
Buxtehude interpretado por Rui Paiva no órgão da Sé de Faro
Como oportunamente anunciámos, Rui Paiva lançou em Novembro de 2007 o CD "Dieterich Buxtehude (1637-1707): Órgão da Sé Catedral de Faro".
As opções do projecto
Este projecto foi acarinhado desde o primeiro momento pelo Ministério da Cultura (Direcção Regional do Algarve) que, com o apoio do Crédito Agrícola - Caixa do Algarve o tornou viável.
Para o Ministério da Cultura esta foi uma oportunidade para dar relevo ao importante órgão da Sé de Faro recentemente revisto tecnicamente sob a sua tutela. O livro que acompanha o CD contém textos actualizados acerca da história e características do órgão, bem como um grande número de fotos a cores, que o tornam no mais recente e um dos mais importantes documentos acerca deste instrumento.
A música gravada
A música de órgão de Dieterich Buxtehude é das mais gravadas e mais tocadas em concertos. Isto deve-se ao facto de se tratar de uma música destinada, na sua maioria, a fazer brilhar o instrumento e o intérprete, pela sua riqueza estrutural, pelo seu brilho tímbrico e pela sua virtuosidade.
O carácter dominante da obra de Buxtehude, que alguns contemporâneos seus designaram por «stylus phantasticus», é explicado do texto que acompanha o CD, da autoria do Doutor João Pedro d'Alvarenga:
“Particularmente revelador para a interpretação das secções livres é a descrição do potencial retórico deste estilo, fornecida por Johann Mattheson no Vollkommene Capellmeister (Hamburgo, 1739): ‘[…] ora movendo-se rapidamente, ora hesitando, ora a uma voz, ora a várias, ora por um lapso a contratempo […] mas não sem a intenção de agradar, de surpreender e de espantar.’”

É de importância relevante o facto de J. S. Bach se ter deslocado a pé cerca de 300 Km com o objectivo de ouvir o grande Dieterich Buxtehude a tocar órgão.
Apesar da sua música para órgão se contar entre a mais gravada, a maior parte das edições discográficas contemplam as obras de grandes dimensões, para instrumentos com vários teclados e pedaleira. No entanto, entre o seu repertório encontram-se obras que podem ser interpretadas sem pedaleira, com dois teclados apenas e algumas até com um só teclado. Quando estas são gravadas, ocupam geralmente nas edições um plano secundário. Neste CD, em virtude do instrumento escolhido, são estas últimas as obras gravadas, que tomam deste modo um lugar de destaque, conferindo originalidade a esta gravação.
O intérprete
Nascido em 1961, Rui Paiva é licenciado em Engenharia Electrotécnica pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa e concluiu o Curso de Órgão do Conservatório Nacional de Lisboa sob a orientação do Prof. Joaquim Simões da Hora. Estudou também Baixo Contínuo com a Prof.ª Cremilde Rosado Fernandes.

Como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian (1987/89), continuou os estudos de Órgão com a Prof.ª Montserrat Torrent no Conservatório Superior de Barcelona, e depois, sob a orientação do Prof. José Luis González Uriol, concluiu os Cursos Superiores de Cravo e de Órgão no Conservatório Superior de Zaragoza, com a máxima classificação e Prémio Extraordinário de Fim de Curso em Órgão.
O seu interesse pela música dos séculos XVI, XVII e XVIII levou-o a participar em várias edições da "Semana de Música Antiga Ibérica" (onde teve a oportunidade de contactar com músicos como Ton Koopman, Jordi Savall e Macário Santiago Kastner) e dos "Cursos Internacionais de Música Antiga de Daroca" (Espanha).
Tem colaborado como organista e cravista com diversos conjuntos instrumentais e vocais, entre os quais os Segréis de Lisboa, o Coro e Orquestra Gulbenkian, a orquestra barroca Capela Real e o grupo de música barroca La Caccia, de que é membro fundador.

Como solista ou em grupo, Rui Paiva tem-se apresentado em concertos no nosso país, bem como em Espanha, França, Bélgica, Itália, Holanda, Inglaterra, Croácia, Eslovénia, Polónia, E.U.A. e Brasil.
Realizou gravações de recitais para a Radiodifusão Portuguesa, Rádio Nacional de Espanha e RTV Slovenia, e diversas gravações discográficas de música portuguesa.
Rui Paiva é ainda professor de Órgão no Conservatório Nacional de Lisboa e director da Academia de Música de Santa Cecília de Lisboa.
Conteúdo do CD
O CD é acompanhado de um pequeno livro de 56 páginas com textos acerca do compositor, da música, do órgão e da sua revisão técnica e ainda do edifício da Sé de Faro. O livro inclui ainda um grande número de fotografias a cores que dão uma ideia global da importância do instrumento.
Os textos são da autoria do Doutor João Pedro d’Alvarenga (musicólogo reconhecido, com várias obras editadas e Professor da Universidade de Évora) e da Dr.ª Natércia Magalhães, relativos à Catedral. As fotos são da autoria de Telma Veríssimo.

Nas palavras da crítica Cristina Fernandes, no «Público» de 18.01.2008, "a criteriosa e apelativa selecção de obras interpretada por Rui Paiva inclui a maior parte dos géneros musicais cultivados por Buxtehude, bem representativos de duas grandes tendências: o contraponto estrito e a liberdade improvisatória. Prelúdios, tocatas, fugas, 'canzone', prelúdios e fantasias de coral, suites e variações numa interpretação que se destaca pela nitidez da 'toucher', pela solidez técnica, pela clareza de fraseados e da polifonia e pela pertinente escolha de registos. A edição (...) destaca-se também pelo seu valor artístico como objecto. Conta com belas fotos do instrumento (...) e fornece importante informação nas excelentes notas museológicas e no texto sobre a Sé de Faro."
A Editora
A Academia de Música de Santa Cecília é uma escola de ensino integrado da música, de utilidade pública e sem fins lucrativos, com alunos dos 3 anos de idade até ao 12.º ano de escolaridade, que editou já vários CD’s.
Contactos: correio electrónico: secretaria@amsc.com.pt. Correio postal: Largo do Ministro n.º 9 - 1750-200 LISBOA;
Propomos seguidamente dois excertos do CD, respeitantes à faixa 4 (Toccata in G, BuxWV 165) e ao verso 2 da faixa 5 (Coral "Vater unser in Himmelreich" (1, 2, 4), BuxWV 207).
Rui Paiva | Cristina Fernandes (Público)
06.05.2008
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