Avançar com confiança pela vida
O Senhor disse a Abrão:«Deixa a tua terra, a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti um grande povo, abençoar-te-ei, engrandecerei o teu nome e serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem. E todas as famílias da Terra serão em ti abençoadas.» Abrão partiu, como o Senhor lhe dissera, levando consigo Lot. Quando saiu de Haran, Abrão tinha setenta e cinco anos. (Génesis 12, 1-4)
Um jovem de uma família abastada estava a divorciar-se da glamorosa mulher. O seu advogado telefonou-lhe com novidades acerca da partilha de bens. “A boa notícia é que ela não reclamada nada da sua herança.”
“Formidável!”, disse o jovem. “E qual é a má notícia?”
“Bom”, respondeu o advogado, “depois do divórcio ela vai casar com o seu pai!”
***
Oh, essa sensação de que o mundo se afunda sob os nossos pés! O velho Abraão deve ter sentido o mesmo quando Deus o chamou. Com 75 anos, foi-lhe dito para reunir a família e deixar a única casa que conheceu. “Vou levar-te para um lugar extraordinário”, prometeu-lhe Deus, “mas não te vou dizer onde.”
Porreiro! Nada como não ser capaz de ver para onde se vai! Mas não é assim a maior parte da vida? Ano após ano ela leva-nos para moradas onde nunca estivemos, sem mapa nem manual de instruções.
Dizemos para nós próprios: Mas eu nunca fui um adolescente antes! Nunca me casei ou divorciei antes, nunca fui um padre ou papa antes! Nunca fui velho, reformado ou fiquei sozinho! Nunca tive um ataque cardíaco antes! E assim por diante. Tudo isto é novo, tudo isto é verdade. E de alguma maneira sabemos que nunca poderemos voltar aonde estivemos antes.
Em cada etapa da vida, uma porta que nos é familiar fecha-se e outra abre-se; e diante dela um novo cenário cujos contornos dificilmente conseguimos enxergar, com novas tarefas que apenas podemos entrever. Seremos felizes para lá dos umbrais dessa porta? Seremos bem sucedidos e conseguiremos cumprir as nossas tarefas? Estaremos preparados quando a próxima porta se abrir? Talvez.
Ou será que passaremos os nossos dias sonhando regressar aos quartos que deixámos, quartos cujas portas estão fechadas para sempre? Talvez – e que desperdício se assim for.
Tudo depende de quem está connosco quando a porta se abre. Se estivermos sozinhos, mais uma porta será demasiado, e nós simplesmente não resistiremos. Mas se tivermos agarrado a mão de Deus e tivermos o hábito de caminhar com Ele ao nosso lado, uma nova porta não nos vai meter medo. Pelo contrário, ela significará a promessa de algo mais, algo que precisamos para completar a nossa peregrinação e completarmos o nosso caminho para casa.
Se agarramos firmemente na mão de Deus, entraremos nesses novos espaços com confiança, ainda que eles sejam escuros. Avançaremos como Abraão, sem olhar para trás. E, como a Bíblia diz de Abraão, cada vez mais nos tornaremos uma bênção para quem está à nossa volta.
Por isso, avancemos com confiança e comecemos a próxima etapa da nossa viagem, sem nunca, mas nunca, olhar para trás. Não temos motivos para olhar para trás porque Deus está connosco aqui, e o melhor da vida ainda está à nossa frente!
Mons. Dennis Clark
In Catholic Exchange
Trad.: rm
© SNPC (trad.) |
25.03.11
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