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Testemunho

«O homem a quem devemos a vida tornou-se Papa»

«Durante muito tempo, acusaram-no de ter-se voltado para a outra parte, cobarde e cúmplice. Mas, por ele, testemunham as vozes da "lista", aquelas que, desde a primeira página, falam através dos encontros pessoais, das entrevistas, dos documentos de investigação e das declarações prestadas às comissões de inquérito.

Alguns dos “salvos por Bergoglio” pediram que não mencionasse onde e de que maneira aconteceram os nossos encontros. Outros preferiram remeter-nos para recortes de jornais e memórias escritas que integrámos com os nossos encontros anotados entre as atas judiciárias. Por razões de privacidade que o leitor poderá compreender, devido à delicadeza do assunto, sobre algumas reconstituições não reportamos as circunstâncias, os lugares e as datas em que foram conhecidas.»

É com estas palavras que Nello Scavo, autor de “A lista de Bergoglio”, introduz o livro com testemunhos de pessoas que dizem ter escapado à prisão, interrogatórios,  torturas e desaparecimentos – estimam-se em pelo menos 30 mil - operados pelo regime ditatorial militar argentino entre 1976 e os primeiros anos da década de 80, graças à ação do papa Francisco, ao tempo padre da Companhia de Jesus.

O jornalista italiano está em Portugal até segunda-feira para participar em conferências e ser entrevistado em vários órgãos de comunicação - televisão, rádio e imprensa escrita – da Igreja e de fora do âmbito eclesial.

Apresentamos um dos testemunhos relatados no volume editado em Portugal pela Paulinas Editora.

 

Sérgio e Ana Gobulin
«Nós, catequistas na “villa miséria” devemos-lhe a vida

«Partiram as portas. Atiraram tudo pelos ares. Disseram que procuravam armas.» Nem se importaram com a menina pequenina de uma família que só tinha o azar de lutar pelos direitos e pela dignidade dos marginalizados. Foi uma intimidação.

A polícia secreta não gostava daquela ideia de «libertação » que se infiltrava em todos os cantos da sociedade, que penetrava nas diversas estruturas: na Igreja aberta ao mundo, que envolvia experiências e personalidades que, pouco antes, nunca se teriam encontrado, nas organizações sindicais, nas faculdades universitárias, nos bairros de toda a Argentina.

A voz de Sergio e de Ana Gobulin mostra bem a emoção de quem tem de desenvencilhar o arame farpado das recordações para encontrar o sentido do que aconteceu.

«Ao contrário de tudo o que alguns querem fazer crer, Bergoglio era parte deste clima de novidade. Com os pés bem assentes na tradição dos valores cristãos e o olhar fixo lá bem longe, mais do que poderíamos imaginar», diz Sergio. Foi por causa daquele realismo sadio que o padre Jorge conseguiu convencê-los de que, se fossem mortos, ele a e a sua esposa nunca teriam podido continuar na sua missão.

Contam sem saudades o que aconteceu. Há trinta anos que vivem na Itália, depois de uma rocambolesca fuga de Buenos Aires. Não lhes foi nada fácil ambientarem-se em Friuli, de onde Sergio tinha partido com os pais quando era uma criança inconsciente do que haveria de ser a sua vida em terras remotas e prenhes de esperança.

Agora, que vai pelos setenta, Gobulin bebe, saboreando, palavras e recordações, como se faz quando se quer ter a certeza de pôr na balança da vida somente o que tem valor. «Animado com o elã pós-conciliar, decidi deixar a Província de Santa Fé para ir estudar Teologia na capital federal.» No Colégio dos Jesuítas, em San Miguel, também os leigos podiam estudar. Sérgio continua a contar: «Em 1970, ainda estudante de Teologia, decidi, por coerência com as minhas convicções, ir viver para uma villa miseria [bairros de lata, ndr] na periferia de Buenos Aires. Com um grupo cada vez mais numeroso de residentes do bairro, empenhámo-nos em vários trabalhos: assistência a famílias paupérrimas que provinham do interior do país e das nações limítrofes, criação de uma escola noturna para a alfabetização dos adultos, assistência na saúde, assistência a mães jovens e outras obras de utilidade social.

