Vaticano
«Não se é cristão a tempo parcial» mas «totalmente», diz papa, que pede clero sem «riqueza», «carreirismo» e «vaidade»
O papa sublinhou esta quarta-feira no Vaticano que o cristianismo é uma escolha que condiciona todas as opções de vida e pediu aos fiéis que rezem para que padres e bispos não caiam em tentação.
«Não se é cristão a tempo parcial, apenas em alguns momentos, em algumas circunstâncias, em algumas escolhas. Não se pode ser cristão assim; é-se cristão em todos os momentos. Totalmente!», frisou na audiência semanal que decorreu na Praça de São Pedro.
A intervenção de Francisco perante dezenas de milhares de pessoas incidiu também no Pentecostes, a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e a Virgem Maria reunidos em Jerusalém, após a ascensão de Cristo ao céu, solenidade que a Igreja Católica assinala no próximo domingo.
«Estou aberto à ação do Espírito Santo, rezo-lhe para que me dê luz, para que me torne mais sensível às coisas de Deus? Esta é uma oração que devemos fazer todos os dias: “Espírito Santo, faz com que o meu coração esteja aberto à Palavra de Deus, que o meu coração seja aberto ao bem, que o meu coração esteja diariamente aberto à beleza de Deus», salientou.

Francisco destacou igualmente a importância da oração e o conhecimento da doutrina católica: «Se Deus não nos ilumina interiormente, o nosso ser cristão será superficial».
«Neste Ano da Fé perguntemo-nos se fizemos, concretamente, alguma coisa para conhecer melhor Cristo e a verdade da fé, lendo e meditando a Sagrada Escritura, estudando o Catecismo, acercando-nos com constância dos sacramentos», acrescentou.
A intervenção do papa retomou a questão do «relativismo», um dos temas mais refletidos pelo seu antecessor, o papa emérito Bento XVI.
«Vivemos numa época em que se é muito cético diante da verdade», que «não se afirma como uma coisa» nem como uma «possessão» mas «é um encontro com uma pessoa», assinalou.

Na missa que a que presidiu antes da audiência, Francisco centrou-se na atitude do clero e nas tentações a que está sujeito, tendo insistido na importância da oração de toda a Igreja para o afastar das falhas.
«Um bispo não é bispo para si próprio, mas para o povo; e um padre não é padre para si mesmo, é para o povo», defendendo o seu «rebanho» dos «lobos», disse na eucaristia celebrada na Casa de Santa Marta.
Citando Santo Agostinho, o papa mencionou duas das tentações a que o clero é submetido: «a riqueza, que pode tornar-se avareza, e a vaidade».
«Quando um bispo, um padre envereda pela estrada da vaidade, entra no espírito do carreirismo – e faz tanto mal à Igreja; no fim faz figura de ridículo, vangloria-se, dá-lhe prazer tornar-se notado, todo poderoso… E o povo não gosta disso», referiu.

O papa pediu aos fiéis para rezarem pelo clero, de modo que «permaneça fiel», seja «pobre» e «humilde» e esteja «ao serviço do povo»: «Se andamos pela estrada das riquezas, se andamos pela estrada da vaidade, tornamo-nos lobos, e não pastores».
No Dia Internacional da Família, 15 de maio, e quando a Igreja assinala em Portugal a Semana da Vida, a conta do papa Francisco no Twitter publicou a seguinte mensagem: «É Deus que dá a vida. Respeitemos e amemos a vida humana, especialmente a vida indefesa no ventre de sua mãe».
Rui Jorge Martins
Fotos: Rádio Vaticano
© SNPC |
15.05.13









