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Filosofia

Dietrich von Hildebrand: A força da transformação

Na obra “Transformação em Cristo”, Dietrich von Hildebrand escrevia que « (…) só podemos ser transformados em Jesus Cristo se nos perdermos, por assim dizer, contemplando-O. Somente se amarmos e adorarmos o Senhor, podemos ser incluídos na Sua vida. E esta vida sobrenatural não pode prosperar por si mesma, sem que nós ponhamos algo da nossa parte». O encontro com Jesus exige a liberdade, exige a decisão quotidiana ele. Esta convicção marcará o pensamento e a vida de von Hildebrand.

Dietrich von Hildebrand nasceu no seio de uma família protestante no dia 12 de outubro de 1889 em Florença. Seu pai, Adolf von Hildebrand, foi um famoso escultor, enquanto sua mãe, Irene Schaueffelen, uma estudiosa de filosofia. Dietrich tinha cinco irmãs. O ambiente na família, além do amor expresso pelos pais, era sereno e rico no estímulo cultural e estético. Por isso, Dietrich considerou sempre a sua infância como um tempo profundamente feliz.

A fé e práticas cristãs não desempenhavam um papel importante no seio da família, embora os pais dessem todo o espaço para as opções religiosas dos filhos, o que no caso de Dietrich aconteceu quando tinha cinco anos de idade. No que à instrução escolar diz respeito, foi sempre ensinado por tutores particulares, embora tenha frequentado um liceu em Munique, apenas três meses antes de fazer o seu “Abitur” (exame que permitia o acesso ao ensino superior).

Aos 15 anos Dietrich está já convencido de que a filosofia é a sua vocação. Assim, após a mudança da sua família para o Mónaco, matricula-se em 1906 na universidade deste principado, com dezassete anos de idade. Segue os cursos de psicologia e ética de Theodor Lipps, em torno do qual se forma um grupo de discípulos, que ficou conhecido como “Círculo do Mónaco”, de qualidade comprovada, alguns deles já professores assistentes de filosofia, tais como Alexander Pfänder e Moritz Geiger.

Deixa Theodor Lipps e parte para Göttingen, onde permanece de 1909 a 1912. Aí estuda com Husserl e A. Reinach, e passa a pertencer ao chamado “Círculo de Göttingen”. Nesta universidade recebe o seu doutoramento sob a orientação de E. Husserl no ano de 1912 e neste mesmo ano casa com Margaret Denck. Durante o tempo que passou em Göttingen cresce a amizade com Adolf Reinach e com Max Scheler, que já havia conhecido no Mónaco.

Dietrich von Hildebrand e a mulher convertem-se ao catolicismo no ano de 1914. Em 1916 é publicada a sua primeira obra filosófica, “Die Idee der Sittlichen Handlung”. No ano de 1918 tem início a sua carreira como “Privatdozent” na Universidade do Mónaco e em 1924 torna-se professor associado na instituição. Durante o seu período de docência, de 1924 a 1930, forma-se em seu redor um grupo de discípulos e amigos que admiram o pensamento do autor, nomeadamente pela sua aplicação do método fenomenológico às questões de ordem ética e sociais.

Com a ascensão do Nacional-socialismo ao poder em 1933, protagonizado pela figura de Adolf Hitler, ao qual Dietrich se opunha desde o início, abandonou a Alemanha. Torna-se então docente na Universidade de Viena, onde estabelece profunda amizade com o chanceler Engelbert Dollfuss, que o ajudou na fundação do jornal semanal “O Estado Corporativo Cristão”, no qual Dietrich escreve principalmente em oposição ao regime de Hitler. Contudo, com a anexação da Áustria em 1938 e a demissão de Engelbert Dollfuss, von Hildebrand vê-se forçado a fugir de novo com a sua mulher no dia 11 de março, mas agora para a Suíça, onde ficou onze meses. Partiu depois para França, onde aceitou o convite para ensinar na Universidade Católica de Toulouse.

Dieitrich von Hildebrand e a esposa pareciam não ter sossego, pois França é invadida pelo exército alemão na primavera de 1940, obrigando a que a 7 de setembro desse ano parta para os Estados Unidos da América, após ter estado em Lisboa, onde recebeu uma carta com um convite do professor Alvin Johnson, com a ajuda da Rockefeller Foundation, para ir para o outro lado do Atlântico. No dia 23 de dezembro aterra em Nova Iorque e toma conhecimento de que havia sido nomeado para a cátedra de Filosofia na Graduate School of Fordham University, onde permanece até 1960. Publica “Ética Cristã” (1952), “A Nova Torre de Babel” (1953), “Verdadeira Moralidade e suas Imitações” (1955), com Alice M. Jourdain, e “Imagens de Escultura” (1957), também com a mesma autora.

Em 1957 a sua mulher morre, e dois anos depois Dietrich casa-se com a colega e colaboradora Alice M. Jourdain. Em 1960 abandona a docência, permanecendo nos Estados Unidos da América, onde viria a morrer no dia 26 de janeiro de 1977, com oitenta e oito anos.

 

L. Oliveira Marques
© SNPC | 05.06.11

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