Arte
O Pintassilgo do Menino Jesus
Ao longo dos séculos a tradição cristã tem associado vários animais a Jesus. Desde o clássico cordeiro ao jumento, que para além de ter aquecido o menino na Manjedoura, transportou a sua mãe para Belém e foi usado para a entrada triunfal em Jerusalém.
Um dos símbolos menos conhecidos é o Pintassilgo. Sem qualquer referência bíblica que o sustente, a pequena ave viu-se ligada a Cristo por causa da sua plumagem.
Reza a lenda que enquanto Jesus sofria na cruz, um pintassilgo pousou na sua cabeça e tentou, com o bico, retirar os espinhos que se encontravam cravados. No processo ficou manchada do sangue divino do salvador, e consequentemente os seus descendentes carregam essa marca, uma pequena mancha de plumagem encarnada na cabeça, até aos nossos dias.
O pintassilgo tornou-se, por essa razão, um elemento frequente na iconografia cristã. Podemos vê-lo em várias representações do menino Jesus ao colo da sua mãe, segurando num pequeno pássaro que prefigura a sua paixão e morte na cruz.
Aqui ficam alguns exemplos:

Virgem com Pintassilgo – Rafael 1505/1506
Uma das mais importantes obras do artista Rafael, aqui vemos Nossa Senhora, identificada como “Sede da Sabedoria”, acompanhada de São João Batista e do Menino Jesus, ambos bebés. João Batista oferece a Jesus um pintassilgo.
O quadro foi gravemente danificado ao longo dos séculos e sofreu um restauro que durou cerca de 10 anos, tendo sido concluído em 2008. O original encontra-se agora em Florença, na Galeria Ufizzi.

Virgem e Filho – Carlo Crivelli 1480
Nesta pintura de Crivelli o menino Jesus segura com cuidado um pintassilgo junto do seu peito, da mesma forma que Nossa Senhora o segura a Ele. Tanto Jesus como Maria olham desconfiados para uma mosca, símbolo de doença e de pecado.
O original encontra-se no Metropolitan Museum of Art, em Nova Íorque.

A Virgem do Gato – Barocci, 1575
Nossa Senhora dá de mamar ao menino Jesus enquanto João Batista mantém um pintassilgo afastado de um gato curioso.
Original no London National Gallery.
Filipe d'Avillez
© SNPC |
28.12.10