Eram os anos da esperança na construção de uma sociedade mais justa, o que, recorda Gobulin, «comportava uma opção preferencial pelos marginalizados», o que significava, em primeiro lugar, estar no meio deles.

Foi naquele período que conheceu Bergoglio. Jorge ainda não era sacerdote. Será ordenado no dia 13 de dezembro de 1969, quatro dias antes de festejar os seus trinta e três anos. Entretanto, Sérgio ganhava a vida trabalhando como empregado num dos centros de investigação da Companhia. Foi lá que encontrou a futura esposa. Ana era mestra dos filhos de alguns professores.

Dali em diante, a amizade entre o padre Jorge e Gobulin percorrerá milhares de quilómetros. Coube a Sergio acompanhar o futuro pontífice nas suas viagens de carro pelo interior do país. Entre as extensões infindas da pampa ou atravessando os bairros de lata esquecidos, «não somente se falava da missão da Igreja, do empenhamento dos cristãos, mas também da situação argentina, das mudanças, das esperanças e das dificuldades».

Na villa miseria, Sergio ajudava a encontrar ou recuperar o material para construir as casas, para consertar as ruas, socorrer famílias quando havia inundações, escavar canais, construir uma rede para a água potável e outras estruturas para a comunidade. Foi assim que nasceu uma escola para a alfabetização, um ambulatório para a assistência médica de base, um centro para acompanhamento das mães adolescentes.

«Apesar das grandes dificuldades, havia um clima de alegria entre as pessoas. Organizávamos serões de festa e baile, em que participava grande parte da população da villa para recolher os fundos necessários para o material. Ríamo-nos quando falávamos de “recolher dinheiro entre pessoas que não o têm”.»

«Os anos da ditadura foram anos de negação absoluta de todas as liberdades: de pensamento, de palavra, de informação, de ação – recorda Gobulin. – Anos de dura repressão contra aqueles que se opunham à Junta. Reagimos, muitos, sobretudo jovens, convencidos da necessidade de nos opormos a esta negação que calcava os direitos fundamentais da pessoa. Agimos no nosso trabalho quotidiano, dia após dia. Por isso, muitos, mais de trinta mil, entraram no “túnel do desaparecimento” sem nunca mais de lá saírem.»

Do alfabeto à reivindicação política, o passo é curto. Na villa miseria, as pessoas começavam a mostrar-se. Pediam para deixarem de os tratar como cidadãos de terceira classe. Também Bergoglio, depois de ser nomeado provincial, quis conhecer de mais perto aquelas realidades. «A primeira vez, ficou connosco alguns dias. Voltou ao Colégio profundamente impressionado com aquela experiência.»

Sergio e Ana casaram-se no dia 14 de novembro de 1975. A celebração, numa paróquia de bairro, foi presidida pelo padre Jorge. Estavam presentes os pais dos noivos, que du rante anos esconderam ciosamente a fotografia do casamento, uma recordação preciosa que não queriam que caísse nas mãos da polícia.

Poucos dias depois de terem prometido um ao outro amor eterno, encontraram a casa toda revolvida pelos militares. O casal estava no cinema. Quando voltaram, parecia que tinha passado por ali um batalhão de tanques de guerra. «Não havíamos feito nada de mal, não tínhamos armas, não pertencíamos a nenhuma organização terrorista», diz Sergio.

Com a esposa e os vizinhos do bairro limparam a casa e puseram tudo em ordem. Continuaram como se nada tivesse acontecido, com a certeza de que o seu esforço entre os marginalizados não ocultava segundas intenções.

