

O papa recordou hoje, no Vaticano, a sua viagem à Polónia, tendo sublinhado a «imagem emblemática» das bandeiras dos países dos participantes na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), bem como o «grande silêncio» nos antigos campos de concentração nazis, cuja «crueldade» que neles aconteceu é semelhante à que se vive atualmente em várias partes do globo.
«O grande silêncio da visita a Auschwitz-Birkenau foi mais eloquente do que qualquer palavra. Naquele silêncio escutei, senti a presença de todas as almas que passaram por lá; senti a compaixão, a misericórdia de Deus, que algumas almas santas souberam levar mesmo àquele abismo», afirmou Francisco na primeira audiência geral após a pausa de julho.
«Naquele grande silêncio rezei por todas as vítimas da violência e da guerra. E lá, naquele lugar, compreendi mais do que nunca o valor da memória, não só como recordação de acontecimentos passados, mas como advertência e responsabilidade para o hoje e o amanhã, para que a semente do ódio e da violência não se enraíze nos sulcos da história», prosseguiu.
«Olhando para aquela crueldade naquele campo de concentração pensei na crueldade de hoje, e assemelham-se, não tão concentradas como lá, em Auschwitz, mas assemelham-se, neste mundo que está doente de crueldade, de violência, de sofrimento. Por isso peço e rezo ao Senhor para que haja paz», declarou o papa.
Após referir que a sua viagem ocorreu 25 anos depois da realizada pelo papa S. João Paulo II a Chęstochova, «pouco depois da queda da “cortina de ferro”», Francisco afirmou que diante do ícone da Virgem Maria daquele santuário, que também visitou, recebeu «o dom do olhar da Mãe».
Referindo-se à JMJ, o papa realçou que «uma vez mais» os jovens «responderam ao apelo», tendo comparecido «de todo o mundo», participando «numa festa de cores, de rostos diferentes, de línguas, de histórias diferentes», e apesar de falarem idiomas díspares «conseguem entender-se porque têm a vontade de caminhar juntos e fazer pontes, de fraternidade».
«Uma imagem emblemática da Jornada Mundial da Juventude é a extensão multicolor das bandeiras desfraldadas pelos jovens: com efeito, na JMJ as bandeiras das nações tornam-se mais belas, “purificam-se”, por assim dizer, e até bandeiras de nações em conflito desfraldam-se próximas entre si, e isto é belo», salientou.
Para o papa, «a Polónia recorda hoje a toda a Europa que não pode haver futuro para o continente sem os seus valores fundadores, os quais, por sua volta, têm no centro a visão cristã do homem. Entre estes valores está a misericórdia, de que foram dois apóstolos especiais dois grandes filhos da terra polaca: Santa Faustina Kowalska e S. João Paulo II».
Francisco evocou também uma jovem da arquidiocese de Roma, Susanna, que morreu pouco depois de regressar da Jornada: «O Senhor, que certamente a acolheu, leve conforto aos pais e aos seus amigos».
Depois de recordar a JMJ, o papa lembrou que esta quinta-feira se desloca à basílica papal de Santa Maria dos Anjos, e, no seu interior, à capela da Porciúncula, «por ocasião do oitavo centenário do “Perdão de Assis”, que se assinalou na terça-feira.
«Será uma peregrinação muito simples, mas muito significativa, neste Ano Santo da Misericórdia. Peço a todos que me acompanhem com a oração, invocando a luz e a força do Espírito Santo e a celeste intercessão de S. Francisco», apontou.
Rui Jorge Martins