Terra Santa
Papa Francisco diz que está aberto a «situação nova» reconhecida por todos no exercício do ministério petrino
«Desejo renovar o desejo já expresso pelos meus predecessores de manter um diálogo com todos os irmãos em Cristo para encontrar uma forma de exercício de ministério próprio do bispo de Roma que, em conformidade com a sua missão, se abra a uma situação nova e possa ser, no contexto atual, um serviço de amor e comunhão reconhecido por todos», afirmou Francisco este domingo. As declarações do papa foram proferidas no Santo Sepulcro, em Jerusalém, aquando da celebração que contou com a participação do patriarca ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu.
O encontro entre ambos, evocando o abraço que Paulo VI e Atenágoras deram na mesma cidade a 5 de janeiro de 1964, há 50 anos, constituiu um dos objetivos da visita de Francisco à Terra Santa, que começou no sábado na Jordânia e termina na segunda-feira em Israel.
Francisco e Bartolomeu reuniram-se na Delegação Apostólica de Jerusalém, num encontro que contou com o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, e o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Kurt Koch.
Após a troca de presentes e o momento do encontro privado, o papa e o patriarca ecuménico assinaram uma declaração conjunta (cf. "Artigos relacionados"), dirigindo-se a seguir para o Santo Sepulcro, entrando por portas opostas e voltando a abraçar-se, desta vez diante da assembleia e dos jornalistas que aguardavam o início da celebração ecuménica.
REUTERS/Andrew Medichini/Pool
A seguir, veneraram a "Pedra da Unção", ajoelhando-se para a beijar, antes do início da celebração, em que foram executados cânticos das tradições católica e ortodoxa.
«Devemos crer que, como foi removida a pedra do sepulcro, assim poderão ser removidos todos os obstáculos que ainda impedem a plena comunhão entre nós. Será uma graça de ressurreição, que podemos já hoje saborear antecipadamente, acrescentou.
Ortodoxos e católicos já hoje estão unidos na provação: «Quando cristãos de diversas confissões se encontram a sofrer juntos, uns ao lado de outros, e prestar ajuda uns aos outros com caridade fraterna, realiza-se um ecumenismo do sofrimento, realiza-se o ecumenismo do sangue, que possui uma particular eficácia não só nos contextos onde ele ocorre, mas, em virtude da comunhão dos santos, também para toda a Igreja».
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De improviso, Francisco afirmou: «Aqueles que matam os cristãos por ódio à fé não se perguntam se se trata de católicos e ortodoxos. Matam e derramam sangue cristão».
Dirigindo-se ao patriarca Bartolomeu, o papa disse: «Santidade, amado irmão, caríssimos irmãos, coloquemos de parte as hesitações que herdámos do passado e abramos o nosso coração à ação do Espírito Santo, o Espírito do amor e da verdade, para caminhar juntos, enviados para o dia bendito da nossa plena comunhão reencontrada».
Ainda que subsistam «divisões», elas não podem «paralisar» o caminho para a «plenitude da comunhão que possa exprimir-se também na partilha da mesma mesa eucarística».
«De cada vez que pedimos perdão uns aos outros pelos pecados cometidos relativamente a outros cristãos, e de cada vez que temos a coragem de conceder e receber este perdão, fazemos a experiência da ressurreição. De cada vez que, superados antigos preconceitos, temos a coragem de promover novas relações fraternas, confessamos que Cristo ressuscitou verdadeiramente. De cada vez que pensamos o futuro da Igreja a partir da sua vocação à unidade, brilha a luz da manhã de Páscoa», assinalou Francisco.
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O papa terminou a intervenção com uma palavra fora do discurso: «Quando a desunião nos faz pessimistas, pouco corajosos, devemos recordar-nos que estamos todos sob o mando da Santa Mãe de Deus. Apenas sob o seu manto encontraremos a paz. Que ela nos ajude a prosseguir neste caminho».
Após os discursos de Bartolomeu e Francisco, ambos rezaram juntos, pela primeira vez em público, a oração do Pai-nosso. Este e outros momentos da celebração ecuménica fazem parte do vídeo apresentado no fim deste artigo.
Programa da visita do papa à Terra Santa (segunda-feira, 26 de maio)
8h15: Visita ao Grande Mufti de Jerusalém (edifício do Grande Conselho, Esplanada das Mesquitas); discurso de Francisco
9h10: Visita ao Muro de Jerusalém
9h45: Deposição de flores no Monte Herzi, Jerusalém
10h00: Visita ao memorial Yad Vashem, Jerusalém; discurso de Francisco
10h45: Visita de cortesia aos dois grandes rabinos de Israel (Centro Heichal Shlomo, próximo da Grande Sinagoga de Jerusalém); discurso de Francisco
11h45: Visita de cortesia ao presidente do Estado de Israel (Palácio Presidencial, Jerusalém); discurso de Francisco
13h00: Audiência privada ao primeiro-ministro de Israel (Notre Dame Jerusalem Center, Jerusalém)
13h30: Almoço com a comitiva papal (Notre Dame Jerusalem Center, Jerusalém)
15h30: Visita privada ao patriarca ecuménico de Constantinopla (edifício diante da igreja ortodoxa de Viri Galileai, Monte das Oliveiras)
16h00: Encontro com sacerdotes, religiosos e seminaristas (igreja do Getsemani, junto ao Horto das Oliveiras); discurso de Francisco
17h20: Missa (Sala do Cenáculo, Jerusalém); homilia de Francisco
19h30: Partida do heliporto de Monte Scopus (Jerusalém) para o aeroporto Ben Gurion /Telavive)
20h00: Despedida do Estado de Israel (aeroporto de Ben Gurion, Telavive)
20h15: Partida para Roma
23h00: Chegada ao aeroporto de Roma (Ciampino)
O horário corresponde ao fuso horário em cada país/território. Em relação a Lisboa: Itália + 1h00; Jordânia + 2h00; Belém + 2h00; Israel + 2h00
Giacomo Galeazza
In Vatican Insider
Trad./redação: SNPC/rjm
25.05.14
Papa Franciscoe patriarca ecuménico Bartolomeu
Santo Sepulcro, Jerusalém
25.5.2014
REUTERS/Andrew Medichini/Pool
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