Diocese de Angra desafiou artistas a criar nova Via-sacra na catedral
Desde a reabertura da Sé (1985), após o impacto de sucessivas calamidades, a igreja do Salvador não dispõe de um conjunto pictórico evocando os passos de Jesus na sua Paixão. Surge agora, por feliz iniciativa do Serviço Diocesano da Pastoral da Cultura, a ideia de convidar artistas locais, naturais, residentes ou ligados aos Açores, que, generosamente, abraçaram o projeto, doando e dotando a Sé de uma Via-sacra fiel à narrativa evangélica e às marcas do nosso tempo.
Conscientes de que Angra tem uma catedral sebástica, da Renascença, talhada pela arte e engenho de cada século, na luta humana contra forças destrutivas de uma natureza sísmica e vulcânica que faz doer, erigimos no século XXI, com direito próprio, na senda dos nossos antepassados, uma nova Via-sacra suspensa em cada uma das colunas que suportam o edifício e aqueles que o habitam.
É um conjunto novo, que nada pretende imitar, a não ser dizer a Paixão de Cristo, conjunto saído das mãos e do lado de catorze artistas distintos, nas tendências, linguagens e processos criativos contemporâneos, para uma Catedral que se vai construindo ao longo dos séculos, e que agora tem muito gosto em acolher a marca do nosso tempo. Faz parte da pedagogia da Igreja dar a conhecer os mistérios de Cristo, em linguagens e imagens de cada época. Trata-se de uma ação pedagógica e catequética, que, para seu melhor dizer, há de ser poética e artística.
Jesus é condenado a morte (José Nuno Pereira)
O discurso evangélico para o percurso crente e turístico é o seguinte: pela nave da esquerda para quem entra na Sé: Jesus é condenado (José Nuno da Câmara Pereira), carrega com a cruz (André Laranjinha), cai pela primeira vez (Luís Brilhante), encontra a sua mãe (Luís Pinheiro Brum), é ajudado por Simão de Cirene (Victor Almeida), a Verónica limpa o rosto de Jesus (Nina Medeiros), e Ele cai pela segunda vez (Diogo Blota). Pela outra nave, de quem entra pela direita, continua o caminho da paixão de Cristo e da humanidade, no encontro de Jesus com as mulheres (Paula Mota), na terceira queda (João Decq), no despojamento das suas vestes (Rui Pereira de Melo), Jesus é pregado da cruz (André Almeida e Sousa), morto (Luísa Jacinto), entregue a sua mãe (Urbano) e sepultado (Carlos Carreiro).
Jesus carrega a cruz as costas (André Laranjinha)
Aqui fica o registo da nossa gratidão Àquele que por amor nos libertou das trevas e da morte, aos artistas, pela generosidade fecunda, ousada e criativa, e aos peregrinos do culto e da cultura, que a partir de agora visitem a Sé açoriana, sedentos de Deus e da sua beleza, marcados pela Paixão e pelo Amor, a certeza de que hão de encontrar aqui olhares de leitura e contemplação, escuta e entrega, a que não ficarão indiferentes.
Jesus cai pela primeira vez (Luís Brilhante)
Tal como no mistério de Cristo, longe de qualquer heresia, encontramos a divindade e a humanidade, inconfundíveis e inseparáveis, o maravilhoso e o brutal lado a lado, o escândalo do pecado contra o falso escândalo, aprendemos também «a levar a cruz que a carne o mundo impõem aos ombros dos que buscam construir a paz e a justiça».
Se no princípio era o Verbo e o Verbo se fez carne, no fim, não será da morte a última palavra, mas do Vivente, o Ressuscitado.
Jesus encontra a sua Mãe (Luís Pinheiro Brum)
Simão Cirineu ajuda Jesus (Vitor Almeida)
Verónica limpa o rosto de Jesus (Nina Medeiros)
Jesus cai pela segunda vez (Diogo Bolota)
Jesus encontra as mulheres de Jerusalém (Paula Mota)
Terceira queda de Jesus (João Decq)
Jesus é despojado das suas vestes (Rui Vasco Pereira de Melo)
Jesus é pregado na cruz (André Almeida e Sousa)
Jesus morre na cruz (Luísa Jacinto)
Jesus morto nos braços de sua Mãe (Urbano)
Jesus é sepultado (Carlos Carreiro)
P. Hélder Fonseca Mendes
Pároco da Sé de Angra
Angra, Semana Santa de 2014
Imagens: Diocese de Angra
© SNPC |
15.04.14

Sé de Angra
Foto: rjm