Um ano depois, no dia 11 de outubro de 1976, Sérgio Gobulin foi chupado. Naquela manhã, concederam-lhe um dia de folga. Precisava daquele dia de licença para pôr em ordem algumas coisas de família. Também Ana tinha ficado em casa. Mais vinte e quatro horas e acabaria a licença de maternidade. Mostrando algum amadorismo, os caçadores de dissidentes não sabiam disso. Por pouco, a operação não acabou num fracasso embaraçoso. Quando descobriram que Sergio não estava no trabalho, correram a procurá-lo no bairro. Cruzaram-se com ele na rua, não longe da barraca.

Uma saraivada de murros, um saco de juta enfiado na cabeça, as mãos amarradas atrás das costas. Levaram-no sem lhe darem tempo de reagir. Mas as colegas de Ana conseguiram avisá-la. Alguns homens de comportamento inequívoco apresentaram-se na escola onde a rapariga ensinava. Conseguiu esconder-se em casa de alguns conhecidos, escapando ao pior que podia acontecer-lhe. Sergio não. Durante dezoito dias, esteve nas mãos de desconhecidos que o transferiram algumas vezes: prisões, casas particulares, barracas, e novamente prisões. Sempre a mesma pergunta: «O que fazeis no bairro? Quem faz parte do vosso grupo de terroristas? » Foram procurar Ana em casa dos pais. Nada de armas. Nada de documentos suspeitos. «E, então, o que quereis?», perguntou a mãe. «Aqueles que têm as armas na cabeça», responderam.

Logo que o padre Jorge foi informado, fez desencadear uma operação de salvamento em duas direções: arrancar Sergio aos militares e pôr Ana em segurança. Como de costume, o jesuíta começou a investigar por conta própria. Perguntando no lugar e olhando à sua volta. Foi falar com alguns oficiais para defender a causa dos seus amigos. Depois das peripécias habituais, conseguiu tirar Sergio.

«Os dezoito dias do meu sequestro – conta Gobulin – foram realmente duros, não somente por causa das torturas físicas, mas sobretudo das psicológicas. Depois da minha libertação soube, através dos meus familiares, dos esforços que o padre Jorge fez à minha procura e para me libertar, e dos do então vice-cônsul da Itália na Argentina, Enrico Calamai.»

Muitíssimas vezes, durante aqueles dias, quando já tinha perdido a noção do tempo, Sergio temera ter chegado o seu fim.

No dia 29 de outubro, tinha a certeza de que iria acabar mal. Pediram-lhe mais uma revisão, a enésima. Na realidade, era o «adeus» dos algozes. Naquelas três semanas, nunca tinha conseguido ver-lhes a cara. Foi descarregado na rua, não longe da casa dos sogros, amarrado e vendado, tão dolorido que não conseguiu pôr-se em pé.

Pouco tempo antes, através da Nunciatura Apostólica, Bergoglio conseguiu que Enrico Calamai − o heroico cônsul italiano protagonista de centenas de salvamentos − se interessasse pela questão.

«Depois da minha libertação, Calamai fez com que eu fosse internado no Hospital Italiano de Buenos Aires, juntamente com a minha esposa e a minha filha, por motivos de segurança. Eu e Ana pensávamos que, depois de ter recuperado a minha saúde, seríamos afastados da capital.»

Permaneceram na enfermaria mais de um mês. Um dia, confiaram ao seu amigo jesuíta o seu plano: mudarem-se para o interior argentino. Longe dos militares, para poderem recomeçar.

«É o tempo da coragem. Aqui, as dificuldades nunca mais acabarão, nem para vós nem para a Argentina. Irão procurar-vos novamente. Ouvi-me, deixai o país», exortou- -os o padre Jorge. Sergio Gobulin recorda: «Contou-nos várias tentativas que fez para obter a minha liberdade e demonstrar a minha inocência, tentativas que tinham exigido que ele se encontrasse com diversas personalidades da hierarquia das Forças Armadas. Por isso, repetiu-nos que fôssemos embora. Sabia que outros grupos do Exército andavam à minha procura.»

