Conselho Pontifício da Cultura
Igreja Católica quer fazer-se entender
O Conselho Pontifício para a Cultura realiza entre 10 e 13 de novembro uma assembleia plenária dedicada ao tema “Cultura da comunicação e novas linguagens”.
«É antes de tudo o tema preliminar a cada encontro com o mundo da cultura», afirmou o presidente daquele organismo da Santa Sé, o arcebispo e futuro cardeal D. Gianfranco Ravasi, a propósito do assunto escolhido para o debate.
«Se não se encontra o tecido comum, isto é, o léxico, a gramática, até mesmo a estilística para nos relacionarmos com o outro, encontrar o outro, é impossível passar aos conteúdos», sublinhou o prelado, acrescentando que é preciso encontrar «a sintonia na linguagem» antes de passar ao diálogo.
A dificuldade de o mundo eclesial adotar um código comunicativo compreensível, seja no interior seja na comunicação com o mundo exterior, «é, talvez, o problema central» da Igreja, disse o arcebispo italiano em declarações à Rádio Vaticano.
«Temos uma linguagem que muitas vezes é – como se costuma dizer – autoreferencial. É uma linguagem que é um pouco fechada em si mesmo, e mesmo as palavras eclesiais não têm nenhuma referência imediata no exterior, mas só no interior», assinalou D. Gianfranco Ravasi, que enunciou duas linhas orientadoras da ação da Igreja.
«O movimento, antes de tudo, é centrípeto: caminhar para o interior, para nós mesmos, porque muitas vezes – também para nós – a linguagem interna na comunidade eclesial é praticamente afónica. Pensamos – não só – na linguagem teológica tão sofisticada, que não encontra mais referências numa população católica, crente, praticante, que ao domingo escuta uma homilia, mas tem dentro de si – como linguagem – a linguagem televisiva, a linguagem da internet, a linguagem do dia-a-dia», explicou.
«É também necessário um movimento centrífugo, isto é, dirigido ao exterior, dirigido à periferia, porque a nossa comunicação deve ter, certamente, uma lógica, uma coerência, um vocabulário próprio, mas ao mesmo tempo deve procurar lançar a sua linguagem para um horizonte novo», acrescentou.
«Nunca esquecemos a obra que, por exemplo, S. Paulo realizou, quando passou de uma cultura profundamente semítica para uma cultura ligada ao mundo mediterrâneo de então, marcada pelo helenismo e pela cultura romana», salientou D. Gianfranco Ravasi.
A inauguração do encontro no Capitólio, sede do município de Roma, pretende simbolizar a vontade de a Igreja dialogar com o mundo.
O cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policapo, é um dos participantes na assembleia, refere a Agência Ecclesia.
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10.11.10

Praça do Capitólio, Roma

D. Gianfranco Ravasi

Praça do Capitólio, Roma






