que tenha nascido como uma associação de fiéis».

Mons. Melchor recordou que a primeira representação pública, ainda como «grupo informal de amigos», ocorreu na meia-maratona Via Pacis, em Roma, em 2017. «Agora, enquanto associação desportiva, o primeiro encontro será na Sicília com um dos nossos sócios honorários: um sacerdote siciliano amante da corrida que também tem boas probabilidade de subir ao pódio. Mas como grupo, a primeira competição oficial será a Corrida de Miguel, [em Roma] de 20 de janeiro».

Em março, a equipa “adotou” o gambiano Jallow Buba, de 20 anos, e o senegalês Anszou Cissè, de 19 anos, pessoas com deficiência e requerentes de asilo que foram acolhidos numa instituição.

«A Athletica Vaticana fez da mensagem da inclusão uma bandeira sua. Por isso acolhemos, sempre como sócios honorários, os dois jovens hospedados pelo centro de acolhimento de refugiados, e agora subscrevemos um memorando de entendimento com a Federação Italiana do Desporto Paralímpico e Experimental para favorecer a inclusão de atletas com deficiência e promover também dentro do Vaticano e no mundo católico uma maior atenção aos portadores de deficiência», observou o responsável.


Imagem Presidente do Comité Paralímpico Italiano, Luca Pancalli, cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Comité Olímpico Italiano, Giovanni Malago, e Mons. Melchor Jose Sánchez de Toca y Alameda | © Andrew Medichini/AP

 

Fontes: SIR, In Terris
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 10.01.2019

 

 

 
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