Diálogo
Igreja, teologia e cultura: elogio dos crentes e não crentes
Uma religiosa irascível atraída pelo enigma do humano pressentido em Fernando Pessoa lembra ao padre José Tolentino Mendonça que o discurso religioso «não é apenas para os crentes»; ele constitui também «um património plausível de procura, abertura, tentativa de perceção de um sentido e de desconstrução do silêncio».
«Dos não crentes recebemos o recentramento do debate», sublinha o diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. Por isso «o discurso teológico tem de ser poroso» e acolher poetas e criadores, e também a dissensão, a heterodoxia e a «pergunta mais radical».
O crente, por seu lado, «é uma pergunta», «um património de inquietação» que «habita o desconforto» e «calça as sandálias de peregrino, mesmo quando é velho». Por isso, acrescenta o poeta e biblista, eles deixam uma «herança ao mundo e à cultura».
«Penso que o cristianismo, a partir do que viveu, experimentou, sentiu e do que é na sua essência, pode ser um contributo importante para o homem se rever e reencontrar de uma maneira mais libertadora, profética e que possa entusiasmar a humanidade», afirmou o responsável, que gostaria de ver a teologia adquirir relevância no debate cultural.
Excertos da intervenção do padre Tolentino Mendonça durante o lançamento do seu último livro, “Pai-nosso que estais na terra”, que foi apresentado pelo escritor Pedro Mexia.
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21.12.11

Howard Kingsnorth/cultura/Corbis






