Diocese do Funchal
A Senhora do Monte no coração dos madeirenses
Celebrando embora a festa litúrgica da Assunção da Virgem Maria, o 15 de Agosto assume no Funchal a designação popular de Senhora do Monte, na mesma alvorada da colonização, depois da pequenina imagem ter sido encontrada nas cercanias do Terreiro da Luta e depositada na Igreja da Incarnação, segundo a tradição popular, e, mais tarde, na igreja paroquial do Monte, que os funchalenses têm vindo a venerar como Padroeira menor da cidade e todos os madeirenses como Padroeira principal da Diocese, patronato oficializado há duzentos anos, após a aluvião de 8 de Outubro de 1803.
O lugar passou a dar o nome à Festa. O Monte foi então centro das romarias e peregrinações, palco das súplicas e petições, cenário de louvor e gratidão à Virgem Maria. Tão vivo e fascinante no século XXI, como o foi na sucessão dos séculos. Uma fé que se vem transmitindo de geração em geração, com resultados visíveis nas expressões vivenciais da religiosidade popular.
Na liturgia universal é a Solenidade da Festa da Assunção e na fé popular madeirense é a Festa da Senhora do Monte, que todo o madeirense também leva na sua bagagem de emigrante. Para algumas comunidades paroquiais é ainda a Festa da Senhora da Graça, da Senhora da Ajuda, da Senhora do Guadalupe, de acordo com as raízes históricas da sua fé.
Igreja de Nossa Senhora do Monte
Embora com outros meios de transporte, todos os caminhos vão dar ao Monte, quinta e sexta-feira, para celebrar a Virgem Maria, através de todas as expressões que a gratidão, a fé e o amor ditarem na consciência de cada um.
Outras invocações da Virgem Maria
A Igreja do Funchal acompanha esta universalidade de Maria, festejando-a solenemente em muitas paróquias e sob diversos títulos.
Por toda a diocese encontram-se capelas dedicadas à Virgem Maria, cujos nomes variam de acordo com as devoções aos seus títulos e méritos próprios, ou então relacionados com as necessidades prementes do povo de Deus que começa a invocar-lhe sob circunstâncias determinadas.

Muitas festas se celebram neste dia 15 de Agosto, no Monte, na Ponta do Sol, e em quase toda a emigração, sob a invocação de Senhora do Monte, no Estreito da Calheta e Estreito de Câmara de Lobos, e no Porto Santo, como Nossa Senhora da Graça, no Porto da Cruz como Nossa Senhora de Guadalupe, mas os seus títulos com festas semelhantes ao redor do ano, abundam nas capelas em sua honra construídas e dedicados através destes cinco séculos de história da diocese do Funchal.
É a Senhora da Ajuda, da Alegria, do Amparo, das Angústias, dos Anjos, da Anunciação, da Apresentação, de Belém, da Boa Hora, da Boa Morte, da Boa Nova, da Boa Viagem, do Bom Despacho, do Bom Sucesso, das Brotas, da Cadeira, do Calhau, da Candelária, do Carmo, da Conceição, da Conceição do Ilhéu, da Consolação, do Descanso, do Desterro, das Dores, da Esperança, da Estrela, da Fátima, da Fé, da Glória, da Graça, da Incarnação, de Jesus, do Livramento, do Loreto, da Luz, da Mãe de Deus, da Mãe dos Homens, das Maravilhas, das Mercês, dos Milagres, do Monserrate, do Monte, da Natividade, da Nazaré, das Neves, da Paz, da Pena, da Penha de França, do perpétuo Socorro, da Piedade, do Pilar, do Pópulo, dos Prazeres, das Preces, da Quietação, dos Remédios, dos Remédios e Amparo, do Rosário, da Salvação, da Saúde, da Saúde do Monte Olivete, do Socorro, do Terço, do Vale, dos Varadouros, da Vida, das Virtudes, da Vitória, das Vitórias, etc.

Todos estes espaços religiosos dedicados à Virgem Maria, falam de cinco séculos de fé e devoção, dum povo que desde a primeira hora, comandados por Zarco, se colocaram sob a sua protecção: Nossa Senhora do Calhau, Nossa Senhora da Conceição. Com maior ou menor fé, com maior ou menor solenidade sobem continuamente hinos de louvor e acção de graças a Maria pelo que ela é em si mesma, e pela intercessão feita em favor da humanidade.
Mas a Senhora do Monte é excepção. Mesmo as comunidades que celebram outros títulos, nunca a esquecem. É também certamente por isso, que todos os caminhos vão dar ao Monte a 14 e 15 de Agosto.
Aparição da Imagem de Nossa Senhora do Monte
Já existia então no Monte a ermida de Nossa Senhora da Incarnação, mandada construir por Adão Gonçalves Ferreira, em 1470.

Diz-se que essa lendária aparição poderia ter sucedido no reinado de D. João II (1477-1495). O relato é da autoria de Gaspar Frutuoso ou de Henrique Henriques de Noronha e vem narrado no verso das gravuras que representam a pequenina e veneranda imagem. Reza assim:
«Há mais de 300 anos, no Terreiro da Luta, cerca de 1 quilómetro acima da igreja de Nossa Senhora do Monte, uma Menina, de tarde, brincou com certa pastorinha, e deu-lhe merenda. Esta, cheia de júbilo, refere o facto à sua família, que lhe não deu crédito, por lhe ser impossível que naquela mata erma e tão arredada da povoação aparecesse uma Menina. Na tarde seguinte reiterou-se o facto e a pastorinha o recontou. No dia imediato, à hora indicada pela pastorinha, o pai desta, ocultamente foi observar a cena, e viu sobre uma pedra uma pequena imagem de Maria Santíssima, e à frente desta «a inocente pastorinha que, a seu pai, inopinadamente aparecido, afirmava ser aquela imagem a Menina de quem lhe falava». O pastor, admirado, não usou tocar a Imagem e participou o facto à autoridade que mandou colocá-la na capela da Incarnação, próxima da actual igreja de N.ª S.ª do Monte» - nome que desde então foi dado àquela veneranda imagem».
Lenda ou história verdadeira, o facto é que aí está a pequenina Imagem a desafiar uma tradição de séculos.
Manuel Gama
In Jornal da Madeira
Atualizado em
14.08.12

Nossa Senhora do Monte







