Projecto cultural
Bento XVI

Diálogo entre Beleza, Razão e Bem

“Universalidade da beleza: estética e ética em confronto” foi o tema abordado a 25 de Novembro, em Roma, numa sessão pública das Academias Pontifícias, sob a condução do arcebispo D. Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura.

Numa declaração dirigida aos participantes, Bento XVI sublinhou que o debate cultural e artístico e a realidade do dia-a-dia chamam a nossa atenção para a “necessidade e urgência de um diálogo renovado entre estética e ética, entre beleza, verdade e bem.”

Assiste-se em diversos níveis ao emergir de uma cisão, e por vezes até de um contraste, entre duas dimensões: a da procura da beleza, redutoramente interpretada como aparência exterior que deve ser alcançada a todo o custo, e a da verdade e bondade das acções realizadas para alcançar um determinado objectivo.

“Um culto da beleza totalmente independente e estranho à procura da beleza e da bondade – referiu o Santo Padre na mensagem lida pelo Cardeal Tarcisio Bertone – resultará, como acontece frequentemente, num mero esteticismo e, especialmente para os jovens, num caminho que conduz às realidades efémeras, às aparências superficiais e banais, ou até mesmo a paraísos artificiais que disfarçam o vazio e a inconsistência da sua vida interior."

No seu texto, Bento XVI relembrou a necessidade de “alargar os horizontes da razão”: “Nesta perspectiva, devemos compreender a íntima relação entre a beleza e a procura da verdade e do bem.” Assim como a razão é diminuída se privada da beleza, também a beleza se degradará até chegar a uma máscara vazia e ilusória se for privada da razão.

Referindo-se ao discurso que dirigiu ao clero da diocese de Bressanone, em 6 de Agosto, o Papa escreveu que “devemos apontar para uma razão mais ampla, na qual coração e razão se unem e para onde a beleza e a verdade convergem. Se este compromisso é endereçado a todos, é sobretudo dirigido aos fiéis, aos discípulos de Cristo, chamados pelo Senhor a ‘testemunhar a verdade e a beleza da sua própria fé”.

Imagem
Capela Sistina, Vaticano
Miguel Ângelo (1475-1564)

“A nossa proclamação do Evangelho deve ser entendida na sua beleza e novidade. Por este motivo, a capacidade de comunicar através da linguagem e dos símbolos é fundamental. A nossa missão diária deve reflectir a beleza do amor de Deus para chegar aos nossos contemporâneos, que estão sempre à espera de uma beleza autêntica que não é nem superficial nem efémera, mas que são muitas vezes distraídos por um ambiente cultural que nem sempre se inclina a aceitar uma beleza em completa harmonia com a verdade e o bem.” Bento XVI citou o Evangelho segundo S. Mateus, apelando "a que brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu" (5,16).

A mensagem conclusiva do recente Sínodo dos Bispos, indicou o Papa, “relembra o bem e a eficácia da «Via Pulchritudinis», isto é, o caminho da beleza para compreender e chegar a Deus.” O mesmo documento também recorda a “Carta aos Artistas”, de João Paulo II, o que levou Bento XVI a convidar os fiéis a redescobrir esse texto, que pode desenvolver uma nova reflexão sobre a arte e sobre o difícil mas frutuoso diálogo que os artistas mantêm com a fé cristã.

Durante este encontro, o Cardeal Tarcisio Bertone entregou o prémio anual da Academia a Daniele Piccini (n. 1972), poeta e crítico literário italiano. O Papa referiu que esta distinção pretende encorajar investigadores, artistas e instituições jovens na sua dedicação à promoção do humanismo cristão.

 

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SIR, CNA, Rádio Vaticano

Trad.: rm

© SNPC | 26.11.2008

 

 

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