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Pontifício Conselho da Cultura

Riscos e oportunidades na relação da Igreja Católica com os jovens

As conclusões da assembleia plenária do Pontifício Conselho da Cultura, que refletiu em Roma sobre as "culturas juvenis emergentes", oferecem um retrato das principais características da juventude, tal como é vista aos olhos da Igreja Católica.

O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura apresenta hoje a segunda parte, oficiosa e não integral, do documento final do encontro, assinado pelo bispo português D. Carlos Azevedo, delegado do Pontifício Conselho da Cultura. O texto original, em italiano, foi publicado no site do dicastério do Vaticano.

 

Conversão

A diversidade de terrenos requer, por um lado, uma paciência amorosa e uma proximidade, e, por outro, uma intervenção imediata e clara.

A ação da Igreja relativamente ao jovens pode ser tentada a dar respostas fáceis às graves tensões vivenciadas. Só uma compreensão profunda da questão juvenil permitirá aos adultos assumir as próprias responsabilidades, em vez de agir à maneira dos jovens, com a adesão ao mito da eterna juventude como medida da pessoa humana.

A idade adulta caracteriza-se pela aceitação serena dos limites da condição humana, com a autonomia decisória e o acolhimento dos outros, com a responsabilidade e a maturidade evangélica, com uma crescente relação com Cristo até ao chegar à plenitude da humanidade segundo o humanismo cristão.

A sedução de fórmulas de espiritualidade oriental ou a oferta de uma autorrealização gnóstica manifestam a procura de uma linguagem simples e denunciam a ausência de oferta por parte da Igreja que correspondam às aspirações espirituais dos jovens.

Outra tentação seria a de propor falsas seguranças numa fuga do presente para o passado sob a forma de tradicionalismo ou integrismo.

Nenhum acontecimento assinala oficialmente a entrada do jovem na idade adulta. O jovem impõe a si próprio provas que por vezes redundam em comportamentos de risco (lançar-se em alta velocidade nas estradas, dependência, anular a própria identidade na vagabundagem, abusar do álcool e das drogas até à inconsciência). Estes comportamentos são gerados no sofrimento de não encontrar um significado para a vida. A família não transmite o alfabeto essencial dos afetos, da relação com os bens e com o próprio eu. Hoje a insegurança e instabilidade fazem crescer a complexidade do alfabeto emotivo, do profundo desejo de amor, de relação, de intimidade.

É necessário compreender a lógica seguida pelos jovens que de maneira radical querem escapar ao sofrimento e aceder à perceção de si próprios com meios paradoxais: tentativas de suicídio de procura do coma, como se a morte curasse as feridas, uma suspensão de si, um refúgio onde se reconstruir.

A comunidade cristã deve ajudar a reconhecer as perguntas fundamentais. A fé é um modo de gerir a complexidade e abre o sistema operativo interior à transcendência. Os ritualismos vazios e os compromissos sem audácia por parte da Igreja não ajudam a que se convirja para a questão fundamental do sentido da vida.

As novas tecnologias são um modo cada vez mais habitual para exprimir o desejo de uma espiritualidade capaz de conjugar sabedoria e fluxo da vida. A escuta espiritual deve acompanhar a vida, as formas de oração que extraiam a sua força da vida do dia a dia.

Às relações humanas fundadas unicamente sobre escolha dos amigos, a Igreja convida a descobrir a presença dos outros como irmãos e irmãs oferecidos.

É urgente dar voz aos jovens na Igreja e na sociedade, de fazê-los sair da marginalidade religiosa, política e social, oferecendo-lhes o confronto como passado e acompanhando-os na construção de um futuro novo, consciente da realidade e carregado de utopia, na economia e na política, e numa nova vida comunitária na Igreja.

O desemprego desmotiva o estudo, o medo do futuro multiplica a baixa natalidade. No entanto muitos jovens veem a qualidade de uma sociedade avaliada não sobre o Produto Interno Bruto mas sobre a cultura das relações humanas e dos valores éticos: bem comum e justiça. Sonham um mundo capaz de se unir em torno da paz e da justiça.

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 19.02.13

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