Periferias ao centro: Ciganos têm de estar mais presentes na sociedade, diz papa Francisco
As populações ciganas «encontram-se nas margens da sociedade, e às vezes são vistas com hostilidade e suspeição», além de «estarem escassamente envolvidas nas dinâmicas políticas, económicas e sociais», afirmou hoje, no Vaticano, o papa Francisco.
«Também o povo cigano é chamado a contribuir para o bem comum, e isto é possível com itinerários adequados de corresponsabilidade, na observância dos deveres e na promoção dos direitos de cada um», declarou na audiência aos participantes no encontro “A Igreja e os ciganos: anunciar o Evangelho nas periferias”.
Na iniciativa organizada pelo Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes, em que, segundo a Agência Ecclesia, participa o arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, o papa vincou que as «situações de miséria em parte da população» são causadas pela «falta de estruturas educativas para a formação cultural e profissional».
Francisco elencou também «o difícil acesso à assistência sanitária, a discriminação no mercado de trabalho e a falta de alojamentos dignos», e acentuou as suas consequências: «Se estas chagas do tecido social atingem todos indistintamente, os grupos mais frágeis são os que mais facilmente se tornam vítimas das novas formas de escravidão».
«São as pessoas menos protegidas que caem na armadilha da exploração, do acantonamento forçado e de diversas formas de abuso. Os ciganos estão entre os mais vulneráveis, sobretudo quando faltam as ajudas para a integração e a promoção da pessoa nas várias dimensões do viver civil», acrescentou.
Depois de apelar ao envolvimento dos organismos públicos e internacionais para centrarem as suas atenções na «dignidade de cada pessoa», o que requer novas estratégias «no âmbito civil, cultural e social», o papa vincou que também a Igreja deve estar pronta a responder «aos desafios que emergem de formas modernas de perseguição, opressão e, às vezes, também de escravidão».
É conhecido em Roma que um bispo jesuíta brasileiro, D. Luciano de Almeida, amigo de Bergoglio, e do qual está em curso o processo de beatificação, andando também nos autocarros assumia sempre a defesa dos jovens ciganos, tratados com desprezo pelos passageiros.
Avvenire
Trad./redação: SNPC/rjm
05.06.14
Foto: D.R.








