

O papa Francisco criticou hoje, no Vaticano, as pessoas que se dizem e aparecem como cristãs, mas que são «inimigos da cruz de Cristo», «mundanos», «cristãos de nome, com duas ou três coisas de cristão, mas nada mais».
«O nome cristão mas a vida pagã», vincou o papa na missa a que presidiu, citado pela Rádio Vaticano, acrescentando: «Pagãos com duas pinceladas de verniz de cristianismo».
A homilia de Francisco começou por basear-se na primeira das leituras bíblicas proclamadas nas missas desta sexta-feira, em que S. Paulo lamenta os membros das comunidades cristãs que «têm por deus o ventre, orgulham-se da sua vergonha e só apreciam as coisas terrenas».
«Também hoje há tantos. Também nós devemos estar atentos a não deslizar para aquele caminhos de cristãos pagãos, cristãos na aparência. E a tentação de habituar-se à mediocridade, a mediocridade dos cristãos, destes cristãos, é precisamente a sua ruina, porque o coração torna-se morno, tornam-se mornos», disse o papa.
Francisco lembrou palavras da Bíblia sobre as pessoas incapazes de enveredar decididamente pelo cristianismo: «“Porque és morno, vomito-te da minha boca.” É muito forte. São inimigos da cruz de Cristo. Tomam o nome mas não seguem a exigência da vida cristã».
«Eu tenho alguma coisa da mundanidade dentro de mim? Alguma coisa do paganismo? Gosto de vangloriar-me? Agrada-me o orgulho, a soberba? Onde tenho as minhas raízes, ou seja, de onde sou cidadão? Do Céu ou da Terra? No mundo ou no espírito mundano?», questionou.
A seguir, o papa apontou alguns sinais que manifestam a deriva «para a mundanidade»: «Se tu amas e estás preso ao dinheiro, à vaidade e ao orgulho, vais pelo mau caminho», caminho feito do «espírito do mundo» e que, por isso, «leva à perdição».
A partir do excerto do Evangelho proclamado nas eucaristias de hoje (cf. “Artigos relacionados”), em que Jesus conta a parábola de um gerente que, depois de ser despedido pelo patrão, procura enganá-lo.
O papa perguntou: «Como chegou este administrador (...), a ponto de enganar, de roubar o seu senhor? Como chegou, de um dia para o outro?».
«Não. Pouco a pouco. Um dia uma falta aqui, outro dia um corrompimento ali, e assim, pouco a pouco, chega-se à corrupção. O caminho da mundanidade destes inimigos da cruz de Cristo é assim, leva-te à corrupção. E depois acaba como este homem – roubando abertamente», assinalou.
A terminar, Francisco lançou um convite aos presentes na Casa de Santa Marta: «Firmes no Senhor e no exemplo da cruz de Cristo: humildade, pobreza, mansidão, serviço aos outros, adoração, oração».
Alessando Gisotti / Rádio Vaticano