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Videira: Em memória de José Augusto Mourão

Meditação em torno aos Evangelhos do quinto e sexto domingos da Páscoa (João 15,1-8.9-17, proclamados a 2 e 9 de maio) redigida pelo frade dominicano José Augusto Mourão, evocado nos dez anos da morte (14.6.1957-5.5.2011).

1. A suspeita que o outro sempre traz. Como acreditar que um perseguidor se torne discípulo? Como pode um fanático (fariseu) ser reconhecido como discípulo? Como reconhecer que alguém se converteu? Haverá critérios? Sim, o testemunho aberto, o debate, o conflito (Damasco). A vida transforma-se ao sol de Deus.

2. A Igreja é um corpo a caminho, uma construção. Como um organismo vivo. Como palavra, que é um vivo. A palavra não é informação, mas transformação. Na floresta da linguagem, quando o vento da fala deixa de agitar a folhagem das palavras, abafamo-lo. A palavra deve formar comunidade. O garante desse crescimento é o Espírito que não é o gestor das obras, mas a Vida que move o mundo.

3. Donde vem a certeza que Deus está connosco? Antes de mais da guarda dos mandamentos, que se resumem nisto: amar: do Espírito que Ele nos deu. A palavra pura é um princípio de animação, de sopro de vida.

4. A parábola da videira e dos sarmentos aponta para a ideia do fluxo, da seiva, do contínuo, dos ligamentos. Fazem parte da vida da videira os ramos secos, a esterilidade e a abundância. Que pede Cristo? Que permaneçamos no amor. Que mantém unido um casal? O amor em obras. Não há amor imóvel. Os divórcios nascem da esterilidade da relação que começa quando a palavra se tornou estéril.

5. A Igreja vive em crise, as paróquias esvaziam-se. O imobilismo mata. O medo mata. A questão é permanecer, como a tentação é julgar, queimar. A esterilidade é um vírus que está em nós. A tentação da destruição é outro.

6. Neste mundo não há apenas crentes nem católicos. Num mundo sem Deus, como é que Cristo pode tornar-se também o Senhor dos não-religiosos? A missão dos enviados da Igreja não se limita à liturgia, nem exclusivamente à difusão da Boa-Nova.

7. O cristianismo no seu estado originário é constituído por um acontecimento nunca visto, nem por judeu, nem grego, nem por homem nem mulher, nem pelo mundo dos homens livres ou escravos. O cristianismo é um real que não pertence a nenhuma cultura identificada e na qual todos se podem identificar, permanecendo cada um nas suas particularidades (judeu, grego, homem, mulher, escravo ou livre): todos são filhos deste acontecimento: a ressurreição.

8. A paz, a conversão – é isso que nos falta. A conversão à paz deve provir do mandamento: «não matarás», «não roubarás». Os pecadores não são os outros. Os países a converter já não são apenas os que foram ou ainda são comunistas. A conversão deve acompanhar tudo o que o humano transporta na sua caminhada para Deus. Que Maria nos dê a mão nesta caminhada.


 

José Augusto Mourão
In Quem vigia o vento não semeia, ed. Pedra Angular
Imagem: Subbotina Anna/Bigstock.com
Publicado em 04.05.2021 | Atualizado em 05.05.2021

 

 
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