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Gostar e amar

Dizem os amantes: «Encanta-me a tua voz»; «cativa-me o teu sorriso»; «fascina-me a tua figura».

Mas isso não é amor. O amor estende-se e abarca a totalidade da pessoa.

Muitos identificam amar com gostar, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Nem tudo aquilo de que se gosta equivale a amor. Dizem ainda os amantes: «Gosto da tua cintura, do ritmo do teu andar, da modulação da tua voz.» O amor pode nascer sem que o outro seja cativado por alguma zona anatómica concreta, por determinada parte da personalidade.

O amor nasce de um momento em que o ser humano se esquece de si; fica deslumbrado, é «arrancado» de si mesmo e cativado por outro todo. Cresce com desejos de se dar e consuma-se no esquecimento total de um gozo recíproco.

De outra forma, os aspetos que «me agradam» podem desvanecer-se à primeira rajada de vento outonal. Muitos amantes, seduzidos por adornos efémeros, constituem-se em casal. Não é de estranhar que tantos compromissos conjugais acabem por se transformar em flores de um só dia.

A profundidade do amor mede-se pelas pequenas alegrias que os cônjuges dão um ao outro e também pelas pequenas feridas que infligem mutuamente, mas não de feridas que provêm dos obscuros mananciais do egoísmo, mas daquelas que são necessárias para os processos de adaptação e integração.

No verdadeiro amor, ocultam-se forças singulares para resolver as contrariedades da vida e para ninguém se deter na marcha ascendente da busca da perfeita alegria.

Os amantes usam um idioma desconhecido para os que não amam: um olhar, um suspiro, um momento de silêncio, atitudes que dizem mais que todas as palavras da linguagem humana.

A Bíblia conserva umas palavras comovedoras de uma mulher estrangeira, a moabita Rute (1, 16-17), palavras de amor que refletem um compromisso integral de elevada fidelidade:

Não insistas para que te deixe, pois onde tu fores,
eu irei contigo
e, onde pernoitares, aí ficarei;
o teu povo será o meu povo
e o teu Deus será o meu Deus.
Onde morreres, também eu quero morrer
e ali serei sepultada.
Que o Senhor me trate com rigor e ainda o acrescente,
se até mesmo a morte
me separar de ti.

 

Ignacio Larrañaga
In O matrimónio feliz, ed. Paulinas
27.05.14

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