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Natal para Deus, Natal para quem precisa

A necessidade de recentrar o Natal na oração e no silêncio, a par do apelo à justiça social e à generosidade com o número crescente de pessoas que passam dificuldades, constituem algumas das principais tónicas das mensagens de Natal dos bispos de Portugal.

Os excertos de algumas das mensagens que selecionámos são encabeçados por subtítulos da responsabilidade da redação do site do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

 

Sobriedade, justiça e piedade são presentes que só Cristo pode dar

«É a esperança que vivemos e celebramos no Mistério do Natal de Jesus. O que pressupõe que não pode haver Natal, nem espírito de Natal, como Festa do Encontro, sem o encontro pessoal com a Pessoa de Jesus, lá onde Ele continua a salvar e a libertar: na Palavra e nos Sacramentos, na comunidade e no rosto de cada irmão. Sobriedade, justiça e piedade são "presentes" que só o Deus-Menino nos pode dar.» (D. António Braga, bispo de Angra)

 

Ler o papa Francisco

«Seria um bom presente de Natal, se nos oferecêssemos algum tempo para celebrar a nossa fé com as nossas comunidades e famílias, para dialogarmos uns com os outros e para ler os dois últimos escritos do Papa, a Exortação apostólica "Evangelii Gaudium" e a Mensagem para o Dia Mundial da Paz, "Fraternidade, Fundamento e Caminho para a Paz". Estes documentos fornecem temas ricos para o nosso diálogo e reflexão. Vêm fundamentar as causas da nossa alegria, reavivar a nossa esperança e fazem-nos ver também o porquê de tanta tristeza, miséria e infelicidade à nossa volta.» (D. António Vitalino, bispo de Beja)

 

Fixemo-nos menos em nós e mais nos outros

«Fomos criados para a misericórdia e o melhor exercício de misericórdia que podemos produzir é ajudar a “calçar” os inúmeros pés descalços que circulam pela nossa sociedade: os pés calejados pela discriminação, os pés feridos pelo desemprego e os pés ensanguentados pela fome. Por isso, gostaria de apelar a que, na noite de Natal, acendêssemos aquela vela que a Cáritas Portuguesa tem distribuído pelo país, e recordássemos todos os pés descalços que circulam a nossa vizinhança a reclamar uma vida nova. Impõe-se que descentralizemos a nossa atenção: fixemo-nos menos em nós e mais nos outros.» (D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga)

 

Deus continua a escolher a periferia das periferias

«Deus continua a escolher a periferia das periferias, para que ninguém se sinta excluído do seu abraço e faz-se homem, amando-nos com um coração de carne. O grande M. Torga também o expressou deste modo poético: "sei o teu nome na página da noite, Menino Deus… E fico a meditar no milagre dobrado de ser Deus e menino. Em Deus não acredito. Mas em ti, como posso duvidar?"» (D. José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda)

 

Os mais frágeis devem ser a prioridade da política, economia, finança e empresas

«Não podemos resolver todos os problemas uns dos outros, mas sabemos que podemos, pelo menos, atenuá-los. Podemos pedir àqueles que são responsáveis pela política, pela economia, pelas finanças, pelo trabalho, que tenham em conta todos os seres humanos, todos os filhos de Deus, de modo particular os mais frágeis. E para além disso, sabemos que podemos ter uma atitude de proximidade, solidariedade, fraternidade e amor, que pode, não só no Natal, mas pelo menos no Natal, minorar muitas daquelas que são as dificuldades (...).» (D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra)

 

Celebrar o Natal é ampliar a hospedaria do mundo

«A sociedade dos humanos, que não recebeu o Salvador, continua a não ter lugar para acolher os que precisam. Mas, ao mesmo tempo, no coração humano, há muitos lugares disponíveis para a defesa dos interesses individuais. É mais fácil acolher a exploração do que a promoção; a avareza do que a generosidade; os excessos do que a compaixão; o hedonismo do que a renúncia; a vaidade do que a simplicidade; o egoísmo do que a caridade. (...) A autêntica celebração de Natal é aquela que se esforça por ampliar as dimensões da hospedaria do mundo, de forma que haja lugar para todos os seres humanos. Todos são portadores da mesma dignidade original, todos têm direito a um lugar e a uma vida digna.» (D. José Alves, arcebispo de Évora)

 

Que o Natal não seja apenas mais um acontecimento social

«Que o Natal não seja apenas mais um acontecimento social que possa fazer esquecer os dramas e dificuldades da vida presente. É que Jesus vem, todos os dias e a todos os momentos, ao nosso encontro, pedindo-nos, por inteiro, o nosso amor e o nosso coração. Só Ele transforma e configura a nossa história com a Verdade e o Amor!» (D. António Carrilho, bispo do Funchal)

 

Quando é o dinheiro a governar, o ser humano é deitado ao lixo

«O trabalho, é sem dúvida, um direito fundamental. E do trabalho espera-se que ele seja realizador de riqueza, traduzida ou não em dinheiro; mas espera-se sobretudo que ele seja caminho de realização pessoal para quem trabalha. É principalmente por esta última razão que o Papa Francisco insiste em que precisamos de voltar a colocar no centro a pessoa humana e o trabalho. Se, pelo contrário continuarmos a ceder à tentação de deixar que o dinheiro tenha a primazia, entramos por caminhos que levam à exclusão e à desigualdade. E quando permitimos que o dinheiro, em vez de servir esteja a governar, continua ele, o ser humano passa a ser considerado como mais um bem de consumo que se pode usar e depois deitar fora.» (D. Manuel Felício, bispo da Guarda)

