Papa critica «cristãos de palavra» por andarem com Deus nos lábios mas estarem longe dele
«Na história da Igreja há duas classes de cristãos: os cristãos de palavra - os que dizem "Senhor, Senhor, Senhor" - e os cristãos de ação, em verdade», afirmou esta quinta-feira o papa.
Na missa a que presidiu na Casa de Santa Marta, no Vaticano, Francisco sublinhou que «houve sempre a tentação de viver o nosso cristianismo fora da rocha que é Cristo», refere o portal de notícias da Santa Sé.
A «tentação» dos «cristãos de palavra» é aderirem a um «cristianismo sem Cristo», fenómeno que «aconteceu e acontece hoje na Igreja», alertou o papa, numa homilia em que chamou a atenção para as consequências de uma pertença cristã sem vínculo espiritual sólido a Deus.
Um dos subtipos dos «cristãos de palavra» é o «gnóstico», que «em vez de amar a rocha, ama as palavras belas», pelo que não vai além da superfície da vida cristã, enquanto outros se distinguem por uma existência séria e hirta, a «olhar para o chão».
Num extremo está a «tentação do gnosticismo», caracterizada por um «cristianismo "líquido"», e no outro estão as pessoas convictas de «que a vida cristã se deve levar tanto a sério que acabam por confundir solidez, firmeza, com rigidez. São os rígidos! Pensam que para ser cristão é necessário estar sempre de luto», apontou.
Os «cristãos de palavra», prosseguiu o papa, desconhecem «o que seja a rocha, não têm a liberdade dos cristãos» e «não têm alegria».
«Os primeiros têm uma certa alegria superficial. Os outros vivem numa contínua vigília fúnebre, mas não sabem o que é a alegria cristã. Não sabem fruir a vida que Jesus nos dá porque não sabem falar com Jesus», assinalou.
Uns são «escravos da superficialidade» e da «vida difusa», ao passo que outros tornam-se «escravos da rigidez»; em ambos, porém, «o Espírito Santo não encontra lugar».
Rui Jorge Martins
© SNPC |
27.06.13
Papa Francisco








