7.ª Jornada da Pastoral da Cultura
«Fraternidade» segundo D. Manuel Clemente
Da fraternidade se diga que, muito além da liberdade espontaneamente apetecida ou da igualdade juridicamente posta, requer uma decisão concreta de acolhimento e proximidade em relação ao outro e a cada um dos outros, como eles realmente são e acontecem. O que torna a fraternidade o item mais custoso da trilogia contemporânea. Talvez por isso ficasse para o fim...
Na indispensável parábola do Bom Samaritano, próximo e realmente "fraterno" é o que se aproxima do outro, por mais que este o surpreenda e desafie; que depois concretamente o ajude, com toda a ajuda precisa. A fraternidade é realmente uma tarefa. No cristianismo autêntico este sentimento é tão essencial que dele depende a familiaridade com o próprio Deus (cf. Mateus 25). Aqui o cristianismo exige mais do que o simples pluralismo religioso. Não se trata apenas de aceitar o Deus dos outros, importa aceitar Deus nos outros.
Por isso, a fraternidade requer motivação e pedagogia. Aprende-se a ser fraterno e quanto mais cedo melhor: é bom nascermos em família e entre irmãos, é ótimo alargar a convivência aos que, não sendo de sangue, fazem desse sentimento a substância duma política de todos para todos. Daí as outras comunidades, das igrejas às escolas, etc.
D. Manuel Clemente, Lígia Silveira, Carvalho da Silva, Braga da Cruz
Por respeitar imprescindivelmente a realidade, a fraternidade exclui dois despistes: a massificação e o individualismo. Fraternidade assemelha-se a personalidade ou personalismo, ser com os outros e para os outros e cada vez mais assim. Somando particularidades, sem nunca omitir nem dispensar nenhuma delas. Fraternidade requer presença mútua, rosto próprio e escuta atenta. Nunca abstrações facilmente totalitárias nem individualizações que se ficassem por algarismos sem soma.

Na Doutrina Social da Igreja a fraternidade conjuga subsidiariedade e solidariedade: a subsidiariedade que não ultrapassa nem dispensa ninguém com a solidariedade que nunca esquece o todo.
D. Manuel Clemente
Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, bispo do Porto
In 7.ª Jornada da Pastoral da Cultura, Fátima, 17.6.2011
Fotografia: Rui Martins
© SNPC |
17.06.11

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