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Eleições europeias: «Abstenção não é uma opção»

«A abstenção não é uma opção», sublinha o secretário-geral da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (Comece) a propósito das eleições para o Parlamento Europeu, que vão decorrer de 22 a 25 de maio.

No mais recente editorial da publicação mensal "Europeinfos", o padre Patrick Daly escreve que «os bispos católicos na Europa consideram que a sua prioridade é encorajar os cidadãos a votar».

A tarefa não se afigura fácil: em 1979, quando a Comunidade Económica Europeia tinha nove membros, a participação no escrutínio chegou aos 62%, enquanto que nas últimas eleições, em 2009, com 27 países na União Europeia, votaram 43% das pessoas inscritas nos cadernos eleitoriais.

Esta tendência, assinala o editorial, «favorece os partidos mais extremistas (no caso, os candidatos "eurocéticos" ou antieuropeus), permitindo-lhe ganhar lugares» no parlamento».

«Muitos jornalistas e comentadores» evocam «o duplo espetro de uma fraca taxa de participação e a subida dos "eurofóbicos"», com o primeiro fenómeno a gerar o segundo», aponta o responsável.

«É evidente que o caráter privado da câmara de voto é quase tão sagrado como o confessionário, e que a liberdade que o cidadão tem de escolher segundo a sua consciência não está em questão», refere o editorial.

No entanto, «os bispos estão particularmente preocupados» com a necessidade de que a escolha seja feita «com todo o conhecimento de causa» e que traduza «uma visão da Europa» e do «futuro comum» dos seus cidadãos.

Referindo-se ao balanço de 2013, o editorial assinala que «mesmo os iniciados do Vaticano mais perspicazes, ou os mais imaginativos, não poderiam ter previsto como a manhã da segunda-feira 11 de fevereiro, quando o papa Bento XVI anunciou a demissão, iria transtornar completamente o mundo católico».

«E mesmo que alguns tenham dado fortes hipóteses ao cardeal Jorge Bergoglio durante o conclave, poucos foram aqueles que puderam prever o impacto que o primeiro sumo pontífice não europeu em mais de 1500 anos teria sobre a Igreja e sobre o mundo, num espaço de tempo tão curto», salienta o sacerdote inglês.

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Rui Jorge Martins
© SNPC | 08.01.14

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