O maior entre vós é o vosso servo
«Então, Jesus falou assim à multidão e aos seus discípulos: “Os doutores da Lei e os fariseus instalaram-se na cátedra de Moisés. Fazei, pois, e observai tudo o que eles disserem, mas não imiteis as suas obras, pois eles dizem e não fazem. Atam fardos pesados e insuportáveis e colocam-nos aos ombros dos outros, mas eles não põem nem um dedo para os deslocar. Tudo o que fazem é com o fim de se tornarem notados pelos homens. Por isso, alargam as filactérias e alongam as orlas dos seus mantos. Gostam de ocupar o primeiro lugar nos banquetes e os primeiros assentos nas sinagogas. Gostam das saudações nas praças públicas e de serem chamados ‘mestres’ pelos homens. Quanto a vós, não vos deixeis tratar por ‘mestres’, pois um só é o vosso Mestre, e vós sois todos irmãos. E, na terra, a ninguém chameis ‘Pai’, porque um só é o vosso ‘Pai’: aquele que está no Céu. Nem permitais que vos tratem por ‘doutores’, porque um só é o vosso ‘Doutor’: Cristo. O maior de entre vós será o vosso servo. Quem se exaltar será humilhado e quem se humilhar será exaltado.”» (Mateus 23, 1-12)
A Litania da Humildade, redigida pelo cardeal Merry Del Val (1865-1930), é uma oração que vale a pena meditar:
«Do desejo de ser estimado, livra-me ó Jesus.
Do desejo de ser amado, livra-me, ó Jesus.
Do desejo de ser elogiado, livra-me, ó Jesus.
Do desejo de ser honrado, livra-me, ó Jesus.
Do desejo de ser louvado, livra-me, ó Jesus.
Do desejo de ser preferido no lugar dos outros, livra-me, ó Jesus.
Do desejo de ser consultado, livra-me, ó Jesus.
Do desejo de ser aprovado, livra-me, ó Jesus.
Do temor de ser humilhado, livra-me, ó Jesus.
Do temor de ser desprezado, livra-me, ó Jesus.
Do temor de sofrer, livra-me, ó Jesus.
Do temor de ser caluniado, livra-me, ó Jesus.
Do temor de sofrer repulsa, livra-me, ó Jesus.
Do temor de ser esquecido, livra-me, ó Jesus.
Do temor de ser ridicularizado, livra-me, ó Jesus.
Do temor de ser injuriado, livra-me, ó Jesus.
Do temor de que de mim suspeitem algo, livra-me, ó Jesus.
Que os outros sejam amados mais do que eu, Jesus, dá-me a graça de o desejar!
Que os outros sejam estimados mais do que eu, Jesus, dá-me a graça de o desejar!
Que os outros possam crescer na opinião do mundo e que eu possa diminuir, Jesus, dá-me a graça de o desejar!
Que os outros possam ser escolhidos e que eu seja colocado de lado, Jesus, dá-me a graça de o desejar!
Que os outros possam ser louvados e que eu não seja notado, Jesus, dá-me a graça de o desejar!
Que os outros possam ser preferidos e que eu seja esquecido, Jesus, dá-me a graça de o desejar! (...)»
Estou certo que concordará que esta é uma oração desafiante se assumirmos o que pede. Lembrei-me dela por causa dos reparos de Jesus aos fariseus no evangelho de hoje. Jesus criticou os fariseus por muitos motivos e um deles era o facto de quererem ser melhores do que todos os outros em público. A Litania da Humildade era uma oração que os fariseus fariam bem em rezar e praticar. Há um pouco dos fariseus dentro de cada um de nós, talvez mais nuns do que noutros.
O final da primeira leitura de hoje é extraordinário: «Porventura, não temos nós todos um único pai? Não foi o mesmo Deus que nos criou?» (Malaquias 2, 10). Não há favoritos aos olhos de Deus. Os fariseus tinham-no esquecido.
Que distante anda o nosso mundo do espírito do evangelho!
Jesus e Maria são dois grandes exemplos de humildade e serviço. Maria disse ao anjo Gabriel: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lucas 1, 38). Quando Maria consentiu ser mãe de Jesus correu o risco de ser apedrejada até à morte porque essa era a pena imposta às mães solteiras (Deuteronómio 22, 20-21). Mas Maria na sua humildade e desejo de servir Deus não só concordou em ser mãe como também sofrer a rejeição. Ela é modelo de quem dá sem calcular o preço.
Jesus é outro exemplo de humildade. Na oração que rezou no Monte das Oliveiras ganhou força para deixar partir a sua vontade e submeter-se à do Pai: «Não se faça a minha vontade, mas a tua» (Lucas 22, 42). O Filho do Homem veio para servir e não para ser servido.
Ao pensarmos nestes dois modelos, no criticismo de Jesus em relação aos fariseus e na Litania da Humildade, somos confrontados com uma pergunta: e nós? Precisamos de crescer em humildade e serviço?
Aos olhos do evangelho não há motivos para olhar os outros do alto. O mundo pode considerar que certas pessoas são notáveis por causa do seu poder, sucesso, dinheiro ou fama mas estas coisas não contam para o valor pessoal. No evangelho cada pessoa é grande se estiver ao serviço. «O maior de entre vós será o vosso servo.»
P. Thomas Lane
In Catholic Exchange
Trad. / adapt.: Rui Jorge Martins
© SNPC |
30.10.11
Duccio








