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Teologia contemporânea

Edward Schillebeeckx: um teólogo feliz

Corria o ano de 1993, e em entrevista dada a Francesco Strazzari, o “teólogo de Nimega” Edward Cornelius Florentius Alfonsus Schillebeeckx, dizia: «Nos dois aspetos do meu pensamento teológico, o crítico e construtivo, quis testemunhar aos demais a esperança e alegria que há em mim: Sou verdadeiramente um homem feliz».

Sendo o sexto de catorze irmãos, nove rapazes e cinco meninas, Edward Schillebeeckx nasce nas vésperas da I Grande Guerra Mundial, a 12 de novembro de 1914 ,em Amberes, na Bélgica, quando seus pais se encontram a voltar para Kortenger, uma vez que viviam nesta pequena povoação que fica entre Bruxelas e Lovaina. Desde cedo o jovem Edward sente-se chamado à vocação sacerdotal, pois com seis anos de idade começa a acolitar, e aquando da elevação do Corpo do Senhor pensava que também um dia ele seria sacerdote.

Aos onze anos entra no colégio interno dos Jesuítas em Turnhout onde estuda grego e latim a partir dos clássicos. Aí permanece até aos dezanove anos de idade. Tendo um irmão jesuíta, o jovem Schillebeeckx pensa tornar-se também um discípulo de Santo Inácio. Todavia, por variadas vicissitudes, e após ler a vida de São Domingos escrita pela Padre Clérissac, deseja tornar-se dominicano. Contudo, não conhece nenhum. Investiga junto dos amigos e um deles dá-lhe a direção do Dominicanos em Gante. Escreve então ao Prior, Padre Matthijs, que o convida a visitar a comunidade.

Em 1934 Schillebeeckx entra no noviciado, um tempo duro para ele pois tinha a saúde frágil. Terminada esta etapa, inicia o estudo da Filosofia, que dura três anos (1935-1938). Seguem-se os estudos de Teologia em Lovaina (1939-1943), sendo ordenado em 1941. Nestes anos em Lovaina conhece a fenomenologia de Husserl e lê também Merleau-Ponty e Heidegger. 

Terminada a Segunda Guerra Mundial, em 1945, Schillebeeckx é enviado para Le Saulchoir e Paris para o doutoramento. Do seu tempo na capital francesa conhece Congar e Chenu, mas é este último que terá uma grande influência sobre o padre Schillebeeckx.

Frequenta na Sorbonne as aulas dos grandes filósofos da época: René Le Senne, Louis Lavelle, Jean Wahl. Ao mesmo tempo ouve as lições de Étienne Gilson sobre Dante, São Tomás de Aquino, São Boaventura e Duns Escoto. Em 1947 torna-se docente na Universidade Católica de Lovaina, onde permanece até 1957. Em 1958, assume a cátedra de Teologia Dogmática e Histórica na Universidade de Nimega, na Holanda, cidade onde vive até à sua morte. 

Participa no Concílio Vaticano II (1962-1965) como conselheiro teológico do Cardeal holandês Alfrink e em 1965 funda, com Yves Congar, Karl Rahner, J. B. Metz e Hans Küng, a Revista Internacional de Teologia “Concilium”.

Em 1967 publica a obra “Cristo, Sacramento do encontro com Deus”,mas é sobretudo com “Jesus, a história de um vivente” (1974) e “Cristo e os Cristãos” (1977) que Schillebeeckx se torna mundialmente conhecido.

O grande teólogo dominicano deixa a Universidade de Nimega em 1982. Morre no dia 23 de dezembro de 2009, com 95 anos.

 

L. Oliveira Marques
© SNPC | 22.02.11

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