

A confiança no futuro, fundada na fé, deve impor-se à depressão experimentada diante do mal, e em particular da corrupção, sublinhou hoje o papa Francisco na missa a que presidiu, no Vaticano.
«Esta palavra, “corrupção”, hoje diz-nos muito: não só corrupção económica, mas corrupção com muitos pecados diferentes: corrupção com esse espírito pagão, com esse espírito mundano. A pior corrupção é o espírito de mundanidade», vincou o papa, citado pela Rádio Vaticano.
Nos excertos da primeira leitura e do Evangelho proclamados nas missas desta quinta-feira é anunciada a destruição de Jerusalém e de Babilónia, sendo esta símbolo de «cada sociedade, cada cultura, cada pessoa distante de Deus, também distante do amor ao próximo, que acaba por apodrecer», apontou Francisco.
«Babilónia cai por corrupção; Jerusalém por distração», por não acolher Deus que ia ao seu encontro: «Batia à porta mas não havia disponibilidade para o receber, escutar, deixar-se salvar por Ele. E cai», disse o papa.
Estas narrações aplicam-se na existência de cada pessoa, salientou Francisco, que convidou a um exame de consciência sobre se os cristãos são semelhantes à «corrupta e autossuficiente Babilónia» ou à «distraída» Jerusalém.
A ameaça, todavia, não é a palavra derradeira: «A mensagem da Igreja nestes dias não acaba com a destruição; nos dois textos há uma promessa de esperança», vincou.
«Quando pensamos no fim, com todos os nossos pecados, com toda a nossa história, pensamos no banquete que gratuitamente nos será dado e então levantamos a cabeça. Nada de depressão – esperança», apelou.
Não se trata de ignorar a realidade: «Há muitos, muitos povos, cidades e gente, muita gente, que sofre; muitas guerras, muito ódio, muita inveja, muita mundanidade espiritual e muita corrupção. Sim, é verdade».
«Mas peçamos ao Senhor a graça de estarmos preparados para o banquete que nos espera, com a cabeça sempre levantada», concluiu Francisco.
Alessandro Gisotti / Rádio Vaticano