Perfil
Karl Popper: a lógica da Filosofia
Karl Raimund Popper nasceu a 28 de julho de 1902, em Viena de Áustria, no seio de uma família judia que, em 1900, se converteu ao luteranismo. Seu pai, Simon Siegmund Karl Popper, oriundo da Boémia, foi doutor em Direito na Universidade de Viena. Sua mãe, Jenny Schiff, nasceu na mesma cidade, embora os avós maternos de Popper fossem provenientes da Hungria e Silésia. Karl tinha duas irmãs mais velhas, Emilie Dorothea e Anna Lydia.
O jovem Karl frequentou entre 1908 e 1913 a “Freie Schule”, uma escola privada fundada por progressistas e socialistas, sem qualquer influência religiosa. Entre 1913 e 1918 frequentou três liceus em Viena. Karl Popper tem doze anos de idade quando se inicia a I Grande Guerra Mundial (1914-1918). O conflito será um tempo decisivo para o desenvolvimento intelectual de Popper.
Popper entrou para a Universidade de Viena em 1918, onde estudou Física, Matemática e Filosofia. Todavia, um dos anos mais importantes da sua formação é o de 1919, quando começa a envolver-se com a política de esquerda, juntando-se à Associação de Estudantes Socialistas. Torna-se por algum tempo marxista, mas depressa se desiludiu com a sua dimensão doutrinária, acabando por abandonar definitivamente essa ideologia. Entretanto descobre as teorias psicanalíticas de Freud e Adler e assiste à palestra que Einstein dá em Viena sobre a teoria da relatividade.
Os anos de 1922 a 1924 são ainda mais importantes para Popper, como confessa na autobiografia, quando se torna aprendiz de um velho marceneiro de Viena, de seu nome Adalbert Pösch. «Acredito que aprendi mais sobre teoria do conhecimento com o meu querido e omnisciente mestre Adalbert Pösch do que com qualquer um dos meus professores. Ninguém como ele fez tanto para me tornar num discípulo de Sócrates», escreveu.
Em 1928 recebe o doutoramento em Filosofia pela Universidade de Viena com uma tese sobre a questão do método em psicologia do pensamento, sob a orientação do psicólogo e linguista Karl Bühler. Nesse ano é criado o chamado “Círculo de Viena”, que inclui destacados pensadores em torno da figura de Moritz Schlick tais como Rudolf Carnap, Otto Neurath, Viktor Kraft, Hans Hahn e Herbert Feigl. Este conjunto de intelectuais está na origem do chamado “positivismo lógico”, cujo principal instrumento foi o chamado “princípio de verificação”.
Karl Popper lê, com entusiasmo crítico, os escritos dos principais membros do “Círculo” e começa a pensar as questões epistemológicas. Fruto dessa reflexão publica, em 1934, a sua primeira obra, intitulada “Logik der Forschung”, na qual expressa a sua visão da ciência e a crítica às principais doutrinas do positivismo lógico. O livro torna-se um sucesso e Popper é convidado para lecionar em Inglaterra, em 1935.
A ascensão do Nacional-Socialismo na Áustria conduziu ao fim do “Círculo de Viena”. Em 1936 Moritz Schlick, o fundador, é assassinado. No ano de 1937 Karl Popper parte para a Nova Zelândia para dar aulas de Filosofia na Universidade de Canterbury, onde permanece até ao ano de 1945.
Com a anexação da Áustria em 1938 pela Alemanha nazi, Popper começa a escrever sobre Filosofia Social e Política e em 1945 publica “A Sociedade Aberta e os seus Inimigos”. No ano seguinte, terminada a guerra, muda-se para Londres, lecionando na London School of Economics, onde permaneceu até à sua jubilação, em 1969.
No ano de 1959 Popper publica a “A Lógica da Descoberta Científica”. Em 1963 edita “Conjeturas e Refutações” e no ano de 1965 é “armado Cavaleiro” pela Rainha Isabel II, recebendo o título de “Sir”. Embora jubilado em 1969, não deixará de escrever até à sua morte, no dia 17 de setembro de 1994, em Londres.
L. Oliveira Marques
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28.04.11









