Espiritualidade
Mais perto do que é importante
«Jesus disse a seguinte parábola: «Um homem nobre partiu para uma região longínqua, a fim de tomar posse de um reino e em seguida voltar.
Chamando dez dos seus servos, entregou-lhes dez minas e disse-lhes: ‘Fazei render a mina até que eu volte.’ Mas os seus concidadãos odiavam-no e enviaram uma embaixada atrás dele, para dizer: ‘Não queremos que ele seja nosso rei.’ Quando voltou, depois de tomar posse do reino, mandou chamar os servos a quem entregara o dinheiro, para saber o que tinha ganho cada um deles. O primeiro apresentou-se e disse: ‘Senhor, a tua mina rendeu dez minas.’ Respondeu-lhe: ‘Muito bem, bom servo; já que foste fiel no pouco, receberás o governo de dez cidades.’ O segundo veio e disse: ‘Senhor, a tua mina rendeu cinco minas.’ Respondeu igualmente a este: ‘Recebe, também tu, o governo de cinco cidades.’ Veio outro e disse: ‘Senhor, aqui tens a tua mina que eu tinha guardado num lenço, pois tinha medo de ti, que és homem severo, levantas o que não depositaste e colhes o que não semeaste.’ Disse-lhe ele: ‘Pela tua própria boca te condeno, mau servo! Sabias que sou um homem severo, que levanto o que não depositei e colho o que não semeei; então, porque não entregaste o meu dinheiro ao banco? Ao regressar, tê-lo-ia recuperado com juros.’ E disse aos presentes: ‘Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem dez minas.’ Responderam-lhe: ‘Senhor, ele já tem dez minas!’ Digo-vos Eu: A todo aquele que tem, há de ser dado, mas àquele que não tem, mesmo aquilo que tem lhe será tirado.» (Lucas 19, 11-26)
Um dos fenómenos na nossa sociedade que nunca deixa de nos espantar é o comportamento de esposas vítimas de abusos. Uma mulher e os seus filhos podem ter sido vítimas de violência doméstica e de outras inúmeras atrocidades, mas ainda assim nada faz para sair dessa situação e recusa todas as ofertas de apoio.
“É de loucos”, dizemos. É a mesma reação que temos em relação ao homem deste Evangelho, que optou por enterrar a mina - peça monetária no valor de cem dracmas ou denários – que lhe havia sido confiado em vez de a investir. Em ambos os casos a nossa estranheza tem razão de ser, mas antes de nos precipitarmos em julgamentos morais, será melhor olharmos ao espelho. É que a inércia e a paralisia não são estranhos à maior parte de nós.
Há algo de bizarro na nossa tendência em gerirmos razoavelmente bem as partes menos importantes da nossa vida, deixando que os seus aspetos essenciais sejam prejudicados pela apatia e falta de atenção. Os nossos empréstimos são pagos dentro dos prazos, os nossos automóveis têm a manutenção em dia e não adiamos o corte de cabelo; mas será que acontece o mesmo com os nossos casamentos, os nossos filhos, a nossa espiritualidade...? E a lista poderia continuar.
Nesta parábola, o homem que ficou paralisado recebeu o castigo de um rei furioso. Para nós será diferente. Teremos que viver com os “monstros” criados com a nossa falta de atenção e negligência. Porque haveremos de deixar que isso aconteça? Escolhamos um futuro feliz, dedicando-nos ao que, no presente, é o mais importante.
P. Dennis Clark
In Catholic Exchange
Trad.: rm
© SNPC (trad.) |
19.11.10








