Meditação
Reconhece que és pobre e torna-te rico
A primeira das bem-aventuranças tem uma sabedoria oculta à nossa espera. A leitura literal diz: “Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu”. Em síntese, Deus entrega o Reino aos pobres porque é generoso.
A mesma bem-aventurança, contudo, pode ser lida noutro sentido: “Felizes os que sabem que são pobres...”. O reconhecimento de que somos pobres e não temos nada de nada, nem sequer as nossas próprias vidas, é uma aprendizagem que para muitos de nós se faz lentamente.
Possuir uma quantidade razoável de bens deste mundo pode distrair-nos da nossa condição de criaturas. Podemos começar a levar-nos demasiadamente a sério. E a não ser que sejamos inesperadamente detidos por alguma tragédia, poderemos ser levados a pensar que somos autossuficientes, dispensando-nos de nos aborrecermos demasiadamente com Deus. Uma vénia ocasional na sua direção é suficiente, pensamos nós.
Na verdade, é um caminho para o desastre porque aprisiona Deus. É esse pecado de presunção que o antigo catecismo avisava que era imperdoável, porque diz: “Não preciso da ajuda de Deus”, que é a maior de todas as mentiras. Nessa circunstância, o toque de despertar, mesmo que venha na forma de uma desgraça, é uma bênção porque nos faz voltar à realidade. Abre a porta e deixa Deus entrar.
Já alguma vez meditou no que significa não possuir nada, nem sequer a própria vida? Já aceitou verdadeiramente o facto de que tudo o que possui é rigorosamente emprestado, incluindo os seus maiores talentos? Este reconhecimento conduziu-o a uma gratidão mais profunda e a uma confiança total em Deus?
Se sim, está no bom caminho e o Reino de Deus será seu. Se não, está com um problema e nem sequer tem consciência disso. Mas há-de ter. Por isso, não esteja à espera de um doloroso toque de despertar. Enfrente os factos agora e entregue a sua vida nas mãos de Deus. Ele é o único que a pode salvar - e é precisamente isso que Ele quer fazer.
P. Dennis Clark
Trad. e adapt.: rm
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08.09.10
S. Francisco renuncia às riquezas (det.)Giotto







