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Viana do Castelo

Bispo elogia «empenho» na preparação da Romaria de Nossa Senhora da Agonia

O bispo de Viana do Castelo enalteceu hoje o esforço dedicado à preparação das festas de Nossa Senhora da Agonia, que começaram esta sexta-feira na cidade e terminam na segunda-feira.

«Cresce a admiração que tenho não só pela romaria em si como pelo empenho com que as pessoas se entregam à realização destas festas, nomeadamente as mais ligadas à Confraria da Senhora da Agonia», afirmou D. Anacleto Oliveira ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

«Vem gente de todo o mundo. É impressionante a multidão de pessoas que encontramos aqui, mesmo nestes tempos de crise», disse.

O prelado, que está a iniciar o terceiro ano à frente da diocese minhota, considera que «a religiosidade popular, que tem nas romarias uma manifestação privilegiada, é qualquer coisa de muito profundo e que impressiona, motivada por razões de ordem humanas e culturais – no fundo, existenciais».

«Faz parte da identidade desta gente, mesmo que não tenha formação cristã muito forte, a relação profunda com Deus, neste caso concreto com a Senhora da Agonia, que é uma das componentes da vida de Nossa Senhora que mais diz, sobretudo aos pescadores», declarou.

FotoDiário do Minho

D. Anacleto Oliveira, presidente da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade, defende que «não há oposição» entre as celebrações oficiais católicas e a piedade popular: «Pelo contrário, é nestas que encontramos um terreno fértil para que as propostas da Igreja sejam acolhidas e vividas».

Na segunda feira o bispo de Viana do Castelo preside à procissão marítima protagonizada pelos pescadores, numa cidade onde o feminino impõe a sua força: «O Homem do Mar não é contra a Igreja mas mantém-se um pouco a leste dela. O Homem do Mar sente-se bem no mar; na terra são as mulheres que mandam».

Foto

«Notamos com mais intensidade a presença das senhoras nas festas, embora os homens tenham todo o gosto de transportar a imagem de Nossa Senhora da Agonia ou outras», sublinhou.

«No cortejo etnográfico, por exemplo, a maior parte das pessoas que participavam ativamente, excetuando aquelas tarefas que só os homens podem desempenhar, foram senhoras. É um aspeto muito interessante que me tem feito refletir: a presença do feminino com as suas expressões culturais de uma antiguidade que se perde na História, manifestando um fundamento antropológico muito profundo que se expressa, por exemplo, nos trajes e na quantidade de ouro que mostram», acrescentou.

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O responsável salienta que é nas «expressões culturais que reside a busca da vida»: «É do mais humano que encontramos, e é nesta raiz humana que se deve lançar o Evangelho».

«Há um ano publiquei a minha primeira Carta Pastoral, que incide sobre as expressões humanas e culturais. Tentaremos no futuro, nomeadamente no próximo Ano da Fé [outubro de 2012 a novembro de 2013] construir um conjunto de atividades que se enquadre nessa perspetiva», adiantou.

FotoGlobal Imagens/Jornal de Notícias

Na sexta-feira 363 mordomas, «raparigas solteiras sem “Fama”», como refere a comissão organizadora das Festas, desfilaram carregadas de ouro, para milhares de pessoas.

«É uma coisa que vem de dentro e que está presente em cada uma destas mulheres. Além de ser bonito, tem uma alma enorme por trás, faz com que, pelo menos no país, seja uma coisa única», referiu à agência Lusa o diretor do Museu do Traje de Viana do Castelo.

FotoGlobal Imagens/Jornal de Notícias

Uma das características deste Desfile da Mordomia, que, segundo a tradição, serve para a comissão de festas prestar cumprimentos às autoridades da cidade, «é o facto de os trajes que desfilam pela cidade, envergados por mulheres de todas as idades, não terem sido escolhidos por acaso».

«Além do orgulho que estas mulheres sentem, percebe-se que não estão a desfilar com uma coisa que não lhes diz nada. Elas sabem a história do traje, escolheram-no e muitas vezes é de família», explicou José Alpoim à Lusa.

