

Todos venceram a “Via pacis”, meia maratona inter-religiosa que no domingo decorreu em várias ruas de Roma, com partida e chegada próximo da Praça de S. Pedro. E passagens simbólicas à frente da sinagoga, mesquita, igrejas ortodoxas e valdenses, além de lugares de culto budista e hinduísta. A iniciativa realizou-se pelo segundo ano consecutivo, com organização do Conselho Pontifício da Cultura, município romano e Federação Italiana de Atletismo.
Venceram os oito mil corredores de 42 nações de múltiplas religiões e culturas, que quiseram testemunhar, com a linguagem simples e universal do desporto, que solidariedade, paz e integração são possíveis.
Venceu sobretudo a Athletica Vaticana, equipa de atletismo formada por trabalhadores da Santa Sé, nascida expressamente para relançar o testemunho cristão e o ensinamento do papa Francisco, a par de tantas e tantas pessoas que fazem desporto através de iniciativas concretas de ordem espiritual e solidária.
E venceu porque correu juntamente com 100 migrantes, hóspedes da cooperativa Auxilium, no centro de Castelnuovo di Porto, visitada pelo papa na Qquinta-feira Santa de 2016.
Mas a Athletica Vaticana venceu também porque dois atletas – Marco Minei, guarda dos museus, e o guarda suíço Thierry Roch – acompanham durante os 21 quilómetros do percurso uma menina de nove anos remetida a uma cadeira de rodas devido a uma doença grave. À pequena a equipa do Vaticano entregou simbolicamente uma t-shirt no termo da missa da meia-maratona celebrada no mês de abril, em Roma.
Na realidade, a Athletica Vaticana venceu não apenas numa virtual classificação da solidariedade, com a sua atenção às pessoas com deficiência e migrantes. Ao pódio absoluto da corrida subiram duas mulheres: Sara Carnicelli, filha de um trabalhador do governatorato, e Michela Ciprietti, da farmácia do Vaticano, respetivamente segunda e terceira, atrás da fortíssima ucraniana Sofiya Yaremchuk.
«O nosso tempo precisa cada vez mais de pontes, e não de muros, e o desporto é uma linguagem universal que une todos e possui também raízes profundamente religiosas», declarou o presidente do Conselho Ponrtifício da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi. E o sub-secretário do dicastério, Mons. Melchor Sánchez de Toca, explicou que «a “Via pacis” foi preparada juntamente com irmãos de outras comunidades com a vontade de construir juntas algo de positivo».
A apoiar a meia maratona estiveram a neta de Nelson Mandela, um dos bispos auxiliares de Roma, o rabino chefe de capital italiana e a presidente da comunidade judaica romana, o imã da mesquita da cidade, um pastor metodista, um padre da Igreja greco-ortodoxa, o presidente da União Budista Italiana e a presidente do município.
A próxima iniciativa para a Athletica Vaticana está marcada para 1 de novembro, com a Corrida dos Santos, 10 quilómetros nas ruas do centro da cidade, com finalidade benemérita ligada à Fundação Don Bosco no Mundo.