Bombeiros: generosidade, risco, abnegação e sacrifício
A vossa tarefa é uma tarefa de generosidade e de risco, de abnegação e de sacrifício. Ela atinge o seu mais verdadeiro significado na qualificação de serviço de que se reveste em relação à sociedade.
Trata-se, por isso mesmo, de um trabalho que também tem e deve manter viva uma inconfundível dimensão cristã, aliás evangélica. De quantas situações de necessidade tereis de ir ao encontro! E a quantos homens em dificuldade prestareis ajuda!
Pois bem, que em tudo isto o vosso comportamento se assemelhe ao do Bom Samaritano, protagonista de uma das parábolas mais eficazes contadas por Jesus, segundo o Evangelho de São Lucas (Lc 10, 29 ss.). Era precisamente a isto que eu queria convidar-vos: a enfrentardes e desenvolverdes a vossa atividade como uma expressão concreta do amor cristão para com o próximo e as suas necessidades.
Um dever moral não pode ser nunca uma profissão, nem muito menos a caridade cristã que é, ao contrário, razão de vida e. impulso livre, poderoso e dinâmico em favor dos outros.
Compreendeis, pois, que só colocando-vos nesta perspectiva podeis conferir uma particular nobreza a um serviço tão delicado e necessário à comunidade; em todo o caso, ele será tanto mais profícuo quanto mais for vivificado por uma componente humana de desvelo, de benevolência e, diria, de compaixão no sentido original e, precisamente evangélico do termo, que significa «compartilhar os sofrimentos dos outros».
João Paulo II
Discurso aos alunos das Escolas Centrais Anti-Incêndio
15.3.1980

Numa sociedade atravessada por numerosos fenómenos do egoísmo e crueldade contra o homem, o voluntariado no serviço do próximo constitui uma força de primeira ordem, um autêntico valor.
É um dos sinais positivos do nosso tempo, o sinal de que a abertura da vontade e do coração ao bem comum é cuidadosamente cultivada e vivida. Precisamente por esta razão, o voluntariado é um bom coeficiente de civilização e de fraternidade. (...)
Nunca será suficiente elogiar o sentido de dedicação, prontidão, altruísmo, coragem, disponibilidade para o sacrifício que a vossa "missão" requer, não poucas vezes em situações de grave perigo pessoal e, por vezes, de risco para a própria vida.
Usei a palavra "missão". Ela é válida também, e mais ainda, em caso de escolha individual. É na verdade um serviço ao homem, à sua vida e à sua segurança; uma tarefa que Deus confiou a todos em favor dos próprios semelhantes, especialmente quando estão em necessidade.
Jesus Cristo, que nós, cristãos, professamos Senhor e Salvador, disse certa vez aos seus discípulos: «Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos» (Mc 9, 35). O vosso serviço voluntário é verdadeiramente um serviço a todos.
Que possais encontrar muita alegria na oferta do vosso tempo e dos vossos talentos para proteger os vossos concidadãos. E que Deus vos abençoe, e às vossas famílias, com a sua paz.
João Paulo II
Discurso a um grupo de bombeiros voluntários
1.10.1985

Vós tendes a maravilhosa tarefa de assegurar a protecção de pessoas e bens. E, vós em primeiro lugar, sabeis que sob estas palavras algo frias, está a confiança de toda a população que recorre a vós, antes de mais para apagar o fogo, causa de antigo terror, mas também, todos os dias, para enfrentar os perigos da vida urbana de hoje.
A vossa presença constante tranquiliza aqueles que muitas causas, materiais mas também simplesmente humanas, pode conduzir à angústia mais profunda, muitas vezes na solidão.
No vosso trabalho, na vossa ação preventiva, desenvolveis grandes meios técnicos, em progresso contínuo e eficazmente coordenados, mas levais sobretudo o compromisso pessoal, físico e moral, de cada um de vós.
João Paulo II
Discurso a um grupo de bombeiros franceses
6.3.1989
Nuno André Ferreira / EPA
Edição: Rui Jorge Martins
© SNPC |
05.09.13

Nuno André Ferreira / EPA








