Vaticano
Como se elege o papa
Após a renúncia de Bento XVI, com efeito a partir de 28 de fevereiro, segue-se a eleição do novo papa que, provavelmente, acontecerá em março. Apresentamos seguidamente as etapas principais do processo.
A eleição ocorre durante o conclave, palavra que advém do latim "fechado à chave" para indicar a clausura a que os cardeais eleitores estão sujeitos para evitar o contacto com o exterior.
Os prelados ficam alojados na Domus Sanctae Marthae (Casa de Santa Marta), que por decisão do papa João Paulo II integra o espaço do conclave
Os cardeais entram em procissão solene na Capela Sistina, designação que deriva do papa que a mandou construir, Sisto IV. O espaço é conhecido pelo fresco do "Juízo Final", pintado por Miguel Ângelo entre 1536 e 1541.

Na Capela Sistina, onde decorre o escrutínio, o último Cardeal Diácono fecha a porta por dentro quando saem todos aqueles que não têm direito a participar na votação.

Podem eleger o novo papa apenas os cardeais que não tenham completado 80 anos de idade. O seu número não pode ser superior a 120.
Dois são portugueses: D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa, que a 26 de fevereiro faz 77 anos, e D. Manuel Monteiro de Castro, penitenciário-mor da Santa Sé, de 74 anos.
Os cardeais com mais de 80 anos, onde se inclui o português José Saraiva Martins, que completou aquela idade a 6 de janeiro, têm um papel espiritual e participam apenas na fase preliminar da votação.

Ainda que durante séculos só tenham sido eleitos cardeais, pode ser escolhido qualquer fiel adulto, batizado e não casado. Se o escolhido para papa não for bispo, está previsto que receba a ordenação episcopal depois da aceitação.
Diante do altar da Capela Sistina é colocada uma mesa com três cardeais escrutinadores. A nomeação para esta função decorre depois de sorteio entre todos os cardeais eleitores.
O processo inclui também o sorteio de três cardeais encarregues de recolher os votos dos prelados doentes e, ainda, de três revisores.
O sorteio é feito pelo último cardeal diácono, que anuncia de seguida os nove nomes.

A eleição do novo papa ocorre quando são obtidos dois terços dos votos dos eleitores presentes. A partir do 34.º escrutínio procede-se à votação entre os dois cardeais mais votados no último escrutínio, que deixam de poder exercer o direito de voto.
O segredo de voto foi introduzido em 1621 pelo papa Gregório XV, para evitar que a eleição fosse influenciada pelos relacionamentos entre os prelados e resultasse da consciência pessoal.
Tal como está consignado na fórmula de juramento que antecede o voto, os cardeais devem votar "secundum Deum".

Os cardeais procedem à votação escrevendo um só nome debaixo das palavras «Eligo in Summum Ponteficem», procurando dissimular a sua letra para garantir o segredo do voto.

No fim de cada votação os boletins são ligados por um fio e queimados num fogão montada propositadamente para a ocasião. Se da chaminé, que pode ser vista do exterior da Capela, sai fumo preto, significa que a votação continua, enquanto que o fumo branco anuncia a eleição de um novo papa.

O fumo branco resulta de uma substância colocada no forno onde são queimados os votos.

Quando um dos cardeais alcança os dois terços dos votos, o cardeal decano, que preside ao Colégio Cardinalício, dirige-se ao eleito e pergunta-lhe se pretende aceitar a votação. Se a resposta for afirmativa, pergunta-lhe que nome pontifical escolhe.
Depois de eleito o novo pontífice é acompanhado à designada "Stanza delle Lacrime" (aposento das lágrimas), onde é ajudado a envergar pela primeira vez os paramentos papais. Estão disponíveis três medidas, para que o novo papa escolha o que melhor se adequa ao corpo.

O eleito tira as vestes cardinalícias e enverga os hábitos pontifícios, que incluem alva e roquete brancos, estola vermelha e solidéu branco. Após a paramentação segue-se a homenagem dos cardeais ao novo papa.
O cardeal protodiácono, o primeiro dos cardeais diáconos, dirige-se à varanda central da basílica de S. Pedro, no Vaticano, e, diante da multidão, pronuncia a frase ritual: «Annuntio vobis gaudium magnum. Habemus Papam» (anuncio-vos uma grande alegria. Temos Papa).
De seguida pronuncia o cognome do cardeal eleito e, logo depois, o nome pontifical.

O novo papa, em procissão, dirige-se à varanda e, após um breve discurso, concede a bênção "Urbi et Orbi" (à cidade [de Roma] e ao mundo).


In Vatican Insider
11.02.13

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