

O papa Francisco criticou hoje, no Vaticano, a tendência dos responsáveis religiosos do tempo de Jesus em acentuar a importância dos preceitos legais, reduzindo assim o espaço para que no coração das pessoas tivesse efeito a ação imprevisível de Deus.
«É precisamente a classe dirigente que fecha as portas ao modo pelo qual Deus quer salvar-nos. E assim se compreendem os diálogos fortes de Jesus com a classe dirigente do seu tempo: discutem, metem-no à prova, estendem-lhe armadilhas para ver se cai, porque há a resistência a serem salvos. Jesus diz-lhes: (...) “Que quereis?”; “queremos fazer a salvação à nossa maneira!”. É sempre este fechamento à maneira de Deus», apontou Francisco.
Na homilia da missa a que presidiu, baseada no Evangelho deste dia, o papa lembrou que para a «febre intelectual e teológica» dos chefes religiosos a salvação divina se reduzia, substancialmente, ao cumprimento dos 613 preceitos, refere a Rádio Vaticano.
«Eles não creem na misericórdia e no perdão: creem nos sacrifícios. “Quero misericórdia, não sacrifícios.” Creem em tudo sistematizado, bem sistematizado, tudo claro. Este é o drama da resistência à salvação. Também nós, cada um de nós, tem este drama dentro de si», afirmou.
O papa propôs, a seguir, uma interrogação: «Como quero ser salvo? À minha maneira? À maneira de uma espiritualidade que é boa, que me faz bem, mas que é fixa, tem tudo claro e não há risco? Ou à maneira divina, isto é, pelo caminho de Jesus, que sempre nos surpreende, que sempre nos abre as portas àquele mistério de omnipotência de Deus, que é a misericórdia e o perdão?».
«Acredito que Jesus é o mestre que nos ensina a salvação, ou ando por todo o lado a contratar gurus que me ensinam outra? Um caminho mais seguro ou refugio-me debaixo do teto das prescrições e dos muitos mandamentos feitos pelos homens? E assim sinto-me seguro e com esta – é um pouco duro dizer isto – segurança compro a minha salvação, que Jesus dá gratuitamente com a gratuidade de Deus?», perguntou Francisco.
A terminar, uma última interpelação: «Resisto à salvação de Jesus?».
Alessandro De Carolis / Rádio Vaticano