 

Há de bater à tua porta uma criança. Deixa-a entrar 

«Meu irmão de Dezembro, levanta-te, olha em redor e vê que já nasceu o dia, e há de andar por aí uma roda de alegria. Se não souberes a letra, a música ou a dança, não te admires, porque tudo é novo. Olha com mais atenção. Se mesmo assim ainda nada vires, então olha com os olhos fechados, olha apenas com o coração, que há de bater à tua porta uma criança. Deixa-a entrar. Faz-lhe uma carícia. É ela que traz a música e a letra da canção. Ela é a Notícia.» (D. António Couto, bispo de Lamego)

 

Deus de ternura

«O Natal põe no centro da nossa contemplação o rosto de um Deus de ternura que se fez homem para nos abraçar na sua amizade, para nos envolver na sua luz, para partilhar as nossa alegrias e tristezas, para reconfortar e tratar as diversas chagas da vida, para cuidar dos feridos e aquecer os corações distanciados pela indiferença, para abater todos os muros que dividem, para oferecer a verdadeira paz. (...) Pensamos que a encarnação de Jesus é um facto apenas do passado que não nos toca pessoalmente? Ofereçamos-Lhe a nossa carne, o nosso coração, a nossa pessoa para comunicar a sua ternura ao mundo de hoje!» (D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima)

 

Estamos longe de acolher Cristo

«A “globalização da indiferença”, “a corrupção com aparências de bem”, a “exclusão social”, “a cultura de rejeição” dos idosos, indefesos e de quem não produz, o “escândalo mundial” que é a fome de uns por ganância de outros, são exemplos claros que fazem vir ao de cima quão longe estamos de saber receber Jesus Cristo na fé e na caridade para darmos testemunho da gloriosa esperança do Seu reino: reino de justiça, de amor e de paz.» (D. Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco)

 

Solidariedade para superar individualismo e mesquinhez

«Deus cuida de nós e precisa de nós. Para nascer e vir ao mundo pediu a colaboração de Maria e de José. Hoje também pede a nossa colaboração para que o Seu reino de paz, justiça e reconciliação cresça entre os homens. (...) Sem a luz da fé vivemos sem esperança e corremos o risco de nos fecharmos no individualismo, na solidão, na mesquinhez. Em vez de lamentarmos estas situações demos o nosso contributo para as ultrapassar, colaborando com os nossos gestos quotidianos de atenção, apreço, disponibilidade e solidariedade para uma maior união e alegria entre todos.» (D. Manuel Pelino, bispo de Santarém)

 

Ser pão para quem sofre com desemprego, fome, doença ou outra pobreza

«O encanto do Natal vem deste Menino-Pão-partido-para-a-vida-do-mundo. Pão divino capaz de matar a nossa fome de vida, de amor e de alegria e capaz fazer novas todas as coisas! (...) Alimentado pelo Amor deste Menino, cada um de nós seja pão-de-amor-e-de-alegria-na-esperança para alguém que esteja a sofrer o desemprego, a droga, a fome, a solidão, o desencanto da vida, a doença, a violência ou outra pobreza.» (D. Gilberto Reis, bispo de Setúbal)

 

Voltar a ser como crianças

«Para um Natal feliz, para um Natal que nos aproxime do Reino de Deus, é necessário em primeiro lugar que nos tornemos como crianças, isto é, que tomemos consciência das nossas fragilidades, limitações e necessidades. Afinal, todos nós estamos profundamente dependentes uns dos outros.» (D. Anacleto Oliveira, bispo de Viana do Castelo).

 

Os bens ao serviço de quem precisa

«Peço para colocar os bens salvíficos, que Deus nos dá, em prol dos que vivem nas periferias da ignorância, do abandono, da solidão, do desespero e da pobreza material, moral e espiritual, cientes de que a Luz de Deus brilha, nas trevas, para ser recebida e tornar filhos e herdeiros, não nascidos da carne, do sangue ou da vontade humana, mas de Deus (…).» (D. Amândio Tomás, bispo de Vila Real)

 

Tanto desperdício e tão pouca partilha

«Quero convidar todas as pessoas a que privilegiem aquelas outras que vivem com dificuldades, seja porque não têm emprego, porque não têm saúde, porque não têm alimento, porque não têm casa ou porque não têm amigos. É triste não ter alguma coisa destas porque todas são precisas para sermos felizes. É triste não ter e saber que algumas pessoas têm isto tudo e estragam, sem partilhar com os irmãos. (...) Deus quer que, do que não precisamos, partilhemos com as pessoas a quem falta. E há tantas pessoas a quem tudo isto faz falta; e há tantas pessoas que estragam o que deveria pertencer àquelas que não têm o que precisam.» (D. Ilídio Leandro, bispo de Viseu)

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 23.12.13

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