Meditação
Quem tudo perde, tudo ganha
Já reparou em quantas pessoas na estrada, nas lojas, nos telejornais ou em qualquer lugar parecem pensar que são as únicas que existem ou, pelo menos, as únicas que contam? É o chamado narcisismo: absorção total em si próprio, nas suas prioridades e desejos. Uma pessoa assim nem sequer vê os outros, a não ser que se metam no seu caminho. «Eu sou tudo o que interessa e tenho direito a tudo o que eu quiser.»
Este tipo de pensamento tem enormes consequências: significa que tudo se aceita desde que seja bom para mim. E, com a passagem do tempo, tudo se perde: amigos, conjugues, compromissos, alegrias autênticas. Passo a passo a pessoa auto-centrada afunda-se cada vez mais em si mesma, cada vez mais presa na sua conceção de vida e sempre melindrada quando é desafiada ou lhe negam alguma coisa.
Tudo isto acontece quando nos desligamos de Deus: perdemos o nosso centro; perdemos a nossa finalidade enquanto seres humanos, que é estender a mão e construir família; e perdemos a nossa alegria. Sucede muito facilmente não apenas aos pagãos mas também aos cristãos. E acontecer-nos-á também a não ser que abramos totalmente os nossos corações ao nosso Deus, mantendo-os abertos e atentos.
Se estamos ligados a Ele, veremos a vida como Ele a vê. Libertar-nos-emos da armadilha do egocentrismo. E aquela oração que São Francisco rezou com um coração tão feliz vai finalmente fazer sentido para nós. Por fim compreenderemos: só encontramos a vida, só encontramos a alegria quando a oferecemos.
«Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar,
que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a vida eterna.» (S. Francisco de Assis)
P. Dennis Clark
In Catholic Exchange
Trad. / adapt.: rm
© SNPC (trad.) |
03.08.12
S. Francisco de Assis







