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Cinema, arte do humanismo, reflexão e transcendência

O cinema pode converter-se num argumento sobre o sentido da vida, a dignidade humana e a transcendência, consideram Inês Gil e Carlos Capucho, professores universitários e investigadores no domínio da Sétima Arte.

No programa 70X7 transmitido na RTP-2 este domingo, véspera da entrega dos Óscares, Carlos Capucho, docente na Universidade Católica Portuguesa, sublinhou que o cinema é um meio «muito interessante para a expressão das preocupações e valores humanos», que constituem uma base «fundamental para que o sagrado se manifeste».

Inês Gil, da Universidade Lusófona, defendeu que não há motivos para que as inquietações espirituais desapareçam do cinema, mas a sua abordagem deve ser subtil e não ostensiva.

«A questão da transcendência importa, mas primeiro deve vir o real. Por isso acho que os filmes que têm uma forma mais realista podem tocar mais as pessoas», afirmou a professora que integra o Grupo de Cinema do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

O sucesso de “O Artista”, que ganhou cinco Óscares esta segunda-feira, incluindo o de melhor filme, realizador, ator e banda sonora, deve-se à «nostalgia» e ao «humanismo», que o tornam um «filme que encanta», diz Inês Gil.

O cinema mudo, observa, «tem a vantagem de poder trabalhar a imagem e a relação com as pessoas de forma diferente».

“O Artista”, realizado pelo francês Michel Hazanavicius, constitui uma «homenagem ao cinema quando não precisava de efeitos especiais, quando não era tão espetacular nem artificial».

«O cinema europeu é mais sensível e talvez mais corajoso», considera Inês Gil, que recorda os filmes dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, que em 1999 e 2005 venceram a Palma de Ouro do Festival de Cannes, com “Rosetta” e “A Criança”, e que em 2011 foram distinguidos no mesmo festival com o Grande Prémio do Júri por “O miúdo da bicicleta”.

«Muita gente não percebeu como é que era possível. É óbvio que é um cinema humanista, espiritual, mas não obviamente espiritual, feito com poucos meios. Para mim é o cinema mais interessante do ponto de vista da reflexão», apontou.

Carlos Capucho destaca que vai sendo difícil associar a Sétima Arte ao pensamento e à contemplação: «Hoje tudo é pressa e o audiovisual, por vezes, é frenético. A capacidade de parar para refletir é frequentemente alheia à dinâmica dos jovens» mas pode ser-lhes transmitida através de uma «cultura cinematográfica» que os eduque nesse sentido.

O professor assinala que a Igreja tem um papel a desempenhar: «O trabalho de sapa para cultivar o público, permitindo-lhe perceber, descodificar e estar mais habilitado a ver os filmes, faz transitar o espetador do mero entretenimento para uma leitura eficaz».

No entanto, adverte, os católicos não devem tornar esse trabalho «estritamente evangelizador», embora «não possam abdicar» dessa vertente.

O Grupo de Cinema do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, composto por Inês Gil e Margarida Ataíde, oferece semanalmente a apreciação crítica de um filme.

Este ano, pela terceira edição consecutiva, vai atribuir um prémio no IndieLisboa, Festival Internacional de Cinema Independente que decorre de 26 de abril a 6 de maio, em parceria com o Secretariado Nacional das Comunicações Sociais.

O Prémio Signis - Árvore da Vida é dado no IndieLisboa a um filme português que privilegie os valores humanos e espirituais, independentemente do seu género ou duração.

Em 2011 o júri distinguiu "La ilusión te queda" de Márcio Laranjeira e Francisco Lezama, e concedeu menções honrosas a "Swans", de Hugo Vieira da Silva, e "Os Milionários", de Mário Gajo de Carvalho.

Os membros do Grupo de Cinema também participam como jurados em festivais de cinema realizados em Portugal e no estrangeiro, no âmbito dos júris constituídos pela Signis, Associação Católica Mundial para a Comunicação.

 

 

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 27.02.12

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