Ele quer devolver-nos o nosso futuro
Uma mulher caminhava pela rua quando ouviu uma voz que lhe gritou: “Para! Se deres mais um passo, morres!” A mulher deteve-se, e poucos segundos depois um tijolo caiu diante do seu pé. Alguns minutos mais tarde, quando se preparava para cruzar a rua, ouviu outra vez aquela voz: “Espera! Não atravesses agora!” Uma camioneta descontrolada dobrou a esquina, passando pelo sinal vermelho sem sequer abrandar.
Profundamente abalada, a mulher perguntou: “Quem és tu?”
“Sou o teu anjo da guarda”, respondeu a voz. “E imagino que deves ter algumas perguntas para me fazer.”
“Podes crer que sim!”, disse ela. “Onde é que estavas no dia do meu casamento?”
***
Equívocos! Todos nós temos muitos. E com maior ou menor intensidade, a maior parte das pessoas vive no meio deles. É para nós que Jesus fala no Evangelho deste domingo. Ele olha para o opulento templo de Jerusalém e diz: “Virá o dia em que, de tudo isto que estais a contemplar, não ficará pedra sobre pedra”. E olhando para os seus amigos, diz-lhes: “Vocês também desaparecerão.”
Será que Jesus pretende entristecer-nos? Não! Ele está a tentar devolver-nos o futuro, fazendo com que olhemos para o nosso presente enquanto ainda é tempo. Ele está a tentar ajudar-nos a olhar para os nossos erros, reconhecendo-os em alto e bom som, a fim de encontrarmos forma de os resolver com sabedoria, nobreza e criatividade – um talento para o qual não estamos especialmente inclinados.
Sabe qual é a hora e dia da semana em que se registam mais suicídios? Das oito às nove da manhã de segunda-feira, esse terrível momento em que o peso acumulado dos erros cometidos em casa e no mundo é encarado face a face. O desespero que tantas pessoas sentem pelas vidas que construíram... Einstein deu uma definição brilhante de insanidade: “Repetir interminavelmente o mesmo processo, à espera de um resultado diferente”.
Algumas das escolhas feitas pela maior parte de nós basearam-se em valores ou objetivos que já não nos dizem nada. Muitos dos nossos trabalhos, carreiras, amizades, casas e estilos de vidas foram e são verdadeiros equívocos à luz do que Jesus nos ensinou sobre aquilo que realmente interessa. Muitas das nossas antigas escolhas não nos podem levar onde agora percebemos que queremos estar, ou seja, em comunhão, na grande família onde Deus está ao centro.
Se assim é, porque insistimos nestes antigos equívocos? Teremos sido atingidos pela insanidade, repetindo interminavelmente os mesmos comportamentos na expetativa de resultados diferentes? Talvez não, mas estaremos certamente assustados. Com medo de admitir que estivemos errados durante muito tempo. Com medo de mudar. Com medo de recomeçar numa altura tardia da nossa vida. São atitudes compreensivas, mas inúteis. Mantêm-nos atolados nos nossos enganos, e mantêm-nos afastados de usarmos os dons de Deus de maneira plena e feliz, como Ele deseja.
Deus destinou cada um de nós a coisas realmente grandes – não apenas brilhantes. E com este destino vem a garantia de toda a ajuda de que precisamos para as alcançarmos, quaisquer que tenham sido os nossos erros no passado. Por isso, escutemos as palavras que Jesus tantas vezes nos dirige: “Pedi e recebereis. Procurai e encontrareis. Batei e abrir-se-vos-á.” Encare os seus equívocos e reencontre o seu futuro.
P. Dennis Clark
In Catholic Exchange
Trad. / adapt.: rm
© SNPC (trad.) |
19.11.10
Hirofumi Edo/Move Art Management/Corbis