«Quando as minhas condições de saúde permitiram, o doutor Calamai acompanhou-nos às repartições competentes para obtermos a documentação necessária e pediu-me que fizesse uma declaração do que acontecera, porque seria útil ao Governo italiano para documentar os casos de sequestro e desaparecimento dos seus cidadãos.»

Contactado para verificar esta reconstituição, Calamai explicou que nunca «tratara nada diretamente com Bergoglio. Aliás, naqueles anos, nunca tinha ouvido o seu nome». Contudo, a partir da Nunciatura, «chegavam até mim algumas indicações, e não excluo que a dos Gobulin fosse uma delas». Sergio e a esposa contam que receberam um passaporte novinho diretamente do Consulado italiano e três bilhetes de ida para a Itália.

Calamai acompanhou-os para completarem os documentos de expatriação: «Até ficava connosco na fila dos guichés. Havia a possibilidade de novo rapto, mas na presença de um diplomata o risco era muito menor», recorda Sergio com toda a gratidão que se deve a um herói como aquele, capaz de salvar centenas de vidas fornecendo um salvo-conduto a quem lho pedisse. Uma personagem assim deveria merecer, pelo menos, a promoção aos graus superiores, até um lugar de senador vitalício. Pelo contrário, perdeu a carreira.

Também Jorge Bergoglio teve de pagar um preço aos caluniadores profissionais. Foi esta a única razão que convenceu Sergio e Ana a romperem o pacto de silêncio que dura há quase 40 anos. Uma história de que nunca tinham querido falar a ninguém. Hoje afirmam: «Em vez de entrar na polémica que envolveu Bergoglio sobre o que aconteceu durante a ditadura; em vez de querermos fazer parte das listas a favor ou contra, a nossa intenção é dar testemunho público, portanto não somente pessoal, daquele período, que acreditamos vai além da figura de Bergoglio.» Sergio e Ana precisam: «Não nos interessa fazer publicidade nem aproveitar da amizade com o padre Jorge. O homem a quem devemos a vida tornou-se Papa. E nós, que o conhecemos de perto, não podemos deixar de ver nisso um desígnio da Providência.»

Os perseguidores que fizeram afogar dezenas de milhares de dissidentes nas águas do rio La Plata não gostavam de subtilezas. A equação não admitia alternativas: viver entre os pobres queria dizer que se era «comunista». Sergio e Ana entendiam a política como empenhamento, como solidariedade, como defesa dos mais fracos. Mas não bastou.

«Lembro-me de quando Jorge ia à minha barraca de chapas e terra batida – recorda Sergio. – Ficava alguns dias em retiro espiritual. Era um daqueles momentos que se percebia que ele não era pessoa de conversas e leituras teológicas debaixo de uma ventoinha. Era um homem de missão. Ouvia os pobres, observava-os na sua miséria e nos seus ímpetos. Mergulhava na sua realidade, no sofrimento das pessoas, entrava na profundidade dos seus corações para, depois, voltar a subir transmitindo a sua mensagem de esperança.»

Destas suas visitas aos embarracados, o padre Jorge não falava com quase ninguém. «Vivíamos um grande momento de transformação. Éramos parte de uma comunidade que finalmente se renovava. Havia um fermento de que nunca mais nos poderemos esquecer – recordam os cônjuges que, em julho de 2013, se dirigiram a Aparecida, no Brasil, durante a Jornada Mundial da Juventude, para voltar a abraçar o amigo que se tornou papa Francisco.

Sergio repete aquilo de que não quer esquecer-se: «Tive a felicidade de sair vivo de lá. Mas foi mérito da teimosia de pessoas importantes, que me procuraram nas diversas casernas do horror. É neste contexto que emerge a figura de Bergoglio.»

Para eles, voltar ao Cone Sul é sempre uma experiência do coração. É impossível apagar o que aconteceu no dia 17 de janeiro de 1977. Chegaram ao molhe do cais de Buenos Aires. Também lá estava o padre Jorge, que observava o barco a vapor sulcar o reflexo de um pôr do sol de verão. Um daqueles barcos em que os nossos pais tinham desembarcado na Argentina. Também Sergio tinha chegado ao «novo mundo» vinte e seis anos antes, quando era uma criança de quatro. «Quando o navio ancorou, percebemos que o padre Jorge nos tinha salvado a vida. Também nos tinha dado dinheiro para as despesas do expatriamento. Se não fosse ele, não estaríamos aqui a falar disso.»

