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Os Dias de Portugal: Discursos de João Bénard da Costa

Esta edição, publicada pela Presidência da República, reúne os discursos proferidos por João Bénard da Costa (1935-2009) nas comemorações oficiais do Dia de Portugal entre 1998 e 2008.

“Sem dúvida temos que nos preparar para um futuro que implica novos conhecimentos e valorização de componentes científicas e técnicas. Mas, se a essa aprendizagem corresponder o esquecimento da nossa História – História Universal e História de Portugal – da nossa memória e da nossa língua, língua a que Heidegger chamou Casa do Ser, de pouco nos aproveitarão novos rumos. Sem memória, o mais inteligente dos homens nada é porque com nada se identifica. O que é válido para a história pessoal de cada indivíduo é válido para a História dos povos e para o tempo histórico desses povos”, afirmou João Bénard da Costa no seu último pronunciamento alusivo ao 10 de junho, em Viana do Castelo.

“Este livro guardo-o no santo dos santos da minha biblioteca, e conto regressar a ele, para me deleitar com a escrita, as ideias, a sabedoria”, escreveu o presidente do Centro Nacional de Cultura, Guilherme d’Oliveira Martins.

“O cicerone de almas” é o título do prefácio da obra, assinado pelo presidente da Comissão Organizadora do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas de 2010, António Barreto:

“Fez-nos regularmente companhia durante décadas. Nos jornais, na televisão, no cinema... No espaço público. Aparecia sempre que se previa, mas surgia onde não era esperado. Levou muita gente pela mão. Na religião ou na política. Na pintura e no cinema. Nos livros e na música. Finalmente, nas cidades portuguesas. Mostrou-nos a sua vida, os filmes, os livros, os quadros e as cantatas da sua vida. Da sua e de outras vidas.

Uma expressão que ele utilizou uma vez, num seu texto, resume bem um programa. o seu, e uma vida, a sua: “Dar a ver...”. Parece que não fez outra coisa. Deu a ver ideias e formas, coisas e almas. Mas também caminhos, ora sensatos, ora irreverentes e inconformistas. Foi o que ele fez na política e no pensamento, nas artes e nas letras, no cinema e na música, entre amigos ou com os seus leitores.

Nos cineclubes, com jovens estudantes, a quem mostrava que viria a ser uma das suas grandes artes. Na JUC (Juventude Universitária Católica) e no Encontro, onde procurou Deus e os homens e onde também teve desencontros. No Tempo e o Modo, no Independente e no Público, além de outros jornais, manteve colunas que rapidamente criavam fiéis encantados com a sua versatilidade, a sua cultura e a maneira como levaava os seus leitores, quase de braço dado, a visitar Itália, a ouvir Bach ou a rever John Ford.

Durante anos, primeiro na Gulbenkian, depois na Cinemateca, deu a ver milhares de filmes e centenas de cineastas, oferecia aos cinéfilos umas “folhas de sala” inesquecíveis, onde, além da ficha técnica, deambulava pela arte e ela ficção, divagava sobre o belo ou o cruel, sobre as mulheres ou a aventura.

Trazia consigo a Itália toda, da mitologia ao Renascimento, da ópera ao cinema, para que sempre soube chamar os interessados. Conheço pessoas que visitaram igrejas, viram quadros e filmes, passearam por praças e ouviram música por causa do João, depois de terem lido mais uma crónica sua.

Dedicou-se à política, sobretudo antes do 25 de abril, pela liberdade. Talvez isso explique a previsão que alguém fez um dia: quando vivermos em democracia, o João Bénard deixará de se ocupar de política. Antes disso, lutou pela democracia, contra a guerra, por uma Igreja diferente e pela cultura.

Com a sua geração de estudantes e católicos, percorreu o caminho que levou tantos à democracia e à irreverência. Ficou-lhe desse tempo um especial jeito para combinar o moderno com o clássico, o razoável com a rebeldia.

Na política, andou com muitos, com todos os que queriam a democracia, mas talvez tenha sido mais socialista do que outra coisa. Sobra dos seus episódios políticos a percepção clara de um homem independente.

Este volume inclui os discursos de João Bénard da Costa, Presidente da Comissão das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Ele exerceu esse cargo durante onze anos. Morreu o ano passado e ainda hoje nos faz falta.

Nestas suas funções, celebrou Lisboa, Porto, Beja, Setúbal, Aveiro, Viseu, Angra do Heroísmo, Bragança, Guimarães e Viana do Castelo... Em cada cidade encontrou a palavra justa, a evocação histórica, a história local e a personalidade ou a personagem adequada a recordar. Fê-lo sempre com excecional graça e com a muita cultura que tinha, sem nunca recorrer ao lugar comum, um dos seus mais odiados inimigos e um dos piores hábitos das cerimónias oficiais. E ainda encontrou tempo e oportunidade para prestar homenagem a amigos seus. Festejou Sophia e Eugénio de Andrade, Jorge de Sena e Agustina, Júlio Dinis e Camilo, sem esquecer Bocage, Camões e Pessoa. E não lhe foi necessário um grande esforço para, nesta volta às capitais de distrito, referir Bunuel e El Greco...

Foto

Nos seus discursos, agora reunidos, cantou a divisão e a unidade. Qualificando-as. A divisão de opiniões ("Divididos - bendito seja Deus! - por diversas opções religiosas, ideológicas e políticas") e a unidade de cidadãos ("...é bom que haja adversários. Mas não há inimigos".).

Criou uma fórmula feliz com que terminava os seus discursos: "Senhor Presidente da República: muito obrigado por me ter dado a palavra. Minhas Senhoras e Meus Senhores: muito obrigado por me terem escutado". Tenho saudades de o ouvir dizer isto mesmo.”

 

© SNPC | 05.10.10

Capa

Os Dias de Portugal: Discursos de João
Bénard da Costa

Autor
João Bénard da Costa

Editora
Presidência da República

Ano
2010

Páginas
96

ISBN
978-989-95906-2-5













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