Que lugares andamos a construir?
Numa manhã de fevereiro de 1513, 25 cardeais juntaram-se em Roma e elegeram um novo Papa, Leão X: Giovanni de Medici, um leigo de 32 anos e um playboy. Mal foi ordenado, consagrado e coroado, Leão reuniu os seus parentes para festejar e proferiu as famosas e cínicas palavras: ‘O papado é nosso. Vamos aproveitá-lo!’ E deve ter aproveitado bem, dado que morreu oito anos depois!
A festa que celebrámos a 9 de novembro, a Dedicação da Basílica de Latrão, em Roma, refere-se a um acontecimento ocorrido 1200 anos antes da eleição de Leão X. Ao contrário deste episódio desastroso, foi motivo de alegria para toda a Igreja, e não apenas para uma família decadente.
Durante três séculos, os cristãos haviam sido proscritos e viviam como estrangeiros nas margens da sociedade. E de repente, com a assinatura de Constantino, tornavam-se habitantes de pleno direito e o próprio imperador construiu a sua primeira igreja, a Basílica de Latrão. Finalmente, um lugar só para eles! A 9 de novembro de 324 os cristãos celebravam a mudança para a sua nova casa.
Quer demos conta ou não, cada um de nós ocupa-se todos os dias a construir espaços para as pessoas viverem, embora não o façamos normalmente com martelos e serras. A mulher que prepara a mesa para o pequeno-almoço prepara um lugar para a sua família. A família que se senta à mesa contribui também para compor aquele lugar. O que eles dizem ou não dizem e a maneira como olham uns para os outros tornam aquele espaço bom ou mau durante os breves momentos em que estão juntos.
E assim acontece todo o dia, no escritório, na escola, na igreja ou no ginásio. Aonde quer que vamos, estamos constantemente a construir lugares, ainda que por instantes. Frequentemente não nos apercebemos que estamos permanentemente a mudar o espaço de quem nos rodeia. O que traz aborrecimentos, porque demasiadas vezes não acrescentamos nada a esse espaço; pelo contrário, levamos algo que não nos pertence. E sabe como é que isso se chama? Roubar! Roubar a alegria ou o sossego, as esperanças ou contentamento, seja o que for que pertença a outra pessoa.
A irritação à mesa do pequeno-almoço rouba a alegria da família. O azedume pessimista rouba a esperança das outras pessoas. O jardineiro com o cortador de relva rouba a paz e a quietude de alguém. O condutor que atira a lata de cerveja pela janela rouba uma pequena parte da beleza da vizinhança de alguém. A pessoa que não procura uma oportunidade para dizer “Excelente trabalho!” rouba confiança ao trabalhador. Todos estes roubos são feitos por boas pessoas como nós, que não se apercebem do que estão a fazer. Temos de impedir que isto continue!
Ao assinalar o 1686.º aniversário da mudança dos nossos antepassados para a sua primeira casa-igreja, Deus chama-nos a abrir os olhos para vermos que lugares andamos a construir uns para os outros. Somos bons construtores ou não passamos de assaltantes?
Deus abençoou-nos com tantos dons, tantas dádivas para pessoas qe delas precisam, tantas dádivas que podemos oferecer para construir melhores momentos e melhores lugares.
Que este dia e todos os dias possam ser mais ricos e plenos porque estivemos aqui. Por Cristo, Senhor nosso. Amen.
P. Dennis Clark
In Catholic Exchange
Trad. / adapt.: rm
© SNPC (trad.) |
10.11.10