Às vezes, a vida anicha-se num pormenor. A contabilidade macabra das vidas desperdiçadas, dos sonhos desfeitos em grande percentagem, teria podido ser até mais cruel se não tivesse havido pessoas como Bergoglio. «Além de “libertar” pessoas que tinham desaparecido ou outras que estavam em risco de desaparecer, o padre Jorge salvou “de modo indireto” muitíssimas vidas. Esta afirmação − observa Sérgio Gobulin – não foi o resultado de um raciocínio demonstrável, mas de uma convicção amadurecida depois da minha libertação.» É um raciocínio que nos leva muito longe. «Para realizar e estender capilarmente o plano repressivo, a ditadura militar queria que as suas vítimas contassem as histórias e os factos, mas sobretudo os “nomes”. Arrancar, através da tortura física, psicológica ou também drogando as vítimas, os nomes de amigos, dos companheiros de trabalho, dos vizinhos, era a prática para realizar futuros desaparecimentos.» O grau de resistência variava de pessoa para pessoa. Havia quem esvaziasse o saco logo que via os «ferros» e quem só cedesse depois de reduzido a pedaços. É evidente que quanto mais tempo se passasse nas câmaras do horror tanto mais iria cedendo a barreira do suportável.»

Precisamente por isso, muitíssimas pessoas foram salvas «sem saberem» pelo esforço de Bergoglio. «Quando ele, como no meu caso, conseguia reduzir algumas semanas ou até meses o tempo de permanência na mão dos carrascos, era muito provável que eles ainda não tivessem na mão os nomes que procuravam. Assim, dezenas de pessoas não foram nem sequer roçadas pelos militares só porque se conseguiu a tempo não deixar circular os “episódios suspeitos” sobre elas», diz Sergio.

O padre Jorge nunca deixou de telefonar para Sergio e Ana. Seis meses depois de terem embarcado rumo a Itália, Bergoglio quis ver pessoalmente como é que os Gobulin conseguiram organizar-se. Foi ter com eles a Friuli.

No ano anterior, fora o terramoto devastador nas regiões do Nordeste. Também quando Bergoglio chegou, houve um tremor de terra em plena noite. «Peguei na minha filha e fui para fora de casa, enquanto Sergio despertava Jorge», recorda Ana. Entre a multidão na rua ninguém sabia que o hóspede dos Gobulin era um padre. As pessoas, aterrorizadas com as devastações do ano passado, começaram a orar na escuridão, implorando a proteção do Criador. O jesuíta argentino ficou tão impressionado com tanta devoção, que na manhã seguinte quis ser acompanhado pelas ruas da região para ver de perto aqueles fiéis devotos. «Voltámos a ver alguns deles. Tendo voltado a normalidade, em vez de rezar, praguejavam.» Bergoglio não se perturbou. Preferiu calar-se e orar por eles.

Alguns anos depois, quando a família Gobulin pôde encontrar-se uma vez mais com o amigo padre de Buenos Aires, relembrou-lhe aquela breve estadia em Friuli. Repentinamente, com aquela expressão manhosa que talvez anuncie alguma trovoada, perguntou: «Lá no vosso país, continuais a orar sempre daquela maneira?»

São muitas as coisas de que Sergio e Ana nunca poderão esquecer do padre Jorge. Como, quando em 1978, seis meses depois do adeus à Argentina, o provincial foi procurar a mãe de Sergio, que tinha ficada no país com o resto da família. Entregou-lhe um envelope. Dentro, estava o dinheiro para uma viagem: «Vá visitar o seu filho.»

 

Nelio Scavo
In A lista de Bergoglio, ed. Paulinas
01.12.13

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