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Música

Pero de Gamboa e Lourenço Ribeiro pelo Coro Gulbenkian

Sob o exemplo e o impulso dos grandes prelados da família real e das casas a ela ligadas, as sés portuguesas principiaram nas primeiras décadas do século XVI a acolher regularmente no culto a prática da polifonia vocal.

Em 1505, quando D. Diogo de Sousa, na sucessão do Cardeal de Alpedrinha, tomou posse do arcebispado primaz de Braga, já a Catedral tinha uma capela de cantores, que aquele prelado tratou de acrescentar, mandando criar e ensinar uns e procurar outros no país e fora.

Embora ofuscada na moderna historiografia pela fortuna da chamada "Escola de Évora", Braga cultivou uma rica tradição de repertório polifónico sacro, única no caso dos ciclos do Próprio da Missa, que em grande parte se conservam, compostos a maioria por Miguel da Fonseca, mestre de capela da Sé em meados da década de 1540.

Pero de Gamboa serviu a Catedral de Braga entre 1585 e, muito possivelmente, 1594. No registo da ordem do diaconato, que tomou em 6 de Abril de 1585 das mãos do Arcebispo D. João Afonso de Meneses, de cuja casa era criado, aparece já referido como "mestre da capella". Era também titular do benefício de S. Paio de Arcos, que permutou posteriormente, porque em 1587 aparece na qualidade de abade pensionário da freguesia de S. Salvador de Bente e da então anexa S. Miguel de Seide a requerer que fosse tombada e demarcada a sua igreja. Continuava, porém, a residir em Braga, desempenhando as funções de mestre de capela da Sé.

Quando, verosimilmente em 1594, Pero de Gamboa se retirou para a sua freguesia, sucedeu-lhe à frente da capela da Catedral bracarense o Padre Lourenço Ribeiro, capelão do Arcebispo D. Fr. Agostinho de Jesus. Lourenço Ribeiro foi no ano seguinte provido no cargo de mestre de canto de órgão e contraponto dos colegiais do seminário de S. Pedro de Braga, sendo já mestre de capela da Sé. Deve ter desempenhado estas funções até pouco antes de 1606.

Pero de Gamboa faleceu na sua casa de Bente em 17 de Março de 1638. A data da ordenação sacerdotal, 20 de Abril de 1585, permite supor que tenha nascido em 1563, ou pouco antes. Da biografia de Lourenço Ribeiro nada mais se sabe.

A totalidade da obra conhecida de Gamboa que se lhe atribui - dezasseis peças apenas, das quais os onze motetos registados neste CD - subsiste em duas fontes de origem provadamente beneditina, hoje guardadas na Biblioteca Pública Municipal do Porto.

A Missa pro defunctis de Lourenço Ribeiro é a única obra que se lhe conhece atribuída. Marcada pelo ambiente austero, que lhe advém da omnipresença do cantus firmus litúrgico, e pelas combinações de vozes iguais agudas, esta obra pertence à linhagem das missas pro defunctis do maneirismo musical português iniciada com a de Manuel Mendes.

CD

Aparentemente convencionais, os motetos de Pero de Gamboa revelam todos uma particular habilidade retórica, que confere expressividade não poucas vezes inflamada às texturas predominantemente imitativas, sempre transparentes e pormenorizadas mesmo quando a polifonia é escrita para um grupo de vozes iguais graves, médias ou agudas, e que os colocam entre as obras-primas absolutas do século XVI português.

Deste CD, interpretado pelo Coro Gulbenkian, com direcção de Jorge Matta, o site da Pastoral da Cultura propõe para audição Surrexit Dominus (Pero de Gamboa) e Sanctus (Lourenço Ribeiro).

 

Surrexit Dominus

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Sanctus

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João Pedro d'Alvarenga
Universidade de Évora
13.06.10

Capa

Pero de Gamboa - Motets
Lourenço RIbeiro - Missa
Pro Defunctis

Interpretação
Coro Gulbenkian
Jorge Matta (dir.)

Editora
Portugaler

Referência
Portugaler 1017-2















Foto
Jorge Matta

 

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