Espiritualidade
Enfrentar a verdade e abrir as portas à cura
Tendo entrado em Jericó, Jesus atravessava a cidade. Vivia ali um homem rico, chamado Zaqueu, que era chefe de cobradores de impostos. Procurava ver Jesus e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. Correndo à frente, subiu a um sicómoro para o ver, porque Ele devia passar por ali. Quando chegou àquele local, Jesus levantou os olhos e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa.» Ele desceu imediatamente e acolheu Jesus, cheio de alegria. Ao verem aquilo, murmuravam todos entre si, dizendo que tinha ido hospedar-se em casa de um pecador. Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: «Senhor, vou dar metade dos meus bens aos pobres e, se defraudei alguém em qualquer coisa, vou restituir-lhe quatro vezes mais.» Jesus disse-lhe: «Hoje veio a salvação a esta casa, por este ser também filho de Abraão; pois, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.» (Lucas 19, 1-10)
Quantos burocratas são precisos para trocar uma lâmpada? Dois: um para assegurar que está a ser feito tudo o que é possível, enquanto o outro enrosca a lâmpada numa torneira.
Se pensarmos, concluíremos que esta não é uma descrição de todo desacertada das nossas vidas: certificamo-nos que está a ser feito tudo o que é possível, ao mesmo tempo que atarraxamos a lâmpada numa torneira. É certamente um retrato apropriado de Zaqueu, a figura central deste Evangelho.
James Tissot
Zaqueu era um dos homens mais ricos de Israel. Ocupava o cargo de chefe dos cobradores de impostos, movia-se nos círculos mais influentes e tinha poder – muito poder. Era também vigarista, colaborador do inimigo e alvo do ódio dos seus compatriotas.
Via-se como um homem de sucesso. Mas inesperadamente, no topo da carreira, apercebeu-se claramente que a sua vida não estava a resultar. Tinha um vazio no coração e há muito que não sabia o que era a alegria. Percebeu, intuitivamente, que nunca mais seria feliz se continuasse no mesmo caminho.
Ao contrário de muitos de nós, Zaqueu sabia que tinha de mudar. Por isso, quando ouviu que Jesus ia passar pela cidade, abandonou toda a dignidade de homem conceituado e subiu a um sicómoro para se assegurar que veria este homem santo, que talvez lhe pudesse dizer como encontrar a alegria que faltava à sua vida. O resto é história. Jesus levantou a cabeça, olhou-o nos olhos e disse: “Deixa-me ficar hoje em tua casa”. Jesus ficou e a vida de Zaqueu mudou para sempre quando finalmente encontrou a alegria que há muito procurava.

A história tem um final feliz, e é importante que compreendamos porquê e como é que se chegou a esse desfecho. O ponto de viragem aconteceu antes de Jesus oferecer o seu convite. Aconteceu quando Zaqueu reconheceu a sua infelicidade e decidiu fazer alguma coisa em relação a isso.
Em cada um de nós há lugares da vida que não funcionam, lugares mortos e sem alegria, muitas vezes há anos e anos. E a razão dessa infelicidade é porque persistimos em tentar acender a luz de uma lâmpada enroscada numa torneira. Continuamos à procura da alegria onde ela não pode ser encontrada.
Se nesses lugares ermos da nossa existência pudermos dizer a verdade autêntica que Zaqueu aprendeu a dizer, se conseguirmos ver que algo está errado e precisa de mudar, nesse momento escutaremos as palavras que Jesus nos tem dirigido, palavras que temos rejeitado com as seguranças ilusórias de que está tudo bem conosco. Ouviremo-lo então dizer: «Hoje quero ficar em tua casa. Quero viver no íntimo da tua vida». E então, com o nosso «sim» a Ele, virá a cura, a transformação e a alegria.
Encare hoje a verdade, diga-a a si mesmo e a Deus, e deixe que a sua cura comece!
P. Dennis Clark
In Catholic Exchange
Trad. / adapt.: rm
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Atualizado em 19.09.12
Bernardo Strozzi







