Papa Francisco tem «sinceridade e autenticidade que nenhum líder mundial pode igualar», diz "Financial Times"
O editorial desta segunda-feira do "Financial Times", um dos mais importantes diários do mundo na área da finança e economia, sublinha que o papa Francisco tem uma «sinceridade e autenticidade que nenhum líder mundial pode igualar».
«No decurso de 2013, nenhuma figura prendeu a imaginação de pessoas em todo o mundo como o papa Francisco», refere o texto do jornal inglês, que começa por recordar as dificuldades que afetavam a Igreja antes do conclave, em março.
Enquanto que o Vaticano «estava submergido no escândalo sobre os abusos sexuais que envolviam sacerdotes», um número significativo de católicos nos EUA e na Europa estava a deixar a Igreja, situações a que se juntou a «repentina resignação de Bento XVI».
«Nos nove meses desde a sua eleição, o papa Francisco começou uma assinalável reformulação na direção e na gestão do papado», embora seja «demasiado cedo» para ajuizar conseguirá atenuar o impacto negativo espalhado na opinião pública devido aos abusos sexuais entre os padres ou se «irá ao encontro das expetativas dos católicos preocupados pela rígida ortodoxia moral do Vaticano».
O artigo menciona três aspetos que tornaram o papa Bergoglio «uma figura de grande atracão este ano para católicos e não católicos», a começar pela «modéstia pessoal»: «Num tempo em que muitos estão profundamente preocupados pela vaidade das celebridades e pela riqueza dos plutocratas, o papa depressa se tornou o líder global símbolo de compaixão e humildade».
«Optou por viver num apartamento de dois quartos, em vez do palácio apostólico. Trocou o Mercedes pontifício por um Ford Focus. A sua determinação, em numerosas ocasiões, em estar física e visivelmente próximo dos doentes e desamparados testemunha um igualitarismo profundamente sentido», assinala o editoral.
As «questões do sexo e do casamento» são igualmente destacadas pelo jornal, que compara Francisco com os seus antecessores imediatos, João Paulo II e Bento XVI, «fortes defensores da ortodoxia moral».
Embora «não tenha impulsionado quaisquer mudanças doutrinais, tem mudado radicalmente o tom e a linguagem em que estes temas são discutidos», afirmando que «a Igreja tem-se tornado "obcecada" com questões como o aborto, casamento homossexual e contraceção».
O "Financial Times" lembra também as «reformas de gestão na Santa Sé», como a nomeação de «um grupo de oito bispos com perspetivas semelhantes» e a criação de uma nova comissão para investigar questões ligadas ao abuso sexual e identificar soluções para proteger melhor as crianças.
O artigo realça igualmente a preparação do próximo sínodo dos bispos, dedicado à família, com Francisco a dar instruções para que os fiéis pudessem responder a um questionário sobre o assunto, com perguntas em que se incluem temas como divórcio, controlo de nascimentos e uniões homossexuais, o que «pode sinalizar uma intenção de discutir estas matérias sem estar limitado por tabus há muito estabelecidos».
O jornal salienta, no entanto, que «em muitos assuntos, como a ordenação sacerdotal de mulheres, o novo pontífice é um conservador doutrinal».
«Mas o que é impressionante no papa Francisco é como rapidamente se tornou uma autêntica figura de proa para quem está preocupado com o que ele denomina "o ídolo chamado dinheiro" e a "indiferença globalizada neste mundo globalizado"».
A terminar, o editorial assinala que Francisco «transmite as suas preocupações e ansiedades com uma sinceridade e autenticidade que nenhum líder mundial pode igualar».
Rui Jorge Martins
© SNPC |
30.12.13