FotoGlobal Imagens/Jornal de Notícias

O denominado traje à vianeza, em linho e com várias cores características onde sobressai o vermelho e o preto, era utilizado há cerca de 120 anos pelas raparigas das aldeias em redor da cidade de Viana do Castelo.

Os exemplares que ainda hoje se conservam terão cerca de 60 anos, sendo um desses aquele que, por estes dias, enverga a mordoma Ana Moreno, escolhida como rosto do cartaz da romaria.

Pelas 16h30 de sexta-feira iniciou-se a procissão solene da Senhora da Agonia, que incluiu os andores das Senhoras dos Mares, Assunção, Monserrate e o Senhor dos Aflitos.

FotoGlobal Imagens/Jornal de Notícias

Na tarde de sábado decorreu o cortejo etnográfico: «Da Bíblia (Antigo Testamento), o Êxodo rumo à Terra Prometida; da Grécia Antiga ao Banquete Romano de Trimalquião (Petróneo), Apicíus - Cozinheiro Romano e o Livro De Re Coquinare; a saga dos Descobrimentos - O Infante D. Henrique manda plantar na Madeira a Cana do Açúcar vinda da Sicília e faz o povoamento com gente de Viana; Garcia de Horta e Luís de Camões (1563), acompanham na Carreira das Índias a epopeia da canela vinda de Ceilão cinnamomum verum (canela verdadeira); o livro de cozinha (séc.XVI) da Infanta Dª. Maria de Portugal, filha de D. Duarte, Duque de Guimarães e neta de D. Manuel I faz parte do bragal no casamento com o Duque de Parma, Embaixador dos Países Baixos; a Doçaria Conventual (Convento de Santana e do Recolhimento de Santiago); a Brasileira (1902); as Pastelarias de Viana; Doçaria Tradicional, típica do Natal e da Páscoa; o pão de ló de Mestre Natário no Palácio de Alvorada - Brasil, Homenagem a Jorge Amado; Doces de Romaria: roscas e grades, tabuleiros de segredos, o Andor do Bolo; as Mordomarias, os Romeirinhos; as Noivas de Viana» - segundo o programa.

FotoGlobal Imagens/Jornal de Notícias

«Mais de três mil figurantes, 112 quadros e 33 carros alegóricos retrataram a evolução da doçaria desde o tempo dos romanos até à atualidade. Várias pastelarias de Viana do Castelo reuniram-se no mesmo carro alegórico e distribuíram doces durante todo o cortejo. O mesmo aconteceu com muitos outros grupos, que mostraram a doçaria típica do Natal, da Páscoa e das romarias», conta o “Diário do Minho”.

O jornal refere que «a freguesia de Cardielos encenou o compasso pascal em que habitualmente a cruz é recebida nos lares com uma mesa recheada de bolos. “Preparámos doces vianenses que estão em cima da mesa do casal que nos vai receber como o arroz doce, as roscas, o pão de ló, etc”, explicou José Machado, que será precisamente o mordomo da cruz da freguesia na próxima Páscoa.»

FotoGlobal Imagens/Jornal de Notícias

«A quadra natalícia também não foi esquecida neste cortejo. O Grupo Folclórico de Santa Marta de Portuzelo levou para as ruas de Viana o sabor das rabanadas, dos mexidos e muitos outros doces que enchem as casas minhotas no Natal. “Este quadro teve como origem um postal de Boas Festas que fizemos no ano passado e fomos convidados a demonstrá-lo no cortejo. Tentámos fazê-lo tão fiel quanto possível, usando os adereços e a doçaria tradicional. É tudo de fabrico caseiro. Viana tem muito que mostrar e preservar ao nível da doçaria”, afirmou o vice-presidente do grupo folclórico, António Fernandes, citado pelo Diário do Minho.

Os doces típicos das festas tiveram o seu espaço no cortejo: farturas, churros, algodão-doce e pipocas.

 

Rui Jorge Martins
Com Diário do Minho, Agência Lusa
© SNPC | 19.08.12

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